PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

 

Dependência de internet e habilidades sociais em adolescentes

 

Internet addiction and social skills in adolescents

 

Adicción a internet y las habilidades sociales en adolescentes

 

Lauren Bulcão Terroso*, I; Irani Iracema de Lima Argimon**, II

I Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
II Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo teve como objetivo verificar a associação entre as habilidades sociais (HS) e a dependência de internet (DI), a associação entre variáveis sócio-demográficas e HS, assim como constatar as variáveis preditoras da DI, em uma amostra composta por 482 escolares selecionados aleatoriamente em um município do Rio Grande do Sul, Brasil. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Inventário de Habilidades Sociais para Adolescentes e o Internet Addiction Test. Os resultados indicaram que os adolescentes dependentes de internet tinham maior dificuldade em manifestar comportamentos socialmente habilidosos em relação ao escore total de HS e às classes: autocontrole, assertividade, abordagem afetiva e desenvoltura social. Também foi constatado que ter um menor repertório total de HS aumenta a razão de chances de o jovem ter DI. Esses resultados sugerem que um pior repertório de HS está associado a DI. Assim, apesar de a internet prover benefícios aos adolescentes, o uso demasiado está associado à algumas classes de HS subdesenvolvidas. Contudo, cabe ressaltar que nos relacionamentos on-line também há oportunidade de manifestar certas classes de HS que podem ser considerados um tipo de contato social importante, principalmente para os jovens.

Palavras-chave: adolescente, assertividade, dependência de internet, habilidades sociais.


ABSTRACT

This study aimed to verify the association between SS and internet addiction (IA), the association between sociodemographic variables and SS, as well as find the predictors of DI, in a sample composed of 482 students, randomly selected from a city in Rio Grande do Sul state, Brazil. We used the following instruments: Inventário de Habilidades Sociais para Adolescentes and the Internet Addiction Test. The results indicated that adolescents addicted to internet had greater difficulty in expressing social skills behaviors in relation to the total score of SS and the following classes: self-control, assertiveness, affective approach and social resourcefulness. It has also been observed that having a lower total repertoire of SS increases the odds ratio of having IA. These results suggest that a poorer SS repertory is associated with IA. Thus, although the internet provides benefits to teens, too much usage is associated with having some classes of underdeveloped SS. However, we point out that in online relationships there are opportunities to express certain classes of HS which can be considered an important type of social contact, especially for young.

Keywords: adolescent, assertiveness, internet addiction, social skills.


RESUMEN

Este estudio tuvo por objetivo identificar la relación entre Habilidades Sociales (HS) y Dependencia de internet (DI), la asociación entre las variables sociodemográficas y HS, así como encontrar los factores predictivos de la DI, en una muestra conformada por 482 estudiantes, seleccionados aleatoriamente en un municipio de Rio Grande do Sul, Brasil. Se utilizaron los siguientes instrumentos: Inventario de Habilidades Sociales para Adolescentes e Internet Addiction Test. Los resultados indicaron que los adolescentes dependientes de internet tenían mayor dificultad para manifestar comportamientos socialmente habilidosos, en relación al puntaje total de HS y a las subescalas autocontrol, asertividad, abordaje afectivo, y desenvoltura social. También se constató que tener un repertorio menor de HS aumenta la probabilidad del adolescente presentar DI. Estos resultados sugieren que un menor repertorio de HS está asociado a DI. Así, a pesar de que el internet provee beneficios a los adolescentes, su uso excesivo está asociado a algunas clases de HS poco desarrolladas. Sin embargo, cabe resaltar que en las relaciones online también hay oportunidad de manifestar ciertas HS que pueden ser consideradas un tipo de contacto social importante, principalmente para los jóvenes.

Palabras clave: adolescente, asertividad, adicción a internet, habilidades sociales.


