Estudos e Pesquisas em Psicologia
2020, Vol. 02. doi:10.12957/epp.2020.52584
ISSN 1808-4281 (online version)

 

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

 

Relações entre Coparentalidade, Envolvimento Parental e Práticas Parentais de Pais e Mães de Famílias Binucleares

 

Fernanda Martins de Souza*; Milena Carolina Fiorini**; Maria Aparecida Crepaldi***
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Florianópolis, SC, Brasil
Endereço para correspondência

 

RESUMO

Este estudo investigou a relação entre coparentalidade, envolvimento parental e práticas parentais no contexto de pais e mães de famílias binucleares com crianças de três a seis anos. Foi realizado um levantamento de dados quantitativo e transversal com 45 participantes (24 mães e 21 pais). Foram constatados baixos escores na coparentalidade de pais e mães, principalmente nas dimensões acordo coparental, suporte e divisão do trabalho. Tanto pais quanto mães apresentaram bons níveis de envolvimento parental. Além disso, nem os baixos escores da coparentalidade e nem a alta sabotagem referida pelos pais influenciou o envolvimento paterno global. Baixos escores na divisão do trabalho da coparentalidade associaram-se ao maior envolvimento materno e ao exercício de práticas parentais negativas, tanto por parte de mães quanto de pais. Tais achados reforçam a necessidade de práticas de intervenção voltadas às famílias binucleares brasileiras, a fim de ajudá-las a promover relações saudáveis para a criança e para a família como um todo.

Palavras-chave: práticas de criação infantil, estilo parental, separação conjugal, coparentalidade, envolvimento parental.


 

Relations between Coparenting, Parental Involvement and Parental Practices of Binuclear Families

 

ABSTRACT

This study investigated the relationship between coparenting, parental involvement and parenting practices in the context of parents of binuclear families with children aged from 3 to 6 years. A quantitative and cross-sectional data survey was carried out, with 45 participants (24 mothers and 21 fathers). Low scores on father's and mother's coparenting were found, especially in the coparent's agreement, support and division of labor dimensions. Both parents showed good levels of parental involvement. Moreover, neither the low coparenting scores nor the high sabotage reported by parents influenced overall paternal involvement. Low scores on the coparenting division of labor were associated with increased maternal involvement and negative parenting practices by both mothers and fathers. These findings reinforce the need for intervention practices aimed at Brazilian binuclear families, in order to help them promote healthy relationships for the child and the family as a whole.

Keywords: childrearing practices, parenting style, marital separation, coparenting, parental involvement.


 

Relaciones entre Coparentalidad, Envolvimiento Parental y Prácticas de Padres y Madres de Familias Binucleares

 

RESUMEN

Este estudio investigó la relación entre coparentalidad, envolvimiento parentaly prácticas parentales en el contexto de padres y madres de familias binucleares con niños de 3 a 6 años. Se realizó una encuesta cuantitativa y transversal de datos, con 45 participantes brasileños (24 madres y 21 padres). Se encontraron puntajes bajos en la coparentalidad de padres y madres, especialmente en el acuerdo coparental, el apoyo y la división de las dimensiones laborales. Tanto los padres como las madres presentaron buenos niveles de envolvimiento parental. Además, ni los puntajes bajos de coparentalidad ni el alto sabotaje reportados por los padres influyeron en la participación paterna global. Los puntajes bajos en la división del trabajo de coparentalidad se asociaron con una mayor participación materna y prácticas negativas de crianza por parte de madres y padres. Estos hallazgos refuerzan la necesidad de prácticas de intervención dirigidas a familias binucleares brasileñas, para ayudarlas a promover relaciones saludables para el niño y la familia en general.

Palabras clave: prácticas de crianza de los hijos, estilo de crianza, separación matrimonial, coparentalidad, envolvimiento parental.


 

 

A criação dos filhos é uma tarefa complexa para as famílias, pois envolve a inter-relação dos subsistemas da conjugalidade, parentalidade e coparentalidade, que, por sua vez, estão intimamente associados às práticas e estilos parentais (Böing & Crepaldi, 2016). Mesmo após o divórcio, pais e mães precisam continuar desempenhando seus papéis parentais satisfatoriamente. Parte-se, então, do entendimento de que a separação reconfigura o sistema familiar, que passa a funcionar com dois lares compartilhados gerenciados por cada um dos progenitores. Continua, porém, sendo uma unidade após a dissolução da conjugalidade, passando a constituir uma família binuclear (Ahrons, 1994).

