Estudos e Pesquisas em Psicologia
2021, Vol. 01. doi:10.12957/epp.2021.59362
ISSN 1808-4281 (online version)

 

EDITORIAL

 

Alice De Marchi Pereira de Souza**, I; Amana Mattos*, I; Ana Maria Jacó Vilela***, I; Anderson Pereira Mendonça**, I; Deise Maria Leal Fernandes Mendes*, I; Edna Lúcia Tinoco Ponciano**, I; Filipe Degani-Carneiro**, I; Heloisa Fernandes Caldas Ribeiro*, I; Jimena de Garay Hernández**, I; Laura Cristina de Toledo Quadros**, I; Luiz Fernando Tura****, II; Marcos Vinicius Brunhari**, I; Patrícia Lorena Quitério**, I; Rosana Lazaro Rapizo**, I; Vitor Castro Gomes**, I
I Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
II Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Endereço para correspondência

 

 

Caros leitores, caras leitoras, neste ano de 2021 nossa revista Estudos e Pesquisas em Psicologia completa 20 anos de existência. Este que deveria ser um momento de celebração e festa exige-nos, acima de tudo, reflexão. Passado mais de um ano do início da pandemia de Covid-19, o Brasil encontra-se em uma situação alarmante, em que o número de mortes pela doença cresce a cada dia e as políticas públicas para enfrentamento da pandemia e vacinação em massa não se articulam de maneira eficiente. O empobrecimento e sofrimento da maioria da população brasileira, especialmente de grupos mais vulneráveis, avança a passos largos. É justamente nesse contexto que temos visto a importância da produção científica nacional e de sua publicização. Assim, comemorar 20 anos da Estudos e Pesquisas em Psicologia neste momento significa afirmar a necessidade de investimentos públicos em pesquisa e periódicos científicos, que garantam a difusão nacional e internacional do conhecimento produzido no país.

Neste número, a sessão Psicologia Social traz artigos que abordam diferentes perspectivas da área. O artigo Produção de Subjetividade e Militância Política dos Jovens do Movimento Sem Terra no Semiárido Alagoano, de Jadielma de Barros Alves, Saulo Luders Fernandes e Marcos Ribeiro Mesquita, analisa, por meio de pesquisa cartográfica, os efeitos psicossociais da subjetivação política de jovens assentados/as do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e suas vivências da militância. Em Representações Sociais de Estudantes de Odontologia sobre o Atendimento em Clínica Odontopediátrica, as autoras Elâine Cristina Vargas Dadalto, Edinete Maria Rosa e Zeidi Araújo Trindade discutem as representações sociais das e dos participantes da pesquisa acerca do atendimento de crianças. No artigo Atuação do Psicólogo com Adolescentes que Cumprem Medida Socioeducativa: Uma Revisão Sistemática da Literatura, de Sara Peres Dornelles Almeida, Juliana da Rosa Marinho e Jana Gonçalves Zappe, as autoras apresentam revisão sistemática de literatura, realizada entre 2007 e 2018, que mapeou trabalhos sobre a atuação do psicólogo no contexto da socioeducação, e aponta caminhos para a atuação profissional nessas práticas. O artigo intitulado Preconceito e Identidade Patriótica face à Imigração de Médicos, de Clarissa Maria Dubeux Lopes Barros, Cícero Roberto Pereira e Ana Raquel Rosas Torres, por sua vez, tem como objetivo analisar o papel do preconceito e de fatores identitários na oposição à contratação de médicos estrangeiros no contexto do Programa Mais Médicos. Em Produzindo Corpos Trans: Cartografia pelo Território Virtual do YouTube em uma Perspectiva Pós-colonial, de Júlia Arruda da Fonseca Palmiere e Anita Guazzelli Bernardes, as autoras lançam mão de referenciais pós-coloniais da Psicologia Social e da Saúde, em diálogo com autores da filosofia africana, para investigar o uso da rede social YouTube para performar transições de gênero no contemporâneo. Fenômeno do Impostor e Perfeccionismo: Avaliando o Papel Mediador da Autoestima, de Ana Karla Silva Soares, Eduardo França do Nascimento e Thiago Medeiros Cavalcanti examina o papel mediador da autoestima na relação entre as dimensões do perfeccionismo (adaptativo e desadaptativo) e o fenômeno impostor, em uma pesquisa com estudantes universitários. O artigo Religiosidade e Espiritualidade no Processo de Luto de Pais cujos Filhos Morreram Crianças, de Cristine Gabrielle da Costa dos Reis, Alberto Manuel Quintana e Fernanda Nardino, discute o papel da religiosidade e da espiritualidade no processo de luto de pais cujos filhos morreram crianças, revelando a importância de se levar em conta os aspectos subjetivos junto às ferramentas que auxiliam o trabalho de luto. Em Representações Sociais sobre Feminismo em Brasileiros/as, Naiana Dapieve Patias, Tayná da Silva Ferreira, Icaro Bonamigo Gaspodini, Paula Andréa Prata-Ferreira e Clarissa Pinto Pizarro de Freitas analisam as representações sociais de feminismo e variáveis associadas em sujeitos brasileiros/as, e apontam a necessidade de que temas relacionados aos feminismos e liberdade da mulher sejam mais debatidos na sociedade. Já o artigo Atribuições dos Profissionais de Psicologia na Política de Adoção, de Leonam Amitaf Ferreira Pinto de Albuquerque, Noêmia Soares Barbosa Leal e Maria de Fátima Pereira Alberto, tem como objetivo analisar as normativas da política de adoção e as ações atribuídas por esses documentos aos profissionais de Psicologia da Vara da Infância e Juventude. Fechando a sessão, o artigo "Suicídio?! E Eu com Isso?": Representações Sociais de Suicídio em Comentários de Usuários do Facebook, de Lorena Schettino Lucas, Mariana Bonomo, Thais Assis Flauzino, Vanessa Valentim Zamborlini e Bruna Amorim Matos Ferreira, discute as representações sociais de suicídio entre usuários do Facebook por meio da análise dos comentários em notícias compartilhadas, apontando que a rede social funcionou como canal de expressão de afetos predominantemente negativos em relação ao tema por parte dos comentaristas.

