Estudos e Pesquisas em Psicologia
2021, Vol. 01. doi:10.12957/epp.2021.59373
ISSN 1808-4281 (online version)

 

PSICOLOGIA SOCIAL

 

Fenômeno do Impostor e Perfeccionismo: Avaliando o Papel Mediador da Autoestima

 

Ana Karla Silva Soares*, I; Eduardo França do Nascimento**, I; Thiago Medeiros Cavalcanti***, II
I Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS, Campo Grande, MS, Brasil
II Faculdade Santa Maria - FSM, Cajazeiras, PB, Brasil
Endereço para correspondência

 

RESUMO

Na literatura, o perfeccionismo tem sido relacionado ao fenômeno do impostor. Contudo, são escassas as pesquisas que analisam conjuntamente estas relações. Esta pesquisa examina o potencial papel mediador da autoestima na relação entre as dimensões do perfeccionismo (adaptativo e desadaptativo) e o fenômeno impostor. Participaram da pesquisa 380 universitários, com idade média 24 anos (DP= 5,69; 18 a 55 anos), a maioria do sexo feminino (63%). Estes responderam a Escala de Quase Perfeição-Revisada, a Escala Clance de Fenômeno Impostor, a Escala de Autoestima e perguntas demográficas. Realizaram-se análises de correlação e regressão, tendo os resultados indicado que pessoas com maiores níveis de impostorismo apresentaram menos autoestima e mais perfeccionismo desadaptativo. Por sua vez, a autoestima se correlacionou positivamente com o perfeccionismo adaptativo e negativamente com o desadaptativo. Por meio de duas path analysis identificou-se que a autoestima mediou parcialmente a relação entre o perfeccionismo (desadaptativo e adaptativo) e o fenômeno do impostor, sendo maior o efeito no caso do perfeccionismo desadaptativo. Conclui-se que a autoestima é uma variável importante para a compreensão da relação entre o impostorismo e o perfeccionismo, reforçando que pessoas com mais autoestima e menos desadaptativamente perfeccionistas costumam vivenciar menos o fenômeno do impostor.

Palavras-chave: autoestima, fenômeno do impostor, perfeccionismo.


 

Impostor Phenomenon and Perfectionism: Evaluating the Mediator role of Self-esteem

 

ABSTRACT

In the literature, perfectionism has been related to the impostor phenomenon However, there is scant research that analyze jointly this relationship. This study aimed to examine the potential mediating role of self-esteem in the relationship between dimensions of perfectionism (adaptive and maladaptive) and the impostor phenomenon. Participants were 380 undergraduate students, with a mean age of 24 years (SD = 5.69, 18-55 years), mostly females (63%). They answered the Almost Perfect Scale-Revised, Clance Impostor Phenomenon Scale, the Self-Esteem Scale, and demographic questions. Correlation and regression analysis were performed, with the results indicated that people with higher levels of impostorism had less self-esteem and more maladaptive perfectionism.  On the other side, self-esteem correlated positively with adaptive perfectionism and negatively with the maladaptive one. Through two-path analysis, it was identified that self-esteem partially mediated the relationship between perfectionism (maladaptive and adaptive) and impostor feelings, being greater the effect in the case of maladaptive perfectionism. We concluded that self-esteem is an important variable for understanding the relationship between impostorism and perfectionism, reinforcing that people with more self-esteem and less maladaptive perfectionists usually experience less the impostor phenomenon.

Keywords: self-esteem, impostor phenomenon, perfectionism.


 

Fenómeno del Impostor y Perfeccionismo: Evaluando el papel Mediador de la Autoestima

 

RESUMEN

En la literatura, el perfeccionismo se ha relacionado con el fenómeno del impostor. Sin embargo, hay poca investigación sobre los mecanismos subyacentes de esta relación. Esta investigación tiene como objetivo examinar el posible papel mediador de la autoestima en la relación entre las dimensiones del perfeccionismo (adaptativo y desadaptativo) y el fenómeno impostor. Participaron del estudio un total de 380 universitarios, con una edad media de 24 años (DE = 5.69, 18-55 años), la mayoría mujeres (63%). Estos respondieron a la Escala de Casi Perfección Revisada, la Escala Clance del Fenómeno Impostor, la Escala de Autoestima y preguntas demográficas. Se realizaron análisis de correlación y regresión, y los resultados indicaron que las personas con niveles más altos de impostorismo tenían menos autoestima y más perfeccionismo inadaptado. Mientras tanto, la autoestima se correlacionó positivamente con el perfeccionismo adaptativo y negativamente con el desadaptativo. Mediante análisis de dos vías se identificó que la autoestima mediaba parcialmente la relación entre el perfeccionismo (desadaptativo y adaptativo) y el fenómeno del impostor, siendo mayor el efecto en el caso del perfeccionismo desadaptativo. Se concluye que la autoestima es una variable importante para comprender la relación entre el impostorismo y el perfeccionismo, lo que refuerza que las personas con más autoestima y menos desadaptativamente perfeccionistas suelen experimentar menos el fenómeno del impostor.