A coparentalidade caracteriza-se pelo envolvimento mútuo, conjunto e coordenado de dois cuidadores adultos nas funções de criação e cuidado da criança (Feinberg, 2003). Já as práticas parentais referem-se às estratégias de educação e socialização dos filhos (Kobarg, Vieira, & Vieira, 2010). O envolvimento parental inclui tanto aspectos diretos (cuidados básicos, lazer, brincadeiras, etc) quanto indiretos no cuidado dos filhos (lembrar e se preocupar com a criança quando não está com ela, etc.) (Lamb, Pleck, Charnov, & Levine, 1985). As práticas parentais são voltadas ao desenvolvimento de habilidades sociais e valores morais na criança, negociação das regras de convivência, responsabilidade, independência, disciplina e autonomia (Gomide, 2006).

O divórcio pode ser gerador de estresse e conflitos familiares, o que pode acarretar dificuldades acrescidas à tarefa de criar e manter uma aliança parental (Ahrons, 1994). O maior obstáculo enfrentado pelos ex-cônjuges é dar conta da tarefa de continuar o envolvimento parental e o compartilhamento dos cuidados com os filhos (Lamela, Figueiredo, & Bastos, 2010). Resultados de estudos demonstram baixos índices de coparentalidade entre pais e mães divorciados (Beckmeyer, Coleman, & Ganong, 2014; Lamela, Figueiredo, Bastos, & Feinberg, 2016; McGene & King, 2012). Além disso, pesquisas com famílias binucleares têm evidenciado que o conflito interparental é o elemento que exerce maior influência negativa na coparentalidade (Grzybowski & Wagner, 2010a; Lamela, Castro, & Figueiredo, 2010; Lamela, Figueiredo, & Bastos, 2013).

A coparentalidade positiva e cooperativa tem sido referenciada como um forte preditor do envolvimento paterno (Finzi-Dottan & Cohen, 2016; Schoppe-Sullivan, Brown, Cannon, Mangelsdorf, & Sokolowski, 2008; Souza, 2018). A literatura científica aponta, ainda, a presença de práticas parentais negativas no envolvimento parental de mães divorciadas (Grzybowski & Wagner, 2010b). Já quando a relação entre os pais separados é satisfatória, o envolvimento paterno tende a ser influenciado positivamente, especialmente nas práticas de disciplina dos filhos (Brito, Cardoso, & Oliveira, 2010; Grzybowski & Wagner, 2010b).

Outro resultado revelado pelas pesquisas é que após a separação as mães tendem a se envolver mais com os filhos do que os pais (Bossardi, 2015; Brito et al., 2010; Coyl-Shepherd & Newland, 2013; Gomes, 2015; Grzybowski & Wagner, 2010b; John, Halliburton, & Humphrey, 2013; Newland, Coyl-Shepherd, & Paquette, 2013; Paquette & Bigras, 2010). No entanto, alguns estudos mostram que as mães divorciadas estiveram mais envolvidas com disciplina, referiram mais práticas parentais negativas (como uso de gritos, palmadas, ameaças, etc.) e menor frequência de manifestação de afeto (Leme, Marturano, & Fontaine, 2010). Dentro desse contexto, cabe destacar a dimensão coparental "maternal gatekeeping", que sugere que o envolvimento paterno é influenciado pelo endossamento e apoio maternos (Fagan & Cherson, 2017; Petren, Ferraro, Davis, & Pasley, 2017; Russell, Beckmeyer, Coleman, & Ganong, 2016). O fato de o pai receber apoio da mãe da criança promove um elevado senso de competência paterna, mesmo com outros fatores presentes como o temperamento difícil da criança, por exemplo (Belsky, 1984; Lamb et al., 1985). Souza (2018) também destaca que os homens tendem a perceber sua parentalidade significativamente mais sabotada do que as esposas.

Os construtos coparentalidade, envolvimento parental e práticas parentais são de grande relevância para o entendimento das necessidades de famílias que passam pelo processo de separação. Partindo desse pressuposto, o objetivo deste estudo foi investigar a relação entre esses fenômenos com famílias binucleares. Com base nos pressupostos da literatura científica, as hipóteses deste estudo são: 1. Quanto menores os escores na divisão do trabalho coparental referidos pelas mães das famílias binucleares, maior é o envolvimento materno e mais elas exercem práticas parentais negativas; e 2. A coparentalidade de pais e mães de famílias binucleares é influenciada negativamente pelos baixos níveis de acordo sobre as práticas parentais e pelo baixo envolvimento paterno.

 

Método

Participantes

A amostra foi composta por 45 participantes (24 mães e 21 pais) de crianças com idades entre três e seis anos, com desenvolvimento típico. Os cuidadores tinham 18 anos completos ou mais quando do nascimento da criança, coabitaram com a criança e o(a) companheiro(a) na mesma casa por um período de tempo igual ou maior do que seis meses e estavam separados há pelo menos seis meses.

