EDITORIAL

 

Deise Maria Leal Fernandes Mendes*; Adriana Benevides Soares*; Alexandra Cleopatre Tsallis*; Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo*; Deise Mancebo**; Rita Maria Manso de Barros*

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ - Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Endereo para correspondncia

 

 

Este número da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia vem no mesmo tom do número anterior, acreditando nos avanços de nosso processo editorial, fruto do trabalho e empenho da equipe, consultores e autores. Acredita-se que o esforço continuado pela manutenção de uma produção de qualidade se mostra refletido no interessante conjunto de publicações em Psicologia e campos afins que a revista tem podido oferecer aos leitores.

Neste segundo número de 2012, uma vez mais, contamos com um conjunto de artigos e resenha em que são trabalhadas questões variadas a partir de visões e referenciais teóricos diversos. Como marca da revista, o conhecimento plural dos saberes e práticas na Psicologia, bem como de suas interfaces, tem aqui um espaço de expressão e divulgação.

O primeiro artigo deste número nos traz uma reflexão sobre a trajetória seguida no curso do desenvolvimento de uma pesquisa, enfatizando a importância das questões éticas e onto-metodológicas, e das práticas discursivas em comunicação. De autoria de Jacir Alfonso Zanatta e Márcio Luis Costa, tem por título "Algumas reflexões sobre a pesquisa qualitativa nas ciências sociais". O trabalho se propõe ainda a discutir uma articulação do método qualitativo com a construção do conhecimento científico.

Em seguida, um conjunto de textos aborda questões do campo da saúde e qualidade de vida. O artigo "Identificação de fatores de predisposição aos transtornos alimentares: anorexia e bulimia em adolescentes de Belo Horizonte, Minas Gerais", de Nádia Laguárdia de Lima, Carla de Oliveira Barbosa Rosa e José Francisco Vilela Rosa, tem como objetivo apresentar os resultados de um estudo interdisciplinar em que se procurou identificar fatores de predisposição aos transtornos alimentares, especificamente, anorexia e bulimia, em adolescentes do sexo feminino, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Com o título "Sofrimento, distúrbios osteomoleculares e depressão no contexto de trabalho: uma abordagem psicodinâmica", segundo texto do conjunto, as autoras, Sandra Regina Ayres Rocha, Ana Magnólia Mendes e Carla Faria Morrone refletem acerca das estratégias de enfrentamento dos trabalhadores frente a seu processo de adoecimento, buscando assim, compreender melhor as relações entre sofrimento psíquico, distúrbios osteomusculares e depressão, fundamentadas no referencial teórico da psicodinâmica do trabalho. Em seguida, e adotando uma perspectiva foucaultiana, o artigo "Saúde da criança: produção do sujeito cidadão" de Lutiane de Lara, Neuza Maria de Fátima Guareschi e Simone Maria Hüning, discute as práticas que envolvem a saúde da criança no SUS, compreendendo a saúde como uma estratégia biopolítica e, assim, como um investimento para a vida do sujeito cidadão.

Lourine Severo Oliveira, Dóris Firmino Rabelo e Nelma Caires Queroz, autoras de "Estilo de vida, senso de controle e qualidade de vida: um estudo com a população idosa de Patos de Minas-MG" refletem sobre a importância de pesquisas que investiguem os aspectos capazes de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos idosos, e procuraram estudar os comportamentos de saúde e o senso de controle dos idosos residentes no município de Patos de Minas. Fechando esse bloco de estudos mais diretamente voltados para a preocupação com a saúde, sua manutenção e promoção, os autores de "Carregadores de açaí: Análise ergonômica do trabalho de carregadores de açaí do Mercado Ver-o-Peso em Belém do Pará", João Bosco de Assis Rocha, Edmundo Rinolino Magalhães Flores, Leandro Cavalcante Lima e Leandro de Jesus Rodrigues investigam, em estudo exploratório e descritivo, aspectos ergonômicos da atividade dos carregadores de açaí, visando conhecer sintomas de inadequações laborais.

O próximo artigo pode ser visto como transitando na interseção do campo de promoção de saúde e da educação, tratando das representações sociais acerca dos programas universitários voltados para as pessoas da terceira idade. Trata-se do texto "Os programas universitários para pessoas idosas (UnATIs): um estudo de representação social", de Denize Cristina de Oliveira e Adriana Sancho Simoneau. O ambiente universitário foi ainda fonte para os participantes de um estudo empírico, apresentado no texto de Sérgio Roclaw Basbaum, Rafael Peres dos Santos, Rafael Fernandes Barros, Lujani Aparecida Camilo e Alfredo Pereira Júnior, chamado "Percepção e Linguagem: descrição de figuras ambíguas por alunos universitários da área biológica". A percepção de figuras ambíguas, por estudantes da área biológica, é examinada.

