Estudos e Pesquisas em Psicologia
2020, Vol. 02. doi:10.12957/epp.2020.50786
ISSN 1808-4281 (online version)

 

EDITORIAL

 

Amana Mattos**; Ana Maria Jacó Vilela*; Deise Maria Fernandes Mendes**; Heloisa Fernandes Caldas Ribeiro**; Jimena de Garay Hernández**; Laura Cristina de Toledo Quadros**; Patrícia Lorena Quitério**; Vanessa Barbosa Romera Leme**
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Endereço para correspondência

 

 

Temos a imensa satisfação de apresentar o segundo número da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia em 2020. Durante a pandemia da Covid-19, a equipe editorial continua trabalhando remotamente para garantir a saúde dos seus membros, a periodicidade da revista e a qualidade dos artigos, com pesquisas que contribuem com o avanço científico e ético da psicologia. Assim, o volume 20, número 2 da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia é composto por 16 artigos, sendo cinco em Psicologia Social, quatro em Psicologia do Desenvolvimento, três em Psicologia Clínica e Psicanálise e quatro na seção Clio-Psyché.

A seção Psicologia Social abre o volume com estudos que tratam de temas atuais de maneira crítica, como saúde mental e aspectos relacionados à mulher, como trabalho, maternidade e violência. O primeiro artigo, Saúde mental na Atenção Básica: Análise das práticas de apoio matricial na perspectiva de profissionais, de Larissa Moraes Moro, Guilherme Severo Ferreira, Kátia Bones Rocha, analisa os processos de trabalho em saúde mental na perspectiva de profissionais da Atenção Básica, estabelecendo aproximações e distanciamentos nas práticas desenvolvidas conforme a modalidade de apoio matricial. O segundo artigo, Mulheres no contexto de trabalho: Representações sociais a partir da orientação sexual, de Natalia Fernandes Teixeira Alves, Luciana Maria Maia, Luiza Barbosa Porto Lima, Luana Elayne Cunha de Souza, Iara Andrade de Oliveira, Ágatha Aila Amábili de Meneses Gomes,procura identificar os elementos que compõem as representações sociais de estudantes universitários sobre a participação de mulheres no contexto de trabalho, tendo em vista a orientação sexual dessas mulheres. O terceiro artigo, As representações sociais sobre a maternidade para mães em privação de liberdade, de Adriele Vieira de Lima Pinto, Maria da Penha de Lima Coutinho, Jaqueline Gomes Cavalcanti, Karla Costa Silva, investiga a vivência da maternidade para mães privadas de liberdade, a partir do aporte teórico das Representações Sociais. O quatro artigo, Diário de campo e a relação do(a) pesquisador(a) com o campo-tema na pesquisa-intervenção, de Renata Fischer da Silveira Kroeff, Póti Quartiero Gavillon, Laís Vargas Ramm, trata da relação do(a) pesquisador(a) com o campo-tema para refletir sobre o papel do uso de diários de campo na pesquisa-intervenção. Por fim, o último artigo Mulheres em situações de violência e os sentidos de liberdade: Relato de experiência em uma política pública, de Luciana da Silva Oliveira, faz um debate critico acerca do conceito de liberdade no contexto de mulheres em situações de violência, indo além ou mesmo contrapondo a noção de liberdade vigente no âmbito da ideologia liberal.

A seção de Psicologia do Desenvolvimento aborda estudos que destacam a identidade na adultez emergente, relações parentais em famílias binucleares, autismo e deficiência durante a infância. Inicia a seção com o artigo Eventos de vida e construção da identidade na adultez emergente, de Tuíla Maciel Felinto, Gustavo Gauer, Giulia Bodanese Rocha, Karen Cristina Rech Braun, Ana Cristina Garcia Dias, que investiga temáticas frequentes nos eventos de vida considerados importantes por jovens universitários. O segundo artigo, Relações entre coparentalidade, envolvimento parental e práticas parentais de pais e mães de famílias binucleares, de Fernanda Martins de Souza, Milena Carolina Fiorini, Maria Aparecida Crepaldi, analisa a relação entre coparentalidade, envolvimento parental e práticas parentais no contexto de pais e mães de famílias binucleares com crianças de três a seis anos. O terceiro artigo, Observação materna: Primeiros sinais do transtorno do espectro autista, de Bibiana Massem Homercher, Laís Smeha Peres, Liziane Falleiro dos Santos Arruda, Luciane Najar Smeha, aborda os primeiros sinais, observados por mães de bebês que, posteriormente, na fase da infância, foram diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista. O último artigo, Depressão em pais de crianças com deficiência física: Uma revisão da literatura de 2013 a 2018, de Diego Rodrigues Silva, Rogerio Lerner, Maria Cristina Machado Kupfer, discute a literatura acerca da depressão em pais de crianças com deficiência física nos últimos cinco anos.