Procedimentos e Aspectos Éticos

Essa pesquisa, quantitativa e transversal, se insere num projeto amplo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC (CEPSH/UFSC) sob o parecer consubstanciado de nº 1.514.798. O estudo atendeu às especificações da resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE firmou o compromisso das pesquisadoras para com o respeito ao anonimato e à voluntariedade dos participantes, bem como ao direito de desistência em qualquer etapa. A coleta de dados foi virtual e ocorreu entre maio de 2017 e janeiro de 2018. Os instrumentos foram disponibilizados em formulário online e autoaplicável.

Instrumentos

Questionário Sociodemográfico (QS). Instrumento desenvolvido pelos pesquisadores, incluindo dados dos pais e mães, do(s) filhos e do processo de divórcio.

Escala da Relação Coparental (ERC – Coparenting Relationship Scale/ CRS - Feinberg, Brown, & Kan, 2012). Composta por 35 itens e quatro domínios teóricos, divididos em sete subescalas: Acordo ou desacordo coparental; que se refere ao nível de concordância entre as figuras parentais, sobre os assuntos relativos à criança; Divisão do trabalho, que envolve tarefas e responsabilidades rotineiras dos pais referentes à criança; Suporte/sabotagem com as três subescalas: apoio coparental, reconhecimento da parentalidade do parceiro e sabotagem coparental, que indicam a capacidade da díade parental de exercer uma postura de suporte mútuo; e Administração conjunta das interações familiares com as subescalas exposição a conflitos e proximidade coparental, que dizem respeito à divisão da liderança nos cuidados e da educação da criança, e às fronteiras estabelecidas com as famílias extensas. A versão da ERC utilizada no estudo é uma adaptação transcultural brasileira (Carvalho et al., 2018). Nessa versão, substituiu-se o termo "companheiro (a)" por "ex-companheiro (a)" para aplicação com pais e mães de famílias binucleares (Lamela et al., 2016).

Inventário de Práticas Parentais (Child Rearing Practices ReportCRPR). Desenvolvido inicialmente Block (1965), validado por Rickel e Biasatti (1982) nos Estados Unidos e por Dekovic, Janssens e Gerris (1991) na Holanda. A versão utilizada neste estudo foi adaptada transculturalmente e validada no contexto sul-brasileiro (Valadão, 2018), com 35 itens que compõem os perfis de práticas educativas: o Perfil Autoritário representa controle autoritário, supervisão da criança e indução e controle da ansiedade; o Perfil Autoritativo indica orientação consistente, estimulação e encorajamento à autonomia, liberdade e expressão de afeto.

Questionário de Engajamento Paterno/Parental (QEP). Desenvolvido pela equipe ProsPère, sediada no Canadá (Paquette, Bolte´c, Turcotte, Dubeau, & Bouchard, 2000). O instrumento original é composto por 56 itens distribuídos nas dimensões: Suporte emocional, referente a gestos e palavras que tranquilizam e encorajam a criança; Abertura ao Mundo, reflete o incentivo à criança para explorar o ambiente; Cuidados Básicos se refere a fornecer cuidados essenciais à sobrevivência; Jogos Físicos, diz respeito a interagir com a criança fisicamente por meio de gestos e brincadeiras; Disciplina remete às ações de controle de comportamentos; e Tarefas de Casa compreende as atividades com a casa em geral. A versão utilizada nesse estudo passou por adaptação transcultural e validação para o contexto brasileiro com famílias biparentais, culminando no total de 36 itens, divididos em cinco dimensões visto que Cuidados Básicos e Tarefas de Casa se mostraram unidimensional, assim como Jogos Físicos e Abertura ao Mundo (Bossardi et al., 2019).

Análise de Dados

Para operacionalização das análises, foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS versão 22.0). Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e foi empregada a análise estatística inferencial para avaliar o grau de relação entre as variáveis. Com a finalidade de verificar a associação entre variáveis categóricas (sociodemográficas), foi utilizado o teste Qui-quadrado de independência (χ²). Quanto à análise da distribuição de normalidade dos dados, foi empregado o teste Kolmogorov-Smirnov para um conjunto de dados, que apontou normalidade apenas para uma situação de análise, referente à coparentalidade e às práticas parentais (p > 0,05), não indicando normalidade para todas as outras análises (p < 0,01). Ao considerar isso e também o fato de que o tamanho da amostra foi relativamente pequeno (N=45), optou-se pela estatística não-paramétrica. O teste Mann-Whitney para amostras independentes foi adotado para as três variáveis. Em seguida, com objetivo de analisar a relação entre as variáveis contínuas do estudo, foram realizadas análises de correlação bivariadas a partir do coeficiente de correlação Rho de Sperman com nível de significância de 5%.

 

Resultados

A amostra foi composta por 24 mães (53,3%) e 21 pais (46,7%), residentes em 12 estados do Brasil, com prevalência das regiões sul e sudeste (84,4%). O sexo da criança focal ficou dividido entre 23 meninas (51,1%) e 22 meninos (48,9%). A maioria dos participantes se autodeclarou de etnia/cor branca (84,4%), com ensino superior completo ou pós-graduação (totalizando 64,4%), renda mensal por residência concentrada em duas principais faixas "acima de R$ 7.501,00" (31,1%) e "entre R$1.001,00 e R$1.500,00" (15,6%) e referiram período de tempo entre um ano e três anos decorridos da separação/divórcio (66,7%).