A preocupação com políticas e práticas do sistema educacional parece ter também motivado o próximo bloco de artigos deste número. Alessandra Speranza Lacaz, Marcel Romanio, Suzana Maria Gotardo e Ana Lúcia C. Heckert, em "Questões contemporâneas no campo das políticas educacionais: Produção comunitária, Criminalização da vida e Práticas de liberdade", analisam as políticas que se forjam na educação, tendo em vista os modos de vida contemporâneos operados pela biopolítica. O outro artigo neste bloco é de autoria de Maria Olímpia Almeida de Paiva e Abílio Afonso Lourenço, e tem o título de "A influência da aprendizagem autorregulada na mestria escolar". Tem por objetivo analisar a influência da autorregulação da aprendizagem no desempenho dos alunos.

Um terceiro bloco composto por dois artigos trata de temáticas atinentes aos jovens. No primeiro deles, "Juventude e violência: trajetórias de vida e políticas públicas", Luana Isabelle Cabral dos Santos, Andressa Maia de Oliveira, Ilana Lemos de Paiva e Oswaldo Hajime Yamamoto fazem uma reflexão acerca dos contextos em que vivem jovens vítimas de violência e sobre a ausência de ações governamentais direcionadas à juventude. No outro, "Jovens classes médias infratores e a questão da autoridade", Samira Safadi Bastos e Elaine Pedreira Rabinovich examinam a percepção de jovens de classe média com relação a seu ingresso e permanência na criminalidade.

Dentre os artigos apresentados em demanda espontânea, tivemos ainda quatro outros textos. O primeiro, sob o título de "Significados da finitude no mundo vivido de pessoas com HIV/AIDS: um estudo fenomenológico", tem como autores Virginia Moreira, Lucas Bloc e Marcio Rocha e aborda a morte e a finitude em portadores de  HIV/AIDS. Um outro, trata do existencialismo vivido de Sören Kierkegaard, com autoria de Marcos Ricardo Janzen e Adriano Holanda. Em seguida, temos um texto que se debruça sobre um caso clínico, tomando-se por base as configurações do nó borromeano e das tranças, segundo proposta de Fabien Schejtman. Leva o título de "Debilidade mental e psicose na trança do RSI: um caso clínico" e seu autor é Luis Flávio Silva Couto. O último destes textos, "Psicólogos em forma[ta]cão: Cartografias de um esboço de autoanálise", vem com autoria de Nedelka Solís Palma, Valter A. Rodrigues e Marcia Moraes, e nos apresenta uma visão crítica acerca do vivido e não-vivido na experiência da formação acadêmica em psicologia.

A seção CLIO, neste número, está composta por dois artigos. O primeiro tem por título "Contexto histórico e institucionalização acadêmica da psicopedagogia em Argentina", com autoria de Ana Clara Ventura, Raúl Gagliardi e Nora Moscoloni. Explora os principais elementos favorecedores do aparecimento da prática psicopedagógica na Argentina. O segundo, "Cultura e desenvolvimento humano: saberes divulgados em impressos brasileiros do século XIX" de Raquel Martins de Assis e Juliana de Souza Martins nos apresenta resultados de uma investigação sobre as relações entre concepções sobre desenvolvimento humano, faculdades intelectuais e morais e educação na cultura impressa do século XIX, no Brasil.

Temos uma comunicação de pesquisa neste número, de Florencia Adriana Macchioli, que com a investigação "Los inicios de la Terapia Familiar en la Argentina. Implantación, configuración y desarrollo de un nuevo campo disciplinar. 1960-1979" constroi de forma sistematizada uma versão da história da terapia familiar na Argentina.

Fechando esta edição temos a resenha de Oswaldo Hajime Yamamoto e Isabel Fernandes de Oliveira que analisa com o texto "Resenha do Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil", a obra "Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil", ressaltando o valor da produção e o esforço demandado a um extenso grupo de pesquisadores brasileiros.

Desejamos que apreciem os textos e tenham uma boa leitura!

 

 

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Notas

*Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
**Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.



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