Palabras clave: autoestima, fenómeno del impostor, perfeccionismo.


 

 

É comum observar, no contexto acadêmico, estudantes que mesmo apresentado altos indicadores de desempenho são menos capazes de identificar a positividade de suas ações, prevalecendo sentimentos que remetem sua boa atuação a motivos diversos, mas sem associar a suas próprias habilidades (Cisco, 2019; Cokley et al., 2018). Alguns tendem a reprimir sua habilidade acadêmica e menosprezar sua imagem diante de outras pessoas, temendo um possível fracasso futuro, não aceitando seu sucesso e assim desenvolvendo para si avaliações negativas (Clance, Dingman, Reviere, & Stober, 1995). A prevalência desta modalidade de auto interpretação é conceituada como fenômeno do impostor (Clance & Imes, 1978).

O termo foi cunhado na literatura pelas pesquisadoras Pauline Rose Clance e Suzanne Imes (1978) sendo também denominado de síndrome ou impostorismo, aplicado às pessoas que, apesar de sinais óbvios de capacidade e de geralmente causarem boa impressão (Clance, 1985), apresentam a atribuição externa de sucesso, sentimentos de inadequação e medo de ser exposto como fraude intelectual (Brauer & Wolf, 2016; Clance, 1985). Em outras palavras, as pessoas não acreditam que seu sucesso é fruto de sua própria capacidade.

O fenômeno do impostor tem sido estudado considerando seu impacto em diversas esferas da vida dos indivíduos (Clance, 1985; Clance & Imes, 1978; Chakraverty, 2020), envolvendo a incapacidade que o indivíduo possui de reconhecer que seu bom desempenho é em decorrente de suas habilidades. É avaliado a partir de diferentes dimensões que envolvem sentimentos de autodúvidas sobre a própria inteligência, habilidades, sentimento de fraude e a tendência de atribuir sucesso ao acaso (Neureiter & Traut-Mattausch, 2016).

Segundo Leonhardt, Bechtoldt e Rohrmann (2017), pessoas com elevados sentimentos impostores tendem a sentir como não pertencentes ao seu ambiente acadêmico ou de trabalho, apesar de qualificações objetivas, conquistas e realizações. Clance (1985) identificou que os impostores tendem a recordar de maneira mais rápida algum feedback negativo que receberam, enquanto que os positivos não são internalizados, rejeitando afirmações e feedbacks positivos sobre seu sucesso e generalizando excessivamente as implicações de um eventual mau desempenho.

Pesquisadores identificaram que pessoas mais perfeccionistas tendem a apresentar maiores níveis de impostorismo, e que pessoas com baixa autoestima são consideradas especialmente vulneráveis a sentimentos impostores (Cokley et al., 2018; Schubert & Bowker, 2017). Considerando que os três construtos (impostorismo, perfeccionismo e autoestima) apresentam evidências claras na literatura que estão relacionados a saúde e bem-estar psicológico das pessoas (e.g., Black & Reynolds, 2013; Hewitt, & Flett, 1991), compreender a interação entre estas variáveis pode beneficiar a ampliação do conhecimento que tem por finalidade reduzir o sofrimento psicológico dos indivíduos, mais especificamente daqueles que sofrem com sentimentos impostores em seus ambientes acadêmicos e laborais.

O fenômeno do impostor pode gerar um impacto significativo na saúde mental em âmbitos variados, visto que as pessoas afetadas geralmente experimentam uma redução no nível de qualidade de vida e bem-estar e lidam com preocupações, dúvidas pessoais, ansiedade e depressão em maior grau quando comparadas a pessoas com níveis baixos de impostorismo (Thompson, Foreman, & Martin, 2000). O medo do fracasso limita o potencial de crescimento e satisfação na carreira, provoca conflitos e prejudica o rendimento acadêmico (Cokley et al., 2018; Wang, Sheveleva, & Permyakova, 2019). Estudos também demonstraram que a síndrome do impostor está negativamente correlacionada com a autoestima e perfeccionismo adaptativo (Schubert & Bowker, 2017), variáveis que afetam a saúde metal e bem-estar das pessoas (DiBartolo & Frost, 2008).