O teste Qui-quadrado demonstrou associação estatisticamente significativa entre as respostas de pais e mães e o tipo de guarda, ou seja, as mães estiveram associadas à guarda unilateral, em que elas moram com a criança, enquanto que os pais estiveram associados à guarda unilateral em que a criança mora com a mãe χ² (2, N = 45) = 24.74, p < 0,01. Para todas as demais variáveis sociodemográficas, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as respostas de pais e mães.

No que diz respeito à coparentalidade, pais e mães avaliaram a relação coparental global com seus(as) ex-companheiros(as) de maneira negativa, ambos com média global abaixo da média da escala. Além disso, o Teste U de Mann-Whitney para os escores da coparentalidade global não encontrou diferença estatisticamente significativa (U = 223,5, p > 0,05) entre os grupos de mães (M = 2,17, Mdn = 2,11, DP = 0,61) e pais (M = 2,23 e Mdn = 2,22, DP = 0,49).

O fator positivo da coparentalidade "divisão do trabalho" foi o único em que ambos os grupos, pais e mães, apresentaram escores pouco acima da média da escala. Com exceção da divisão do trabalho, as mães apresentaram escores acima da média da escala somente no "acordo coparental", enquanto os pais somente na "sabotagem coparental". Vale destacar os baixos escores que ambos apresentaram no "suporte coparental". As mães referiram significativamente maior acordo (U = 162,5; p < 0,05), mais proximidade (U = 160,5; p < 0,05) e receberem mais suporte (U = 166,5; p < 0,05) na relação coparental com seus ex-companheiros do que os pais em relação às ex-companheiras. Na percepção de pais e mães, o fator negativo "sabotagem coparental" apresentou diferença estatisticamente significativa entre eles (U = 92,5; p < 0,01). Os pais perceberam mais sabotagem coparental por parte de suas ex-companheiras do que as mães com relação aos seus ex-companheiros.

Quando ambos os grupos da amostra, tanto os pais quanto as mães, perceberam maior presença de acordo e suporte na relação coparental e reconheceram mais positivamente a parentalidade do(a) ex-companheiro(a), apresentaram maiores escores de coparentalidade global. Por outro lado, quanto mais referiram sabotagem na relação coparental, relataram menor proximidade e menos suporte coparental. Além disso, quanto mais suporte as mães perceberam na relação coparental com seus ex-companheiros, melhores escores elas apresentaram no acordo sobre as práticas parentais, referiram maior proximidade e menos conflito coparental. Por outro lado, quanto mais as mães perceberam sabotagem na relação coparental, relataram menos acordo coparental e maior presença de conflito.

As mães reconheceram mais positivamente a parentalidade do ex-companheiro quando perceberam maior acordo coparental, divisão mais justa do trabalho na criação do(a) filho(a), maior suporte coparental e menor presença de conflito coparental. A coparentalidade global das mães também se apresentou mais positiva quando referiram melhores escores na divisão do trabalho e na proximidade coparental. Já os pais reconheceram mais positivamente a parentalidade de suas ex-companheiras quando referiram menos práticas de sabotagem por parte delas. Complementarmente, quando eles se sentiram mais apoiados na relação coparental (suporte), relataram uma divisão do trabalho mais justa entre a díade coparental no cuidado com o(a) filho(a).

Referente ao envolvimento parental, pais e mães apresentaram escores elevados tanto no envolvimento parental global (M = 5,21, Mdn = 5,12 e DP = 0,37 para as mães, M = 4,62, Mdn = 4,21 e DP = 0,95 para os pais), quanto nas dimensões deste. Ao considerar as medianas, as mães apresentaram escores mais elevados nas dimensões "suporte emocional", "evocações" e "cuidados diretos e indiretos", e escores menores na dimensão "jogos físicos e abertura ao mundo". Os pais apresentaram escores maiores nas dimensões "suporte emocional" e "evocações" e escores menores em "disciplina". As mães se envolveram significativamente mais com os(as) filhos(as) do que os pais, tanto no envolvimento global (U = 150,5, p < 0,05) quanto em disciplina (U = 167,5, p < 0,05) e em cuidados diretos e indiretos (U = 103, p < 0,01).

O envolvimento materno apresentou-se mais fortemente correlacionado aos cuidados diretos e indiretos, denotando que quanto mais as mães se envolvem nessas tarefas mais positivo é o envolvimento materno global. Já o envolvimento paterno, correlacionou-se fortemente com a dimensão de jogos físicos e abertura ao mundo, que, por sua vez, apresentou correlações fortes com o suporte emocional e os cuidados diretos e indiretos.