 

 

1 Introdução

O grande desenvolvimento tecnológico da segunda metade do século XX proporcionou a convergência entre a informática, a eletrônica e os sistemas informativos, fazendo com que o computador concentrasse tarefas até então de outros meios de comunicação (Taschner, 2011). Nesse sentido, a utilização da internet como sistema de comunicação e organização, em avanço repentino nas últimas décadas, fez com que inúmeras atividades econômicas, políticas e sociais fossem realizadas pela internet (Castells, 2003). Devido a isso, a internet revolucionou a maneira com que aprendemos, trabalhamos e, principalmente, interagimos com os outros, já que essa ferramenta nos permite a ampla comunicação sem restrições de momento e lugar (Bauman, 1999).

A comodidade ao realizar inúmeras atividades, como executar tarefas cotidianas, fazer compras, reencontrar pessoas e fazer novas amizades, entre outras, está contribuindo para o expressivo aumento de adeptos à rede mundial de computadores, configurando o que está sendo chamado de "A era da Cibercultura", na qual aspectos do dia a dia são fortemente influenciados pelo aumento da interação entre a humanidade e o computador (Graeml, Volpi, & Graeml, 2004). No Brasil, o número de habitantes com acesso à internet atingiu 79,9 milhões em 2011, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior (IBOPE). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os adolescentes são os que mais acessam a internet no país e, de acordo com os dados levantados em 2011, 77,7 milhões de jovens com dez anos ou mais declararam ter acessado a internet nos últimos 3 meses (IBGE).

 

2 Dependência de internet

Apesar dos inúmeros benefícios e facilidades proporcionados pela internet, essa ferramenta também pode proporcionar danos aos indivíduos que a utilizam demasiadamente. Esses sujeitos podem desenvolver preocupações e sentir dificuldade em controlar o uso da internet, obtendo prejuízos tanto no âmbito profissional quanto familiar ou social devido ao acesso em demasia (Young, 2009). Nessa direção, os efeitos negativos e positivos do uso dos computadores vêm sendo o centro de muitas discussões repletas de controvérsias (Anderson, 2011). Não há um consenso entre os estudiosos acerca de um termo específico para fazer referência ao uso demasiado da internet. No entanto, o termo dependência de internet (DI) é o mais utilizado para indicar a dificuldade em controlar o uso da internet que acarreta prejuízos funcionais e desconforto emocional em alguns indivíduos (Abreu, Karam, Góes, & Spritzer, 2008; Ma, 2011). Esse termo foi inicialmente proposto em 1995, pelo psiquiatra norte-americano Ivan Goldberg, que criou grupos de ajuda para indivíduos que apresentavam a sintomatologia característica dessa problemática (Wallis, 1997). Em relação aos sintomas, essa patologia é caracterizada por ansiedade, "fissura", agitação psicomotora e um padrão constante e prolongado de horas conectado, apesar dos danos obtidos no bem-estar psicológico e social (Zhang, Amos, & McDowell, 2008).

Com a finalidade de estabelecer uma classificação diagnóstica para esta nova patologia, Kimberly Young empregou oito dos dez critérios diagnósticos para jogo patológico e adicionou o item "Permanecer on-line mais tempo que o pretendido" (Young, 1999). Ainda em relação à classificação nosológica, Davis (2001) distingue o uso patológico de internet entre específico e generalizado. Segundo este autor, o uso patológico específico se refere ao uso problemático de apenas algum aspecto da internet, como, por exemplo, material sexual ou jogos de azar, em que o indivíduo poderia manifestar a dependência sem a utilização da internet. Já o subtipo generalizado representa o uso patológico do aspecto multidimensional da internet, muitas vezes relacionado ao âmbito social dessa ferramenta.