Entretanto, a maneira como os indivíduos lidam com sua saúde psicológica varia em decorrência de alguns fatores (e.g., idade, sexo, escolaridade), mas destaca-se a cultura como um aspecto relevante (Fors & Kulin, 2016; Wong et al., 2017) que evidencia a importância de desenvolver pesquisas sobre o tema em contextos nos quais as variáveis não foram analisadas anteriormente. Nesta direção, ao proceder buscas na literatura observa-se que as pesquisas avaliando os fenômenos em conjunto e que centrem em examinar a autoestima como potencial mediador do efeito do perfeccionismo no impostorismo são escassas, especialmente no contexto brasileiro, um dos elementos que fundamenta o desenvolvimento do presente estudo.

 

Perfeccionismo, Fenômeno do Impostor e Autoestima

O perfeccionismo é um construto com diferentes conceituações e que envolve a combinação de padrões extremamente elevados e autocríticos (Hill & Curran, 2015). Originalmente, concebia-se o perfeccionismo como um construto unidimensional e atualmente identificam-se modelos multidimensionais (Hewitt & Flett, 1991; Frost, Marten, Lahart, & Rosenblate, 1990), que capturam dimensões que podem ser empiricamente combinadas com fatores de ordem superior envolvendo tanto os esforços perfeccionistas (tendência de estabelecer padrões elevados e se esforçar para alcançá-los) quanto às preocupações perfeccionistas (percepção de outros como pressão para busca por perfeição), assumindo características adaptativas e desadaptativas (Hill & Curran, 2015; Pannhausen, Klug, & Rohrmann, 2020).

Considerando que os modelos existentes de perfeccionismo se centravam nos fatores antecedentes, acompanhantes ou em seus efeitos, Slaney, Mobley, Trippi, Ashby e Johnson (1996) buscaram preencher esta lacuna ao considerar seus aspectos positivos e negativos compreendendo o perfeccionismo como sendo a interação entre padrões pessoais do indivíduo e sua percepção sobre a discrepância entre o desempenho atual e os seus padrões (ou seja, avaliação de desempenho). Foram considerados três aspectos, dois envolvendo a busca por padrões elevados e a apreciação por ordem caracterizando uma forma de perfeccionismo adaptativo, e uma terceira dimensão (discrepância), que avalia "a percepção que as pessoas têm de que não estão cumprindo seus próprios padrões elevados" (p. 9) e é considerada um indicador de perfeccionismo desadaptativo (Arana, Rice, & Ashby, 2017).

Quando a busca por padrões elevados e a autocrítica são excessivas, alguns autores o denominam de perfeccionismo desadaptativo, que se assemelha ao impostorismo e está ligado ao decréscimo da saúde mental (e.g., maior nível de ansiedade e depressão, Black & Reynolds, 2013). Assim, observa-se que tanto o indivíduo com alto grau de perfeccionismo quanto os com elevados índices de impostorismo são orientados a procurar por excelência, com os perfeccionistas sendo motivados por alcançar altos padrões e os impostores pela vivência da sensação de ser uma fraude intelectual (Schubert & Bowker, 2017).

O perfeccionismo e fenômeno impostor são tidos como traços complexos que apresentam semelhanças perceptíveis, por representarem preocupações direcionadas aos processos de desempenho e avaliação, centralizados nos aspectos de inadequações (Brauer & Wolf, 2016; Cokley et al., 2018), já que o impostorismo está ligado à auto apresentação perfeccionista e a vivências negativas que envolvem angústia, ansiedade ou depressão (Cokley et al., 2018; Dudău, 2014; Wang et al., 2019).

Estima-se que o perfeccionismo tenha um impacto marcante no surgimento e manutenção de sentimentos impostores. Consistentemente, pesquisadores identificam relação positiva entre perfeccionismo e fenômeno do impostor, a exemplo de Rohrmann, Bechtoldt e Leonhardt (2016) e Vergauwe, Wille, Feys, De Fruyt e Anseel (2015) identificaram uma associação negativa entre fenômeno do impostor e o fator de perfeccionismo adaptativo, e uma relação positiva entre impostorismo e perfeccionismo desadaptativo.

Ampliando a natureza dos achados, Dudău (2014) verificou em estudantes romenos a síndrome do impostor como sendo prevista mais adequadamente pelas dimensões perfeccionistas que envolvem a necessidade de aprovação, organização e ruminação. Na mesma direção, Wang et al. (2019), em amostra de universitários russos, também identificaram o papel preditor do perfeccionismo para com o impostorismo e, adicionalmente, o papel mediador do fenômeno do impostor na ligação entre o perfeccionismo e o sofrimento psicológico (ansiedade e depressão).