Em relação às práticas parentais, ambos os grupos indicaram escores acima da média da escala em "controle por indução de ansiedade" e escores próximos à média da escala em "comportamento autoritário" e "restrição", que são práticas parentais relacionadas ao perfil Autoritário. Em contrapartida, mães e pais apresentaram escores elevados em "conduta democrática", "orientação constante" e "estimulação e encorajamento da autonomia", acima da média da escala. Tais práticas são características do perfil Autoritativo.

Quando as mães referiram supervisionar mais os(as) filhos(as), elas também exerceram práticas de estimulação e encorajamento à autonomia (ρ = 0,62, p < 0,01) (ambos fatores positivos constituintes de um perfil Autoritativo de práticas parentais). Quando orientaram a criança de maneira constante e adequada, menos elas referiram recorrer a práticas de restrição (ρ = - 0,52, p < 0,01) (fator negativo constituinte do perfil Autoritário). Quanto mais os pais referiram praticar orientação constante, mais exerceram conduta democrática (ρ = 0,64, p < 0,01) e práticas de estimulação e encorajamento à autonomia (ρ = 0,46, p < 0,05) (ambos fatores positivos constituintes de um perfil Autoritativo de práticas parentais). Por outro lado, os pais que mais referiram se utilizar de comportamento autoritário também exerceram mais práticas parentais de restrição para com as crianças (ρ = 0,48, p < 0,05) (ambos fatores negativo constituintes do perfil Autoritário).

A Tabela 1 mostra que todas as dimensões da coparentalidade estiveram correlacionadas às dimensões do envolvimento materno, o que denota que as mães que referiram maior presença de conflito coparental se mostraram mais envolvidas no cuidado direto e indireto, no suporte emocional e no envolvimento materno global com suas crianças.

 


Nota. ERC = Fatores da Coparentalidade; QEP = Fatores do Envolvimento Parental; CRPR = Fatores das Práticas Parentais; QEP Mães = Envolvimento Materno Global; Rec. Paren. Outro ERC = Reconhecimento da Parentalidade do Outro ERC; Comp. Autoritário CRPR = Comportamento Autoritário CRPR; Cuid. Dire. Indir. QEP = Cuidados Diretos e Indiretos QEP; Confl. Cop. ERC = Conflito Coparental ERC; Sup. Emoc. QEP = Suporte Emocional QEP; Sabot. Cop. ERC = Sabotagem Coparental ERC; Supor. Cop. ERC = Suporte Coparental ERC; *p < .05. **p < .01.

 

A dimensão sabotagem coparental apresentou correlação positiva e moderada com suporte emocional e com envolvimento materno global. Isso indica que quando as mães perceberam mais sabotagem na relação coparental com seus ex-companheiros, mais elas se envolveram no suporte emocional da criança e no envolvimento materno global. O envolvimento materno global também se mostrou moderada e negativamente relacionado à dimensão de suporte coparental e reconhecimento da parentalidade do outro.

Quando as mães referiram perceber menos suporte na relação coparental e apresentaram pouco reconhecimento da parentalidade do ex-companheiro, mais envolvidas com a criança elas se mostraram. O suporte coparental também esteve negativa e moderadamente relacionado à dimensão disciplina do envolvimento materno. A divisão do trabalho foi a única dimensão da coparentalidade que apresentou correlação com as práticas parentais das mães, sendo tal correlação negativa e moderada com comportamento autoritário, um dos fatores negativos das práticas parentais. No que se refere à relação entre o envolvimento materno e as práticas parentais maternas, a dimensão de suporte emocional do envolvimento mostrou correlação negativa e moderada ao comportamento autoritário e correlação positiva e moderada à supervisão da criança, à orientação constante e à estimulação e ao encorajamento à autonomia.

A Tabela 2 mostra que a dimensão divisão do trabalho mostrou-se negativa e moderadamente correlacionada aos cuidados diretos e indiretos e ao suporte emocional. Ou seja, quando os pais apresentaram escores mais baixos na divisão do trabalho na relação coparental com suas ex-companheiras, eles também referiram se envolver mais com os cuidados diretos e indiretos e com o suporte emocional à criança.

 


Nota. ERC = Fatores da Coparentalidade; QEP = Fatores do Envolvimento Parental; CRPR = Fatores das Práticas Parentais; Acordo Cop. ERC = Acordo Coparental ERC; Contr. Induç. ansied. CRPR = Controle por Indução de Ansiedade CRPR; Divisão Trab. ERC = Divisão do Trabalho ERC; ERC Global Pais = Coparentalidade Global dos Pais; Cuid. Dire. Indir. QEP = Cuidados Diretos e Indiretos QEP; Sup. Emoc. QEP = Suporte Emocional QEP; Jogos Fís. Abert. M. QEP = Jogos Físicos e Abertura ao Mundo QEP; Estim. Encor. Auton. CRPR = Estimulação e Encorajamento à Autonomia CRPR; Liber. Exp. Auton. CRPR = Liberdade de Expressão de Autonomia CRPR; QEP Pais = Envolvimento Paterno Global; *p < .05. **p < .01.

