EDITORIAL

 

Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo*; Adriana Benevides Soares*; Alexandra Cleopatre Tsallis*; Deise Mancebo**; Rita Maria Manso de Barros*

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ - Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Endereo para correspondncia

 

 

Em novembro de 2011, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, reuniram-se os representantes de diferentes países latino-americanos: Argentina, Peru, México, Colômbia e Brasil, no 4º Congresso Latino-americano de Psicoterapias Existenciais e enfoques afins. Para a realização desse grande encontro, bem como para a publicação deste Dossiê, intitulado Psicologia Existencial e suas práticas, pudemos contar com a hospitalidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que abriu incondicionalmente as portas de sua morada para abrigar não só o evento, mas também os artigos, resenhas e comunicação de pesquisa que decorreram do Congresso. Nessa oportunidade foram apresentados diferentes modos de pensar a Psicologia na perspectiva da existência, por meio de diálogos, questionamentos e reflexões, com o cuidado de acolher as diferenças, sem a pretensão de transformá-las no mesmo.

Neste número da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia, ocupamo-nos em reunir parte dos diferentes enfoques fenomenológicos apresentados neste encontro, trazendo um propósito semelhante ao do Congresso, qual seja, afirmar que "representamos todo um leque de abordagens, ou de olhares, ou de perspectivas teóricas que guardam entre si algumas semelhanças". Assim, por meio desta publicação facilitamos que mais vozes se façam ouvir, abrindo espaço para as pesquisas fenomenológicas, ampliando cada vez mais os diferentes ecos do pensamento existencial, humanista e fenomenológico em Psicologia.

Os artigos que compõem este volume tratam de diferentes temas, dentre eles: Filosofia e Psicologia da existência; fenomenologia e educação; fundamentos existenciais e humanistas para uma perspectiva social em Psicologia; Husserl, consciência e método; a perspectiva existencial e humanista; corpo e corporeidade. O primeiro artigo é da autoria de um estudioso reconhecido em seu país de origem, Portugal. Trata-se de André Barata que, em parceria com duas brasileiríssimas, Carolina Campos e Fernanda Alt, escreveu um texto sob o título Psicologia Fenomenológica, Psicanálise existencial e possibilidades clínicas a partir de Sartre.

Sartre foi tema de outros artigos. Em Liberdade, alienação e criação literária: reflexões sobre o homem contemporâneo a partir do existencialismo sartriano, Amana Rocha Mattos, Ariane Patrícia Ewald e Fernando Gastal de Castro, inspirados na noção de liberdade desenvolvida por Sartre, tratam dos aspectos sócio-históricos e filosóficos do surgimento e consolidação da modernidade. Michelle Thieme, também com base no pensamento de Sartre, discute os especialismos em: Humano, cientificamente humano? Um olhar sartriano para o especialismo psi contemporâneo.

Dois artigos abordam a filosofia de Sören Kierkegaard, trazendo à Psicologia a complexidade das reflexões deste filósofo sobre a existência humana. São eles: O debate entre paganismo e o cristianismo, de Cristine Monteiro Mattar e Reflexões sobre as bases para a edificação de uma Psicologia kierkegaardiana, de Myriam Moreira Protasio.

Dentre os artigos que tratam da fenomenologia encontramos em Adriano Holanda um estudo histórico intitulado O método fenomenológico em Psicologia, uma leitura de Nilton Campos. Holanda nos lembra como Nilton Campos introduziu no Brasil, no ano de 1945, a fenomenologia por meio de estudos sérios e bem fundamentados. No artigo de Carlos Tourinho, intitulado A consciência e o mundo na fenomenologia de Husserl: influxos e impactos sobre as ciências humanas, encontramos os fundamentos da fenomenologia e uma defesa da atitude fenomenológica em Husserl, com vistas à consciência transcendental. Por fim, Roberto Kahlmeyer-Mertens traz a discussão sobre intencionalidade e Psicologia, com o título Intencionalidade: uma estrutura necessária para uma Psicologia com bases fenomenológicas.

Entre os artigos que tratam das práticas psicológicas que se desenvolveram com base nos referenciais humanistas, existenciais e fenomenológicos encontramos artigos que tratam da clínica psicológica em saúde pública. Dentre eles, um artigo que articula com maestria a clínica psicológica com as políticas públicas, cujo título é O plantão psicológico como possibilidade de interlocução da Psicologia clínica com as políticas públicas,  escrito em parceria por Emanuel Meireles Vieira e Georges Daniel Janja Bloc Boris. Juliana Vendruscolo traz um artigo que versa sobre Atendimento psicológico em instituição: da tradição à fenomenologia existencial. Márcia Tassinari discute em seu artigo o tema Desdobramentos clínicos das propostas humanistas em processos de promoção de saúde e, por fim, Elza Dutra, preocupada com situações de suicídio, nos apresenta o texto Suicídio universitário: o vazio existencial de jovens universitários.

Outros manuscritos discutem as psicoterapias de grupo em uma perspectiva fenomenológica: Luis Eduardo F. Jardim escreve sobre Mundo como fundamento da psicoterapia de grupo fenomenológica. Roberto Novaes de Sá e Ana Teresa Camasmiere, com o título reflexões fenomenológico-existenciais para a clínica psicológica de grupo, discutem a possibilidade de aproximação entre a fenomenologia hermenêutica de Martin Heidegger e a experiência clínica de grupo, com vias a refletir sobre dois aspectos importantes do cotidiano psicoterápico: o diálogo clínico e o vínculo psicoterapêutico.

A Psicologia clínica em uma perspectiva fenomenológico-existencial é apresentada em alguns dos artigos que compõem este dossiê. Dentre eles temos o de Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo que, com o título A clínica psicológica em uma inspiração fenomenológica – hermenêutica, defende a possibilidade de uma clínica psicológica articulada nessas bases. Alexandre Marques Cabral, em Da crise do sujeito à superação da confissão clínica, escrevendo sob o ponto de vista da filosofia, analisa de modo poético a possibilidade de uma clínica psicológica que dialogue com o pensamento de Heidegger. Também em um estilo poético, escreve Mônica Alvim o artigo A clínica como poética.

Na sessão Clio-Psyqué, sob a responsabilidade de Ana Maria Jacó-Vilela, encontramos dois artigos que tratam da história da Psicologia, são eles: A experiência de autores judeus da Psicologia sobrevivente do holocausto e História e reflexão sobre as práticas de saúde mental no Brasil e no Rio Grande do Sul. O primeiro é de autoria de Milena Calegari e Marina Maxime e, o segundo, foi escrito por Miriam Thais Gutierez Dias.

Por fim, consta de nosso dossiê uma comunicação de pesquisa, que trata de uma historiografia e se intitula Uma história da abordagem centrada na pessoa no Brasil, da qual participam o mestrando Alexandre Trzan-Ávila e sua orientadora de mestrado Ana Maria Jacó-Vilela. Temos, ainda, uma resenha, escrita com muita sensibilidade por Roberto Kahlmeyer-Mertens que, mesmo sendo filósofo alcança a essência da clínica existencial que a autora, Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo, trata em seu livro A existência além do sujeito.

São muitos os registros que apontam para a Psicologia como um espaço de pluralidade e diversidade, o que compromete, e muito, a possibilidade de uma unidade. Mas, nestes nossos encontros, bem como nesta publicação, pudemos constatar que, mais rico do que o rigor da unidade, a pluralidade em diálogo pode se sustentar e, mais ainda, se aproximar da vida em seu acontecer mais originário, no qual a pluralidade é sua própria constituição.

 

 

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Notas

* Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
** Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.



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