Pesquisas também sugerem outra direção no relacionamento entre as variáveis, indicando que os impostores tendem a procrastinar comportamentos como forma de atribuir a possível falha a um elemento externo (ausência de tempo; Rohrmann et al., 2016). E que acadêmicos que experimentam sentimentos impostores elevados tendem a buscar realizar as atividades de forma mais perfeccionista (Wang, Sheveleva, & Permyakova, 2019).

Entretanto, visto que o perfeccionismo é definido como uma disposição da personalidade que permeia diferentes esferas da vida humana, principalmente a acadêmica e laboral, nesta pesquisa buscou-se avaliar o perfeccionismo como explicador do impostorismo. Além disso, considerando que os dois construtos apresentam notáveis similaridades ao representarem processos de desempenho e avaliação, sugere-se que o perfeccionismo e impostorismo possam ser mediados pela autoestima, tal como ocorrido em pesquisas desenvolvidas em outro contexto cultural que não o brasileiro (Cokley et al., 2018).

O conceito de autoestima na psicologia é amplamente diversificado, compreendendo desde a relação estabelecida com as próprias aspirações e ideias, até o relacionamento entre a autoavaliação e auto concepção construída a partir da interação social (Ceballos-Ospino et al., 2017). Corresponde a uma avaliação do autoconceito formado pelos pensamentos e sentimentos referentes a si mesmo, que podem ser de orientação positiva (auto-aprovação) ou negativa (depreciação) (Hutz & Zanon, 2011).

Pesquisas anteriores verificaram correlação entre a autoestima e o perfeccionismo (Lige, Peteet, & Brown, 2017), sugerindo que perfeccionistas adaptativos têm maior autoestima do que os perfeccionistas desadaptativos (Deuling & Burns, 2017), podendo servir como um mecanismo de proteção para o perfeccionista desadaptativo. Na mesma direção, observa-se que, em virtude de o fenômeno do impostor envolver sentimentos de autodúvida muitas vezes pela dificuldade de se auto perceber de maneira adequada, bem como sua associação com a autoestima (Neureiter & Traut-Mattausch, 2016), cujos achados variam em detrimento da força de associação variando de forte (e.g., r = -0,62; Schubert & Bowker, 2017) a moderada (e.g., r = -0,31; Kolligan & Sternberg, 1991).

Cokley et al. (2018), partindo dos resultados de estudos anteriores que identificaram a autoestima como um mecanismo comumente relacionado ao perfeccionismo e ao impostorismo, e da escassez de pesquisas que analisassem o fenômeno, identificam o papel mediador da autoestima na análise da relação entre o perfeccionismo e fenômeno do impostor em estudantes estadunidenses. Esta característica amostral impossibilita extrapolar a compreensão dos achados a outras culturas onde os fenômenos não foram analisados.

Nesta direção, foi realizada uma busca nas bases de dados SciELO (Scientific Eletronic Library Online), PUBMED (National Library of Medicine), PePSIC e Index Psi. empregando os termos "fenômeno do impostor" OR "síndrome do impostor" OR "impostor phenomenon" "OR" impostor syndrome" AND "perfeccionismo" OR "perfectionism" AND "autoestima" OR "self-esteem". Nos dois últimos buscadores foram inseridos primeiramente os termos em português e em seguida realizada a busca com os termos em inglês. Para não haver risco de exclusão de estudos importantes, optou-se por não delimitar um período de publicação. O objetivo desta busca foi identificar estudos científicos já publicados no contexto brasileiro que tenham estudado as variáveis simultaneamente, não sendo identificadas pesquisas desta natureza.

Diante do previamente exposto, é notória a relação entre o fenômeno do impostor e dimensões relacionadas à saúde mental das pessoas (e.g., ansiedade e depressão; Cokley et al., 2018), inclusive no que tange a seu impacto nas esferas educacionais e profissionais (Clance & Imes, 1978). Em contrapartida, são escassos os esforços de verificar e amparar a existências de antecedentes e mediadores desse fenômeno, com destaque para os intentos que consideram isoladamente o perfeccionismo (Wang et al., 2019) e a autoestima.