 

Assim como no caso das mães, a coparentalidade prejudicada dos pais também esteve relacionada com práticas parentais negativas, porém por meio de dimensões coparentais diferentes. Baixos níveis de acordo coparental estiveram relacionados a um maior relato dos pais de comportamento autoritário para com os filhos. Além disso, escores menores tanto na coparentalidade global dos pais quanto na dimensão de divisão do trabalho estiveram relacionados ao exercício de práticas de indução por controle de ansiedade.

 

Discussão

A partir desse conjunto de achados, confirma-se a Hipótese 1 deste estudo (quanto menores os escores na divisão do trabalho coparental referidos pelas mães das famílias binucleares, maior é o envolvimento materno e mais elas exercem práticas parentais negativas).A literatura aponta um processo de sobrecarga e estresse parental das mães, porém se os resultados aqui descritos mostraram que baixos escores na divisão do trabalho coparental influenciaram o modo como ambos, tanto as mães quanto os pais, se envolveram com os (as) filhos (as), pode-se hipotetizar que o envolvimento parental nessas famílias funcione como um meio de "compensação" utilizado pelos pais e mães no contexto em que a díade coparental não está conseguindo coordenar o trabalho parental de maneira eficaz e nem garantir uma coparentalidade de qualidade.

Já a hipótese 2 (a coparentalidade de pais e mães de famílias binucleares é influenciada negativamente pelos baixos níveis de acordo sobre as práticas parentais e pelo baixo envolvimento paterno), foi parcialmente confirmada. Para essa amostra, não foi possível inferir que os pais tiveram baixo envolvimento paterno e nem que a coparentalidade foi influenciada negativamente pelo baixo envolvimento paterno. A proposição hipotética foi confirmada somente no que se refere à coparentalidade ter sido influenciada negativamente pelos baixos níveis de acordo sobre as práticas parentais apresentados pelos pais e mães. Porém, esse mecanismo não se deu por meio de conflito ou de sabotagem conforme havia sido levantado.

Um fator que merece destaque foi que a coparentalidade dos pais e mães participantes da pesquisa se mostrou negativa, de acordo com apontamentos de outras investigações (Beckmeyer et al., 2014; Lamela et al., 2016; McGene & King, 2012). Sob o ponto de vista desenvolvimentista, esse resultado é considerado preocupante, pois uma relação coparental cooperativa tem sido apontada como um mecanismo de proteção cumulativo para a família, na medida em que está associada a elevados níveis de bem-estar psicológico parental, baixa pontuação de práticas parentais inconsistentes, altos níveis de funcionamento da família e baixos níveis de afeto negativo (Lamela et al., 2016). Sugere-se futuras investigações com amostra maior no contexto brasileiro, principalmente porque a coparentalidade prejudicada tem sido associada a indicadores negativos de ajustamento psicológico dos pais e mães após o divórcio/separação (Lamela et al., 2013).

No que concerne ao envolvimento parental nas famílias nucleares, a forma com que pais e mães se envolveram com as crianças foi diferente, coerentemente com a literatura (Coyl-Shepherd & Newland, 2013; John & Humphrey, 2013; Newland et al., 2013; Paquette & Bigras, 2010). As mães se envolveram mais com cuidados diretos e indiretos e essa também foi a dimensão que esteve mais fortemente correlacionada ao envolvimento materno global, denotando que quanto mais as mães se envolveram nessas tarefas mais positivo foi o envolvimento materno global. Já no caso dos pais, foram os jogos físicos e a abertura ao mundo que figuraram como a característica mais relevante para o envolvimento paterno da amostra, pois quanto mais os pais referiram se envolver em jogos físicos e abertura ao mundo com seus filhos, mais eles prestaram suporte emocional à criança, mais estiveram envolvidos com os cuidados diretos e indiretos e apresentaram maiores escores no envolvimento paterno global.

Considera-se que as diferenças no envolvimento materno e paterno estão intimamente relacionadas às questões de gênero que, através de interações socioculturais, demarcam a maneira como se aprende a ser pai e a ser mãe (Palkovitz, Trask, & Adamsons, 2014). Contudo, cabe destacar a média elevada em suporte emocional referida pelos pais, sem diferença estatisticamente significativa das mães, contrariando pesquisas que indicaram maior envolvimento materno no suporte emocional das crianças (Grzybowski & Wagner, 2010b). O suporte emocional comumente está relacionado à mãe também por questões de gênero socioculturalmente aprendidas, estereotipadas e reproduzidas ao longo de várias gerações (Palkovitz et al., 2014). Portanto, o fato de os pais estarem se mostrando mais envolvidos no suporte emocional representa uma mudança recente no exercício da paternidade, denotando um novo perfil emergente de envolvimento paterno (Cabrera & Bradley, 2012).

