EDITORIAL

 

Adriana Benevides Soares*; Alexandra Cleopatre Tsallis**; Deise Maria Fernandes Mendes**; Renata Patrcia Forain de Valentim**; Rita Maria Manso de Barros*

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Endereço para correspondência

 

 

Dossiê Psicanálise
A psicanálise e a clínica do mal-estar na contemporaneidade

 

Desde a criação de um Departamento de Psicanálise na Universidade de Paris, por Jacques Lacan, na década de 1970, a Psicanálise tem sido matéria ministrada em diversos cursos de Graduação. Sua presença na Universidade foi assumindo tal grau de importância que foram sendo criados, no Brasil, Programas de Pós-Graduação voltados para esta área específica, como o pioneiro Programa de Teoria Psicanalítica da UFRJ, com mais de vinte e cinco anos, e o nosso Programa de Pesquisa e Clínica em Psicanálise da UERJ, que completou quinze anos em 2014.

Além disso, a psicanálise é uma teoria de destaque em linhas de pesquisa de diferentes departamentos dos Programas de Psicologia de várias Universidades brasileiras. Nas Universidades da América do Sul e América Latina não é diferente. Há um grande número de Programas de Pós-graduação que incluem a Psicanálise como disciplina ou que fazem dela seu carro-chefe. Em inúmeros encontros que tivemos com professores de outros países como Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Venezuela, México, fomos estabelecendo fortes laços de trabalho e fomentamos diferentes interesses comuns de pesquisa e trocas teóricas.

Já existe entre os psicanalistas latino-americanos uma intensa troca de conhecimento e produção de saber que se realiza através de publicações, sejam revistas especializadas ou livros, que constituem fonte de constante intercâmbio. Nós, professores e pesquisadores do Programa de pós-graduação em Psicanálise da UERJ, realizamos em 2011 o I Congresso Latino-americano da Psicanálise na Universidade, estreitando cada vez mais os laços de pesquisa e de produção de conhecimento com os pesquisadores de outros estados brasileiros e com países da América Latina, no que pese o atual empenho de forças políticas no desmanche da universidade pública.

No âmbito da psicanálise na Universidade, cabe ressaltar que a América Latina se destaca no cenário mundial e vem apresentando diante do mundo uma posição de vanguarda que tem sido elogiada pelos psicanalistas e historiadores que retraçam a história da psicanálise e de suas inserções institucionais. O Brasil tem encabeçado a lista dos países com maior ênfase na pesquisa psicanalítica no âmbito universitário e tal destaque tem sido fonte do interesse dos psicanalistas europeus mais conhecidos.

A importância da presença da psicanálise na universidade não poderia ser maior, pois permite o enriquecimento conjunto de sua disciplina assim como o confronto com outras áreas do saber que, como sabemos, constituem uma fonte de constante questionamento e reflexão para os psicanalistas. Desde Freud, que estimulava a presença da psicanálise como um fator salutar não só para ela como para as outras áreas do conhecimento humano, até chegarmos à produção de Lacan, final que foi o primeiro a conceber um departamento universitário psicanalítico, a psicanálise é um saber que, por sua própria estrutura, se caracteriza pela necessidade de ser atravessado pelas diferentes conquistas do conhecimento humano. E a Universidade, pelo terreno propício que cria para o ensino e a pesquisa, além do confronto com outras disciplinas, é o lugar mais indicado para que essa característica seja elevada a sua maior potência articulatória.

Não obstante todo esse movimento, que certamente aponta para os avanços que o diálogo nas Universidades proporciona ao campo específico da psicanálise, observa-se nos dias de hoje um inquietante fenômeno, denunciado em diferentes ambientes habitados também por psicanalistas, qual seja, a proposta de uma psicanálise desenvolvida por instituições religiosas, na contramão do que Freud explicitou enfaticamente, de que a psicanálise é, por natureza, absolutamente leiga. O dossiê que ora vem a público, de textos selecionados sobre o trabalho da psicanálise nas universidades e de suas conexões com as práticas clínicas por elas viabilizadas, distingue claramente a importância dessa laicidade, sublinhando-a do jeito que queria Freud, ou seja, na articulação com o discurso da ciência e não, da religião.

O título que demos ao nosso Dossiê Psicanálise - A psicanálise e a clínica do mal-estar na contemporaneidade – busca justamente ser contemporâneo a esses tempos sombrios que vivemos, tempos de trevas, tempos de angústias. Apostamos que o discurso psicanalítico não cansa de abrir leitos nos restos barrentos em direção às águas claras. Que desfrutem os artigos aqui apresentados! A UERJ resiste!

 

 

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Notas

* Professora Associada do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
** Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.



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