Nesta conjuntura, o presente estudo tem por objetivo geral examinar o potencial papel mediador da autoestima na relação entre as dimensões do perfeccionismo (adaptativo e desadaptativo) e o fenômeno impostor. Diante do levantamento realizado na literatura hipotetizou-se que H1) o perfeccionismo desadaptativo se correlacionará positivamente com o fenômeno do impostor (Brauer & Wolf, 2016; Schubert & Bowker, 2017); H2) que a autoestima se correlacionará negativamente com o impostorismo (Neureiter & Traut-Mattausch, 2016) e H3) que a autoestima funcionará como mediadora da relação entre perfeccionismo e impostorismo (Cokley et al., 2018).

 

Método

Participantes

Participaram 380 estudantes universitários, com idade média de 24 anos (DP= 5,69), sendo a maioria do sexo feminino (63%), de instituições públicas brasileiras (90%), que avaliaram a relação com os colegas como "boa" (52%) e que esperam "com certeza concluir o curso" (68%) de graduação.

Instrumentos

Os participantes receberam um questionário no formato online contendo os seguintes instrumentos:

Escala de Quase Perfeição – Revisada (Almost Perfect Scale – Revised; APS-R). A medida foi elaborada originalmente em língua inglesa por Slaney et al. (1996) e adaptada para o português para o presente estudo, sendo constituída por 23 itens distribuídos por três subescalas: padrões elevados (7 itens), discrepância (12 itens) e ordem (4 itens), respondidos em uma escala de 7 pontos variando de 1 (Discordo totalmente) a 7 (Fortemente de acordo). Slaney et al. (2001) relataram consistência interna satisfatória variando de 0,85 a 0,92; ademais identificaram correlações positivas com outras medidas de perfeccionismo que suportam sua validade concorrente.

Escala Clance de fenômeno impostor. Elaborada por Clance (1985) para detectar os sintomas do fenômeno do impostor, constituída por 20 itens (e.g., É difícil aceitar elogios sobre minha inteligência ou realizações), respondidos em uma escala de cinco pontos variando de 1 (não é de todo verdade) a 5 (muito verdadeiro), resultando em uma pontuação total que varia de 20 a 100 pontos. Holmes, Kertay, Adamson, Holland e Clance (19933) identificaram evidências de validade convergente e consistência interna da medida (alfa de Cronbach = 0,96).

Escala de Autoestima (SLCS). Desenvolvida por Tafarodi e Swann (2001), sendo constituída por 16 itens, respondidos em uma escala de 1 (Discordo fortemente) a 5 (Concordo fortemente). Entretanto, apesar da versão original apresentar estrutura bifatorial (autocompetência e autoconhecimento), nesta pesquisa empregou-se a versão unifatorial em detrimento de análises que suportam esta opção [cargas fatoriais variando de 0,59 (Item 2. Sou altamente eficaz nas coisas que faço) a 0,78 (Item 9. Me sinto ótimo(a) sobre quem sou); KMO = 0,91, Teste de Esfericidade de Bartlett, ꭔ² (120) = 3149,82, p < 0,001, valor próprio = 6,48, explicando 40,4% da variância total e apresentando alfa de Cronbach (α) de 0,90].

Questões demográficas. Apresentando características do perfil demográfico dos participantes do estudo (idade, sexo, religião, universidade, curso e semestre que estão cursando), questões acerca da maneira como os participantes avaliam sua relação com seus colegas de universidade (1 = Péssimo a 5 = ótimo) e sobre a intenção de concluir o curso de graduação que está realizando no momento (1 = Com certeza não concluirei o curso a 5 = Com certeza concluirei o curso).

 

Procedimentos

Os questionários foram respondidos de forma individual por meio de um computador, tablete ou celular. Os sujeitos receberam todas as informações e instruções necessárias para a realização do teste. O processo de coleta de dados aconteceu de forma online, com divulgação do link da pesquisa em redes sociais (e.g., Facebook, Instagram, Twitter), por meio de um survey elaborado na plataforma LimeSurvey, hospedado no website https://www.akssoares.com/ durante o período de fevereiro a abril de 2019. Foram informados que a pesquisa é destinada exclusivamente a estudantes universitários maiores de 18 anos, os instrumentos são autoaplicáveis, indicando que não há respostas certas ou erradas e enfatizando a necessidade da sinceridade nas respostas, expressando de fato como pensam, sentem e/ou agem em seu dia a dia. Ademais, foi solicitada a informação referente ao acordo ou desacordo com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE, apresentado na página inicial da pesquisa, com as opções de "Concordo" e "Não concordo em participar da pesquisa") apresentado como página inicial e com link para disponibilização da via do participante (devidamente assinada pelo pesquisador) para download dos que concordaram em colaborar com a pesquisa.