 

3 Dependência de internet em adolescentes

No que se refere à faixa etária, os adolescentes são os principais acometidos pela DI. A adolescência é caracterizada pela imaturidade dos sistemas cerebrais monoaminérgicos cortical frontal e subcortical, que faz com que a impulsividade seja um traço comportamental transitório típico dessa etapa (Eijnden, Spijkerman, Vermulst, Rooij, & Engels, 2010). Esse dado pode explicar o fato de os adolescentes possuírem menos habilidades em controlar o entusiasmo por algo que lhes desperta interesse, estando mais vulneráveis ao uso patológico da internet (Ha et al., 2007). Cabe salientar que os jovens habitualmente desconhecem as potenciais consequências adversas do uso demasiado da internet (Tsitsika, Critselis, Janijian, Kormas, & Kafetzis, 2011). Por isso, comportamentos compulsivos diante da internet frequentemente são utilizados pelos adolescentes como estratégias para enfrentar eventos ou situações desagradáveis, já que permitem momentaneamente que a pessoa "esqueça" os problemas ou o estresse advindo de algum acontecimento e, devido ao prazer obtido, os sujeitos passam a ter mais intensidade neste tipo de conduta (Young, 2007).

Ao entrarem em contato com atividades e emoções prazerosas proporcionadas pela internet, os jovens criam um ciclo desadaptativo de convivência familiar, permeado por fugas e esquivas às tentativas de controle dos pais. Os adolescentes dependentes de internet, além de enfrentarem brigas familiares em função do isolamento decorrente do transtorno, tendem a possuir menos amigos e menos relações amorosas (Barossi, Meira, Goes, & Abreu, 2009; Kwon2011). Dessa forma, entre os fatores associados a DI de internet em adolescentes, destaca-se o baixo repertório de habilidades sociais.

No âmbito dos comportamentos aditivos, a dependência de internet constitui uma nova patologia com prevalência considerável entre os jovens (Du, Jiang, & Vance, 2010). Uma pesquisa transversal realizada com 2.017 escolares em uma cidade da Grécia constatou que 15,2% desses apresentavam uso aditivo de internet (Siomos et al., 2012). Os autores Kaur e Sharma (2015) realizaram um estudo para verificar variáveis sócio-demograficas que possuiam associação com DI, e reportaram que este transtorno esteve associado a maior tempo online por dia e à crença de que estar online não traria prejuízos. Nesse mesmo trabalho foi constatado que as variáveis: estudar em escola particular; estar no ensino fundamental; emprego dos pais e relacionamento familiar, não possuíam associação significativa com DI nos adolescentes estudados.

 

4 Dependência de internet e habilidades sociais na adolescência

Em humanos, a interação social tem raízes instintivas e serve para que as necessidades básicas sejam atingidas. Os padrões de interação social foram trabalhados desde as primeiras civilizações e são incorporados às regras e normas culturais, sendo transmitidos aos jovens a cada geração (Argyle, 1972). Devido à interação social ser a base da vida em sociedade, as habilidades sociais (HS) são comportamentos indispensáveis para que os indivíduos estabeleçam relações elaboradas com os demais (Del Prette & Del Prette, 2010). Não há um consenso acerca de uma definição para HS. De acordo com Gresham (2009), as HS são comportamentos aprendidos e socialmente aceitáveis que permitem ao sujeito interagir, ou desviar, na ocorrência de comportamentos que resultariam em interação social negativa. Para Caballo (2003/2012), as HS são um conjunto de comportamentos emitidos por alguém em um contexto interpessoal. Essas condutas devem expressar sentimentos, atitudes, desejos e opiniões de quem as manifesta, e estar adequadas à situação, tendo potencial de resolver problemas atuais e minimizar a possibilidade de danos no futuro. Os autores Del Prette e Del Prette (2010) consideram que um comportamento social deve ser considerado como habilidade social quando contribui para a competência social em uma tarefa de interação social. Neste sentido, a competência social pode ser entendida como o comportamento que manifesta um melhor resultado para equilibrar reforçadores ou assegurar direitos reforçadores básicos (Del Prette & Del Prette, 1996; Del Prette, Del Prette, & Mendes Barreto, 2012).