No caso das mães, quanto mais suporte coparental relataram receber de seus ex-companheiros, mais referiram acordo sobre as práticas parentais, proximidade coparental e menos conflito coparental. Por outro lado, diante da falta de suporte, elas reconheceram mais negativamente a parentalidade do ex-companheiro e estiveram mais envolvidas com a criança principalmente em relação à disciplina. Quando as mães perceberam a divisão trabalho coparental como injusta, elas apresentaram escores mais elevados em comportamento autoritário com seus filhos e investiram menos em suporte emocional às crianças (Grzybowski & Wagner, 2010b; Leme et al., 2010).

Via de regra, como previsto na literatura (Bossardi, 2015; Gomes, 2015; Grzybowski & Wagner, 2010b; Coyl-Shepherd & Newland, 2013), as mães se envolveram significativamente mais com os (as) filhos (as) do que os pais, e também especificamente em disciplina e cuidados diretos e indiretos. Em síntese, no caso das mães das famílias binucleares da amostra pode-se inferir que, diante dos baixos escores em suporte coparental e na divisão do trabalho coparental elas estiveram ainda mais envolvidas para com os (as) filhos (as), tenderam a investir ainda mais em disciplina e menos em suporte emocional e tenderam a exercer mais comportamentos autoritários nas práticas parentais com as crianças, coerente com a teoria (Belsky, 1984).

As mães que referiram mais conflito coparental com exposição da criança, por sua vez, investiram mais em suporte emocional. Na literatura sobre famílias binucleares, diversos estudos têm explorado a coparentalidade conflituosa (Maccoby, Depner, & Mnookin, 1990) e seus efeitos negativos sobre desfechos psicológicos dos pais (Lamela et al., 2013), na satisfação de vida dos pais e nas práticas parentais inconsistentes (Lamela et al., 2016). Entretanto, seja com altos níveis de conflito ou não, os resultados do presente estudo corroboram com o que a literatura tem apontado: essa desigualdade no envolvimento parental, na divisão do trabalho de criação dos (as) filhos (as), e na responsabilidade pelas práticas parentais educativas acarreta um processo de superfuncionamento e sobrecarga das mães no papel parental, o que é gerador de grande desgaste emocional para elas (Brito et al., 2010; Grzybowski & Wagner, 2010a) e interfere na qualidade da parentalidade (Grzybowski & Wagner, 2010b; Leme et al., 2010).

A divisão do trabalho esteve relacionada ao envolvimento parental global somente das mães. Entretanto, quando os pais perceberam a divisão do trabalho coparental como injusta, eles tenderam a estar mais envolvidos com os (as) filhos (as) em cuidados diretos e indiretos e suporte emocional, e também tenderam a exercer práticas parentais mais negativas, tais como comportamento autoritário e controle por indução de ansiedade. Diante desse achado, constatou-se que a divisão do trabalho prejudicada trouxe repercussões para o exercício da parentalidade tanto dos pais quanto das mães aqui estudados.

Ainda que tenham mostrado bons escores de envolvimento, os pais relataram que sua parentalidade foi significativamente mais sabotada na relação coparental com suas ex-companheiras do que as mães referentes aos ex-companheiros. Ademais, vale destacar que os pais referiram significativamente menos acordo e proximidade na relação coparental e receberam menos suporte de suas ex-companheiras, quando comparados às respostas das mães sobre os ex-companheiros. O perfil de coparentalidade sabotadora apontado por Lamela et al. (2016) descreve pais e mães com baixos níveis de concordância/apoio, de divisão de trabalho e de exposição a conflitos e pontuações elevadas de sabotagem. Esse resultado se mostra semelhante ao da relação coparental entre os pais da presente amostra e suas ex-companheiras. Portanto, torna-se compreensível o fato de os pais avaliarem mais negativamente os aspectos citados.

Em coerência com outras investigações (Jia & Schoppe-Sullivan, 2011; Souza, 2018), quanto mais os pais se envolveram com atividades de cuidado da criança, mais foram observados comportamentos de sabotagem coparental e menos suporte coparental entre o casal.

Os pais reconheceram mais positivamente a parentalidade de suas ex-companheiras quando referiram menos práticas de sabotagem por parte delas sobre a parentalidade deles. Complementarmente, quando os pais se sentiram mais apoiados na relação coparental (suporte), relataram uma divisão do trabalho mais justa entre a díade coparental no cuidado com os (as) filhos (as). Esse resultado é consoante com outras pesquisas, indicando que a satisfação com o divórcio, satisfação com o pai e reconhecimento da importância do pai e percepção de capacidade parental paterna foram positivamente relacionados com o apoio por parte das mães à parentalidade dos ex-companheiros (Petren, et al., 2017; Russell et al., 2016). Isso reforça a importância de também dedicar futuras investigações para avaliar especificamente a função de maternal gatekeeping, pois a percepção das mães sobre os pais figura como um fator ligado à qualidade da coparentalidade.