Além disso, enfatizamos que este estudo foi de caráter voluntário e que não acarretou qualquer dano físico, material (visto que a participação não demandará locomoção ou gastos com materiais de nenhuma natureza por parte do colaborador) ou psicológico, de forma a garantir, a cada participante, o sigilo de suas identidades, seguindo os preceitos éticos estabelecidos para participação de seres humanos, conforme estabelecem os parâmetros das diretrizes e normas reguladoras de pesquisa com seres humanos do Conselho Nacional de Saúde, Resolução 466/2012 (Ministério Saúde, 2012) ao qual esta pesquisa foi submetido para análise e onde se obteve parecer de aprovação do comitê de ética do setor CEP-UFMS, CAAE n. 98524318.0.0000.0021.

 

Análise dos Dados

Utilizaram-se os pacotes estatísticos PASW e AMOS para análise e tabulação dos dados. Especificamente com o primeiro, foram calculadas estatísticas descritivas (média, desvio-padrão), além de correlação de Pearson e regressão. Já com o segundo foi realizada path analysis, procurando testar o modelo de mediação da autoestima na relação entre fenômeno do impostor e perfeccionismo.

 

Resultados

Correlações entre as Variáveis

Inicialmente, calcularam-se as correlações (r de Pearson), entre o fenômeno do impostor, a autoestima e os fatores do perfeccionismo (adaptativo e desadaptativo). Tais resultados a respeito podem ser vistos na Tabela 1.

 

 

Os resultados indicaram que os participantes com maiores níveis de impostorismo apresentaram-se com menos autoestima (r = -0,76), ao passo que aqueles que pontuaram mais em fenômeno do impostor mostraram-se mais desadaptativamente perfeccionistas (r = 0,76). Por sua vez, a autoestima se correlacionou positivamente com o perfeccionismo adaptativo (r = 0,28) e negativamente com o desadaptativo (r = -0,64).

Análises de Mediação

Segundo Valentini, Mourão e Franco (2018) um modelo tradicional de mediação envolve uma variável independente (VI, perfeccionismo) que prediz uma mediadora (autoestima) e esta, por sua vez, prediz uma variável dependente (VD, fenômeno do impostor) de modo que a presença da mediadora elimine ou reduza a magnitude do relacionamento entre a VI sobre a VD. Tomando por base os achados anteriores, testou-se a hipótese de que a autoestima mediar a relação entre os fatores do perfeccionismo e o fenômeno do impostor por meio de duas análises de mediação diferentes envolvendo o perfeccionismo desadaptativo e o adaptativo.

Perfeccionismo Desadaptativo

Inicialmente, verificou-se efeito direto do perfeccionismo desadaptativo no fenômeno do impostor (λ = 0,76, IC 90% = 0,79/ 0,71, p < 0,001), isto é, a relação entre as variáveis sem a inclusão da mediadora. Em seguida, testou-se o modelo de mediação simples, tendo a autoestima como mediador do efeito anteriormente indicado. O modelo de mediação é apresentado na Figura 1.

 


Figura 1. Mediação do perfeccionismo desadaptativo, autoestima e fenômeno do impostor.

 

De acordo com o modelo de mediação testado, considerando o método de Bootstrap proposto por Preacher e Hayes (2004) com 5.000 re-amostragens, verificou-se efeito indireto, ou seja, o efeito do perfeccionismo desadaptativo no impostorismo na presença da mediadora (λ = 0,30, IC 90% = 0,35/0,25, p < 0,001). Diante do resultado em que o efeito direto (c') do perfeccionismo desadaptativo no fenômeno do impostor se manteve estatisticamente significativo com a inclusão da variável mediadora (λ = 0,46, IC 90% = 0,53/0,38, p < 0,001), considera-se que a autoestima mediou parcialmente a relação entre o perfeccionismo desadaptativo e o fenômeno do impostor.

Perfeccionismo Adaptativo

Seguindo os mesmos procedimentos apresentados anteriormente, primeiro se analisou o efeito direto do perfeccionismo desadaptativo no fenômeno do impostor (λ = -0,06, IC 90% = 0,03/-0,15 p > 0,05), que não foi significativo. Em seguida, testou-se o modelo de mediação simples representado pela Figura 2.

 


Figura 2. Mediação do perfeccionismo desadaptativo, autoestima e fenômeno do impostor.