Na adolescência, as HS são fundamentais para o ajuste social. Nessa etapa, devido à importância dada à aceitação pelos pares, os comportamentos socialmente hábeis são indispensáveis para a autoestima e bem-estar (Coronel, Levin, & Mejail, 2011; Silva & Murta, 2009). Entre os prejuízos associados a um baixo repertório de HS na adolescência destaca-se o desenvolvimento de DI (Engelberg & Sjöberg, 2004; Morahan-Martin & Schumacher, 2003).

Na perspectiva da relação entre HS e DI na adolescência, encontramos uma relação bidirecional na literatura PSI. Há autores que argumentam que o déficit de HS acaba causando a DI, pois indivíduos com baixo repertório de HS tendem a preferir a interação social on-line, já que a internet pode servir como uma ferramenta de proteção à ansiedade em socializar (Birnie & Horvath, 2002). A internet proporciona uma zona de conforto através da sensação de anonimato, fazendo com que esses adolescentes possam se expressar livremente, ou até mesmo fingir ser outra pessoa. (Fioravanti, Dèttore, & Casale, 2012; Morahan-Martin, 1999; Morahan-Martin & Schumacher, 2003). Em contrapartida, alguns pesquisadores apontam que a internet ocasiona um déficit nas HS, uma vez que jovens que usam demasiadamente essa ferramenta perdem competências emocionais que facilitam a adaptação em meio social (Engelberg & Sjöberg, 2004; Kim, LaRose, & Peng, 2009).

Apesar das controvérsias, são evidentes a ampla vulnerabilidade dos adolescentes a se tornarem dependentes de internet e a importância das HS como fator de proteção a esse tipo de patologia (Bonetti, Campbell, & Gilmore, 2010; Engelberg & Sjöberg, 2004). Devido a isso, este estudo tem como objetivo verificar a associação entre a DI e as HS em adolescentes, assim como constatar as variáveis preditoras da DI nessa população.  Também foi objetivado na presente pesquisa verificar a associação entre HS e variáveis sócio-demográficas. A importância deste trabalho se dá devido à escassez de estudos que retratem a problemática da DI em contexto brasileiro.

 

5 Método

5.1. Delineamento

Foi desenvolvido um estudo observacional analítico, com delineamento transversal (Wainer, 2008).

5.2. Participantes

A população-alvo da presente pesquisa foi composta por adolescentes com idade entre 12 e 18 anos completos, que estavam cursando o ensino fundamental e médio de escolas municipais, estaduais e particulares de um município do interior do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma cidade situada ao norte do estado, que possui 28.843 habitantes, sendo destes 23.333 pertencentes à zona urbana.

Para a realização do cálculo amostral, foi estimada a prevalência de dependência de Internet de 10%, baseada nos dados encontrados em um estudo conduzido na China com a mesma faixa etária e metodologia semelhante (Cui, Zhao, Wu, & Xu, 2006). Nesse sentido, foi determinada a necessidade da participação de 385 indivíduos para que o estudo fosse realizado com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3%. Devido às possíveis perdas na amostra, foi acrescentado um percentual de 20% a mais de participantes, totalizando 482 indivíduos a serem selecionados.

Assim, foram selecionadas aleatoriamente 5 escolas, sendo 3 públicas e 2 particulares, do universo de 13 existentes no município escolhido. Dessas escolas, para selecionar o número necessário de adolescentes, foram sorteadas 15 turmas. Foram incluídos todos os alunos das turmas sorteadas e excluídos aqueles que se recusavam a participar do estudo (n=9), que não tinham em mãos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), assinado pelos responsáveis e aqueles que tinham menos de 12 ou mais de 18 anos.