A seção Psicologia Clínica e Psicanálise apresenta dois estudos sobre Freud e um sobre autismo. Em seu primeiro artigo, Pensamento interpretativo de Freud diante de uma estética da negatividade: Algumas notas para aproximação, de Thianne Lourena Cardoso Roque, Lívia Medeiros Ramos da Silva, Cleyton Sidney de Andrade, investiga como a concepção de interpretação da arte sustentada por uma estética da negatividade pode ser capaz de respaldar uma virada no pensamento interpretativo de Freud. O segundo artigo, A culpa na política brasileira atual: O que nos ensinam Freud e Hannah Arendt?, de Bianca Ferreira Rodrigues, Juliana Morganti, Ana Carolina Dias Silva, trata de reflexões sobre possíveis aproximações entre psicanálise e política a partir das considerações teóricas de Freud e Hannah Arendt, de modo a contribuir com a compreensão do cenário político brasileiro atual. Por fim, o artigo Sobre o que ressoa e faz eco: Voz, música e lalíngua no tratamento do autismo, de Beatriz Alves Viana, Kemylle Mesquita Brito, Luis Achilles Rodrigues Furtado, aborda a articulação entre os conceitos psicanalíticos de lalíngua e de voz, pensados a partir da clínica com sujeitos autistas.

Em 16 de novembro de 2019 completaram-se 30 anos do assassinato de Ignacio Martin- Baró (1942-1989), psicólogo e jesuíta espanhol que atuava em El Salvador. Vivendo e compreendendo a dramática desigualdade e opressão a que os salvadorenhos eram submetidos, situação que percebia como se repetindo nos países latino-americanos, Martin-Baró procurou entender teoricamente este fenômeno e propor alternativas para seu enfrentamento, o que gerou sua Psicologia da Libertação. Para rememorar esta fatídica data e tornar seu trabalho mais conhecido do público brasileiro, a seção Clio-Psyché está totalmente dedicada a ele, por meio de quatro artigos.

O primeiro deles, A "visão histórica da Psicologia Social" de Ignacio Martín-Baró, de Filipe Boechat, André Vieira e Bruno Passos Pizzi, apresenta os principais aspectos da interpretação historiográfica de Ignacio Martin-Baró, ainda pouco conhecida e discutida. O segundo artigo, Martín-Baró como inspiração ética para a construção de uma perspectiva comunitária e popular em psicologia, de Mariana Alves Gonçalves, explora as contribuições de um dos maiores autores da psicologia latino-americana, Ignacio Martín-Baró para a construção de uma perspectiva popular em psicologia. O terceiro artigo, A memória das comunidades eclesiais de base à luz da Psicologia da Libertação, de Pablo Pamplona e Carlos Eduardo Mendes, discute a relevância da reconstrução da memória política das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no contexto brasileiro a partir de um desdobramento teórico de sugestões práticas feitas por Ignacio Martín-Baró. O último artigo, Dialética do fatalismo: Do fatalismo dos indivíduos para o da ordem, de Pedro Henrique Antunes da Costa e Kíssila Teixeira Mendes, debate criticamente o conceito de fatalismo cunhado por Martín-Baró, à luz da realidade brasileira. Esperamos que estes artigos contribuam para a difusão de seu pensamento, ainda tão pouco presente entre nós.

Desejamos a todos uma boa leitura! Cuidem-se!

A Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia agradece seu interesse!

 

 

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Notas

* Professora Associada do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
** Professor/a Adjunto/a do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

 

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