 

O resultado do modelo testado, considerando o método de Bootstrap (Preacher & Hayes, 2004), 5.000 re-amostragens, verificou-se tanto efeito indireto (λ = -0,22, IC 90% = -0,28/-0,16, p < 0,001) quanto efeito direto (c') significativo com a inclusão da variável mediadora (λ = 0,16, IC 90% = 0,22/0,10, p < 0,001), com os resultados identificando a mediação parcial na relação entre o perfeccionismo adaptativo e o fenômeno do impostor.

 

Discussão

É crescente o número de estudos que demonstram a associação positiva do fenômeno do impostor com aspectos de saúde mental (e.g., ansiedade e depressão; Cokley et al., 2018) e seu papel em questões acadêmicas e de carreira (Clance & Imes, 1978). Entretanto, são reduzidos os intentos científicos dedicados a analisar variáveis antecedentes e mediadoras desse fenômeno.

Além disso, identifica-se o perfeccionismo como uma dimensão cada vez mais relacionada ao fenômeno do impostor (Wang et al., 2019), enquanto a autoestima figura como variável de relevante papel tanto correlacional quanto mediadora para a compreensão do perfeccionismo e do impostorismo em outros contextos (e.g., Cokley et al., 2018; Schubert & Bowker, 2017). Nesta conjuntura, a presente pesquisa buscou identificar em que medida e direção o perfeccionismo (adaptativo e desadaptativo), a autoestima e o fenômeno do impostor se relacionam (Hipóteses 1 e 2), com ênfase na análise do provável papel mediador da autoestima nessa relação (Hipótese 3). Estima-se que esses objetivos tenham sido alcançados.

No que tange à Hipótese 1, verificou-se que o perfeccionismo desadaptativo foi positivo e significativamente relacionado ao fenômeno do impostor, enquanto o perfeccionismo adaptativo obteve correlação negativa e não significativa. Esta diversidade de achados em diferentes fatores de um mesmo construto reflete o quão diferente cada indivíduo experiencia estas dimensões. Dudău (2014) identificou que maiores níveis de impostorismo em universitários estão associados a apresentação de padrões de realização pessoal, social e acadêmicos elevados, apoiando a ligação positiva do impostorismo desadaptativo, que refere-se o descompasso entre almejar padrões elevados e alcançar este objetivo (Arana et al., 2017) para com o fenômeno do impostor, já que este também envolve os sentimentos de dúvida quanto à capacidade individual de se alcançar padrões extremamente elevados. Estes achados corroboram a identificação da relação positiva com o impostorismo.

Já o perfeccionismo adaptativo envolve a busca por padrões elevados de excelência e ordem (Slaney et al., 1996), com pesquisas vinculando-o positivamente a medidas de bem-estar (e.g., satisfação com a vida; Moate, Gnilka, West, & Rice, 2019), sendo assim viável a ausência de correlação para com o fenômeno do impostor, visto que os perfeccionistas adaptativos são capazes de reconhecer suas capacidades e aceitar seus insucessos (Moate et al., 2019).

Para análise da relação entre a autoestima e o fenômeno do impostor (Hipótese 2), identifica-se correlação negativa semelhantes aos achados de outros estudos (e.g., Schubert & Bowker, 2017), provavelmente em virtude da possibilidade de indivíduos que se sentem impostores possuírem níveis baixos de autoestima. Por sua vez, a ligação estabelecida entre o perfeccionismo e autoestima é identificada por diferentes pesquisadores (e.g., Schubert & Bowker, 2017), tanto de forma positiva (perfeccionismo adaptativo) quanto negativa (perfeccionismo desadaptativo), sendo estes achados replicados nesta pesquisa, com destaque para o fato de a correlação com a dimensão desadaptativa ser mais forte que para com a adaptativa.

Por sua vez, no que tange à Hipótese 3 (objetivo geral desta pesquisa), identifica-se efeito de mediação parcial da autoestima em ambos os modelos testados, sendo mais proeminente na ligação entre o perfeccionismo desadaptativo e o impostorismo. Os resultados identificaram que a relação entre o perfeccionismo desadaptativo e adaptativo para com o impostorismo é explicada tanto pela via indireta (por meio da autoestima), quanto pela via direta (autoestima controlada), na direção dos achados de Cokley et al. (2018).

Destaca-se que o efeito mediador da autoestima foi menos forte para com o perfeccionismo adaptativo, provavelmente em virtude deste tipo de perfeccionismo fornecer mais mecanismos de proteção quanto à vivência de sentimentos impostores. Ao passo que o efeito da autoestima para com o perfeccionismo desadaptativo apresentou-se mais forte, possivelmente em virtude do perfeccionismo desadaptativo gerar mais sentimentos de desagrado para com seu próprio desempenho e, consequentemente, ser mais presente em pessoas com baixa autoestima.