Quanto às características da amostra selecionada, a maioria era do gênero feminino (55,6%) e com idades entre 15 e 18 anos (67,1), sendo a média 15,21 (DP=1,57). Em relação à escola, 85,4% estudavam em escolas públicas, sendo 71% alunos de ensino médio. No que se refere à mãe dos adolescentes, 91,3% trabalhavam e 30,1% não tinham o ensino fundamental completo. Já em relação ao pai, 83,2% estavam trabalhando e a maioria não tinha o ensino fundamental completo (31,9%).

5.3. Instrumentos

Para o levantamento de características como gênero, idade, série, tipo de escola, acesso à internet, atividade predominante na internet e dados sobre os familiares (situação de trabalho dos pais e escolaridade dos pais), foi aplicada uma ficha de dados sociodemográficos. Trata-se de um instrumento anônimo e autoaplicável. Nessa ficha, também foram acrescentadas questões acerca do uso de internet como ‘tempo on-line' e ‘atividade predominante na rede'.

5.3.1. Internet addiction test (IAT)

Para verificar a presença da dependência de internet, os adolescentes foram instruídos a preencher o IAT, instrumento que utiliza terminologia simples e avalia quais áreas da vida do indivíduo foram afetadas pelo uso excessivo de internet (Widyanto & McMurran, 2004). O IAT foi validado para o Brasil por Conti et al. (2012), e apresentou alfa de Cronbach de 0,85, indicando bons resultados. É um instrumento autoaplicável composto por 20 questões em forma de escala Likert de cinco pontos variando de Raramente (1), Às vezes (2), Frequentemente (3), Muito Frequentemente (4) a Sempre (5). As questões abrangem o comportamento do indivíduo em relação à internet. Quanto maior a pontuação, maior a gravidade da dependência, sendo que aquela pode variar de 0 a 100 pontos e os resultados podem ser categorizados em: normal (0-30 pontos); leve (31-49 pontos); moderada (50-79) e grave (80-100).

5.3.2. Inventário de habilidades sociais para adolescentes (IHSA-Del-Prette)

Para avaliar as habilidades sociais dos participantes, foi utilizado o Inventário de Habilidades Sociais para adolescentes (IHSA-Del-Prette). O IHS teve sua construção baseada em situações relacionadas ao conceito de habilidades sociais (Bandeira, Costa, Del Prette, Del Prette, & Carneiro, 2000). O valor do alpha de Cronbach é 0,75. O instrumento é composto por 38 questões a respeito de como o indivíduo age em determinadas situações que requerem habilidades de relacionamento com diferentes interlocutores e em diferentes contextos. Trata-se de uma escala Likert de cinco pontos, na qual o adolescente é instruído a preencher a frequência em que manifesta determinado comportamento e a dificuldade que tem em realizá-lo. Os resultados deste instrumento se dão através de percentis, adequados para o gênero e faixa etária dos respondentes. Estes percentis são obtidos através de um escore total, assim como escores para seis subescalas, sendo estas: Empatia; Autocontrole; Civilidade; Assertividade; Abordagem Afetiva e Desenvoltura Social (Del Prette & Del Prette, 2009).

5.4. Procedimentos

Após a aprovação do projeto pelo comitê de ética da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (CAAE - 10863512.9.0000.5336), foi feito contato com a direção das escolas sorteadas. Neste contato, foram explicados os objetivos da pesquisa, selecionadas as turmas a participarem do estudo e entregues os Termos de Consentimento Livre e esclarecido, a fim de que a responsável pela instituição os entregasse aos estudantes, para que estes os trouxessem assinados por um responsável no dia da aplicação dos instrumentos. A diretora também assinava um TCLE para consentir que os alunos participassem da pesquisa.