A seção Psicologia do Desenvolvimento inicia com o artigo Mediação Parental na Exposição às Redes Sociais e a Internet de Crianças e Adolescentes, de Fernanda Tabasnik Schwartz e Janaína Thais Barbosa Pacheco, que apresenta e discute revisão bibliográfica sobre o uso das redes sociais e da internet na infância e na adolescência, assim como o impacto deste na parentalidade. Em Atividades Parentais na Família Monoparental Constituída pela Adoção, as autoras Carolina Monteiro Biasutti, Célia Regina Rangel Nascimento e Cláudia Patrocinio Pedroza Canal analisam, por meio de pesquisa qualitativa, como pais que passaram pelo processo de adoção monoparental desenvolvem, em sua rotina com os filhos, as atividades parentais de cuidado, controle e desenvolvimento. O artigo Atuação da Psicologia Escolar em Universidade: Diálogos com a Psicologia Comunitária, de Lígia Carvalho Libâneo e Lúcia Helena Cavasin Zabotto Pulino, dialoga aspectos históricos e teórico-metodológicos da psicologia escolar e da psicologia comunitária latino-americana, pensando as metodologias inventivas e participativas do psicólogo ligado às práticas de aprofundamento da consciência dos sujeitos da comunidade em relação ao seu modo de vida, bem como a imbricada relação entre transformação social, encontro e afeto. Em Relações entre Parentalidade e Funções Executivas: Uma Revisão Sistemática, de Wayson Maturana de Souza, Luiz Fellipe Dias da Rocha, Rafael Vera Cruz de Carvalho e Ana Carolina Monnerat Fioravanti, os autores apresentam revisão sistemática de literatura a respeito da produção científica (2008 a 2018) sobre a relação entre práticas parentais e funções executivas de crianças com desenvolvimento típico de zero a 13 anos. Já no artigo Trocas Afetivas Mãe-bebê: Revisão Integrativa da Literatura, Clarice Bieler e Deise Maria Leal Fernandes Mendes apresentam revisão integrativa de literatura acerca das trocas afetivas mãe-bebê, examinando características das publicações científicas nessa temática entre 2008 e 2018, em que apontam baixo número de publicações sobre o tema, predomínio de estudos transversais, em grandes centros urbanos, com crianças de zero a 36 meses.

Na seção Psicologia Clínica e Psicanálise, temos o artigo Política e Conflito Psíquico: Uma Pergunta sobre o Desejo, de Guilherme Pimentel Jordão e Mariana Teixeira Duarte, que propõe um debate sobre a condição do sujeito estruturalmente dividido enquanto ator político, por meio da psicanálise. O artigo Psicanálise e Acompanhamento Terapêutico: Quando a Cidade se Torna o Setting Analítico da Psicose, de Mariana Vieira Morais e Fuad Kyrillos Neto, por sua vez, discute como o Acompanhamento Terapêutico, presente nos serviços de saúde mental no Brasil, pode ser pensado em sua dimensão clínica, a partir da psicanálise, na escuta subjetiva da psicose.

A seção Clio-Psyché traz o artigo A Psicologia em Publicações Científicas: Um Estudo Histórico no Periódico "Ciência e Cultura" (1949-1969), escrito por Felipe Maciel dos Santos Souza, José Alberto Lechuga de Andrade Filho e Rodrigo Lopes Miranda.  Como dito inicialmente, a publicização é um dos aspectos relevantes da produção científica. Este artigo descreve e analisa produções (de 1949 a 1969) vinculadas à Psicologia, publicadas em um dos principais periódicos científicos brasileiros da época da regulamentação da formação e da profissão, o Ciência e Cultura, mostrando a importância desta publicização para o reconhecimento da disciplina.

Encerrando este número, temos a Comunicação de Pesquisa com o título Estilos de Aprendizagem em Situações de Uso de Tecnologias, de Rodrigo Hipólito Roza, apresenta a tese de doutorado do autor cujos estudos resultaram no desenvolvimento de um instrumento de avaliação e na proposição de um modelo de estilos de aprendizagem em situações de uso de tecnologias.

Desejamos uma boa leitura, saúde e vacina para todos e todas!

 

 

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Notas

* Professora Associada do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
** Professor/a Adjunto/a do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
*** Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
**** Pesquisador associado do Laboratório História, Saúde e Sociedade do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

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