 

Considerações Finais

Este estudo teve como objetivo investigar a relação entre coparentalidade, envolvimento parental e práticas parentais de pais e mães de famílias binucleares. Ao analisar os fenômenos investigados de forma isolada, poder-se ia considerar que os altos indicadores de envolvimento parental nesse contexto das famílias binucleares figuram como fatores protetivos ao desenvolvimento das crianças e das famílias. Porém, é necessário reconhecer que o envolvimento parental está conectado com outras variáveis para além da coparentalidade. Conforme os resultados, quando a coparentalidade se mostra prejudicada pode interferir na qualidade do envolvimento e das práticas parentais.

Cabe reconhecer algumas limitações da presente pesquisa. Ainda que a coleta de dados tenha sido em modalidade online, que pode conferir uma impessoalidade maior ao processo, e embora todos os instrumentos utilizados tenham passado por processo de análise de confiabilidade, adaptação e validação no contexto brasileiro, faz-se necessário considerar vieses e tendenciosidades comuns e inerentes às pesquisas de autorrelato. Por exemplo, é possível que os pais e mães que se disponibilizaram a responder à pesquisa sejam parte de uma parcela específica de pais e mães com ótimo envolvimento parental. Além disso, não foi controlado se os pais e mães eram de díades coparentais diferentes.

Outra limitação foi o número pequeno de participantes da amostra, embora a pesquisa tenha sido disponibilizada e divulgada continuamente por aproximadamente cinco meses. Aventa-se a possibilidade de que esse número reduzido de participantes tenha interferido no comportamento dos dados nas análises de correlações e, consequentemente, na testagem das hipóteses, pois foram observadas algumas tendências a correlações que talvez uma amostra maior tornaria possível verificar com maior confiabilidade. As variáveis sociodemográficas não estiveram associadas às variáveis de interesse, porém sugere-se que estudos futuros explorem essa relação mais detalhadamente em uma amostra maior.

No que concerne às contribuições deste estudo, ficou evidente que a coparentalidade mostrou-se negativa na grande maioria dos pais e mães divorciados/separados da amostra. Tal coparentalidade prejudicada parece ter estado mais relacionada às dimensões de acordo, suporte e divisão do trabalho coparental. Nem a coparentalidade negativa e nem a alta sabotagem coparental implicaram em baixo envolvimento paterno. A coparentalidade negativa parece estar mais relacionada à forma com que os pais e mães investiram mais ou menos em determinados âmbitos do envolvimento do que com o quanto eles se envolveram globalmente com as crianças. Sugere-se, portanto, que futuras pesquisas investiguem se essa coparentalidade prejudicada é de fato comum entre as famílias binucleares brasileiras, e de que maneira ela pode impactar no desenvolvimento dos pais, das mães e das crianças.

Faz-se importante ressaltar que os resultados aqui relatados mostram a dificuldade de parte dos pais e mães das famílias binucleares em manter uma relação coparental de qualidade após o divórcio. A exploração do recorte dessa realidade reforça a necessidade de práticas e programas de intervenção voltados para essas famílias, a fim de ajudá-los a promover relações mais saudáveis que beneficiem o desenvolvimento das crianças e da família como um todo.

Indica-se, ainda, a investigação especificamente sobre arranjos de guarda e a coparentalidade no contexto brasileiro. Vale destacar, em conformidade à Lei n. 13.058 de 2014 que favorece a guarda compartilhada, a relevância de programas de intervenção junto aos pais e mães para que, caso a guarda compartilhada se mostre mais adequada para as famílias, ela constitua uma configuração promotora e fortalecedora da relação coparental sadia após a separação.

 

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Recebido em: 18/09/2019
Reformulado em: 30/03/2020
Aceito em: 08/04/2020

 

 

Notas

* Psicóloga; mestra em psicologia e especialista em Saúde em Alta Complexidade (UFSC); especialista em Terapia Relacional Sistêmica (Familiare Instituto Sistêmico).
** Psicóloga; doutoranda e mestra em Psicologia (UFSC); especialista em Terapia Relacional Sistêmica (Familiare Instituto Sistêmico).
*** Psicóloga; mestre em psicologia (PUC-RJ) doutora em Saúde Mental (UNICAMP); especialista em Psicologia Clínica Infantil (Hospital das Clínicas da FMRP-USP) e em Terapia Familiar e de Casal (Instituto de Terapia Familiar de São Paulo – ITF); e professora voluntária do Programa de pós-graduação em Psicologia da UFSC.

 

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