No geral, os resultados evidenciam o papel mediador da autoestima na relação entre as variáveis em ambos os modelos, enfatizando outros achados da literatura que identificam a associação entre as variáveis (Neureiter & Traut-Mattausch, 2016) e a importância da autoestima na maneira como os indivíduos vivenciam o perfeccionismo (adaptativo e desadaptativo) e estes refletem no nível de sentimentos impostores experienciados.

Deste modo, a baixa autoestima explicaria a capacidade de as pessoas vivenciarem o impostorismo quando não conseguem atingir seus padrões elevados de exigência. Igualmente, ratifica que indivíduos com maior autoestima seriam menos propensos a vivenciar o impostorismo, mesmo apresentando padrões elevados e busca por ordem (Cokley et al., 2018; Moate et al., 2019). Ademais, são achados que transpõem os anteriormente apresentados na literatura por consideraram uma amostra diferente, caracterizando o fenômeno em um público não antes considerado.

Ressalta-se que esta pesquisa considera a natureza multidimensional para com a qual as ações humanas são constituídas, sendo assim relevante considerar que os construtos ora analisados são influenciados tanto por questões intrínsecas (centradas no indivíduo), quanto por extrínsecas (aspectos culturais e sociais), não sendo objetivo do presente estudo avaliar ou comparar a influência destes aspectos no relacionamento entre as variáveis.

Como todo empreendimento científico, o estudo em questão não está isento de limitações, principalmente ao considerar temáticas não comumente almejadas pelos indivíduos. Assim, pode-se citar como uma potencial limitação o uso exclusivo de medidas de autorrelato, que podem implicar na atribuição de respostas enviesadas, uma vez que a medida de perfeccionismo apresenta questões suscetíveis a interpretações influenciadas tanto pelo objetivo deliberado do respondente de falsear suas respostas de maneira proposital, quanto pela desejabilidade social, visto que são socialmente almejados indivíduos que se apresentam com autoestima elevada e seguro de suas capacidades (Soares, et al 2016).

Outra limitação potencial compreende a natureza da amostra, que é eminentemente de estudantes universitários selecionados por conveniência, aspecto que limita a generalização dos achados para a população geral, mas que é compartilhada com a maioria das pesquisas que ocorrem neste grupo amostral (Leonhardt et al., 2017; Lige et al., 2017). Ademais, identifica-se uma predominância no número de participantes do sexo feminino (63%) impedindo comparações entre os respondentes quanto a esta variável, mas em contrapartida este perfil assemelha-se aos dos grupos utilizados nas pesquisas iniciais sobre a temática (Clance & Imes, 1978). Deste modo, apesar das limitações apresentadas, os resultados da pesquisa estão em consonância com achados de outros pesquisadores e configuram-se como esforços iniciais de analisar o tema neste contexto.

Apesar da natureza empírica desta pesquisa, os resultados podem ser utilizados como base para propostas de intervenções voltadas para a promoção de saúde mental e bem-estar em diferentes contextos (e.g., pessoal, acadêmico e profissional), a exemplo da intervenção elaborada por Cisco (2019) para reduzir impostorismo em pós-graduandos, permitindo ampliar a prática para análise de fatores que envolvam o fortalecimento de níveis elevados de autoestima e em comportamentos perfeccionistas adaptativos, visando minimizar os efeitos do alto nível de impostorismo. Ademais, almeja-se que esta pesquisa seja tida como ponto de partida para estudos futuros que utilizem metodologias distintas (a exemplo do uso de medidas implícitas), repliquem a pesquisa em outras instituições ou amostras representativas da população brasileira e adicionem novos métodos de análise (e.g., estudos experimentais) que corroborem a relevância de se combinar o conhecimento das variáveis para promoção de saúde e bem-estar psicológica.

 

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Recebido em: 10/08/2019
Reformulado em: 19/07/2020
Aceito em: 25/07/2020

 

 

Notas

* Doutora em Psicologia Social (UFPB), Docente no curso de Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Psicometria e Psicologia Social (NPPPS).
** Graduado em Administração (UNIDERP), Especialista em Gestão de Pessoas (UNIDERP), graduando no curso de Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e membro do Núcleo de Pesquisa em Psicometria e Psicologia Social (NPPPS/UFMS).
*** Doutor em Psicologia Social (UFPB), Docente na Faculdade Santa Maria e membro do núcleo de pesquisa Bases Normativas do Comportamento Social (BNCS).

 

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