Conforme os horários agendados com a direção, os instrumentos eram aplicados coletivamente nos adolescentes. Essa aplicação era feita por duas psicólogas responsáveis pela pesquisa e uma equipe de estudantes de graduação em psicologia previamente treinados. A coleta foi realizada nas próprias escolas, nas salas de aula ou em outro ambiente cedido pela direção. Não havia tempo limite para o preenchimento dos instrumentos, mas isso era feito em aproximadamente uma hora, variando de 38 minutos do aluno que respondeu aos questionários mais rapidamente à 1h30min referentes ao aluno que mais demorou. Por se tratarem de adolescentes com idade inferior a 18 anos, em sua maioria, além da autorização dos pais, aqueles assinavam um termo de consentimento, para que tivessem a liberdade de expressar sua vontade em relação à participação na pesquisa.

Para a análise dos dados, foram realizadas estatísticas descritivas para caracterização da amostra, bem como estatísticas inferenciais considerando significativos valores de p< 0,05. Para avaliar a associação entre a ‘dependência de internet' e as características sociodemográficas, foi realizada uma análise por categorias através do teste qui-quadrado.

A ‘dependência de internet', obtida através do teste IAT, teve seus resultados transformados em uma variável dicotômica, sendo adotadas as categorias ‘sem dependência' (0-49 pontos) – que corresponderia às pontuações "normal" e "leve", do instrumento original;e ‘com dependência' (50-100 pontos)- que corresponderia aos pontos de cortes para dependência "moderada" e "grave". Já as habilidades sociais foram mensuradas mediante os percentis totais e de cada fator, tanto para a frequência quanto para a dificuldade. As diferenças em relação às HS entre indivíduos com e sem DI foi verificada mediante o teste t de student para amostras independentes.  Com o intuito de verificar as variáveis preditoras da ‘dependência de internet', foi realizada uma análise de Regressão Logística Binária. Para essa análise, a variável ‘habilidades sociais' foi testada através dos escores numéricos dos percentis de frequência e dificuldade. Todas as etapas da análise estatística foram feitas através do programa Statistical Package for the Social Sciences, versão 20.0.

 

6 Resultados

Inicialmente foi estimada a consistência interna do IAT. A partir do alfa de Cronbach, esse instrumento apresentou 0,92, indicando bom resultado.

No que concerne às habilidades sociais dos participantes, 60,8% obtivem pontuação correspondente a um repertório inferior. Quando questionados a respeito do uso de internet, 98,2% afirmaram fazer uso dessa ferramenta, sendo a atividade predominante o uso de redes sociais (79,2%).  Dos escolares, 84,5% reportou usar a internet, na maior parte das vezes em casa ou em lan house, 34% relatou permanecer on-line de 2 a 4 horas por dia. Em relação à dependência de internet, 20,7% dos adolescentes obtiveram pontuação correspondente a presença desse transtorno, de acordo com o instrumento utilizado.

6.1. Dependência de internet e variáveis sociodemográficas

Não houve diferença estatisticamente significativa entre o desfecho "ter dependência de internet" e "não ter dependência de internet" e as variáveis: gênero (p=0,479), situação do pai (p=0,232), escolaridade da mãe (p=0,336), escolaridade do pai (p=0,181) e local em que mais usa a internet (p=0,182). Em relação à idade, categorizada em dois grupos (12-14 anos e 15-18 anos), pode-se perceber que os mais velhos tinham menor prevalência de DI (17,5%; p=0,009). No que se refere ao tipo de escola, a porcentagem de adolescentes com DI era maior entre os que estudavam em escolas particulares (33,3% vs 18,5%; p=0,006).

Os alunos de ensino fundamental eram mais prevalentes entre os indivíduos com DI (27,2% vs 18,1%; p= 0,020). Entre os jovens cuja mãe estava trabalhando atualmente, a prevalência de DI era maior (23,2%) do que entre aqueles cuja mãe não estava empregada (6,7%; p= 0,023). No que concerne à atividade predominante na internet, os escolares que priorizavam jogos e redes sociais tinham maior prevalência de DI (32,4 e 21,5%, respectivamente) quando comparados àqueles cuja atividade principal era referente a e-mails, sites ou outra (11,3%; p=0,052).

6.2. Dependência de internet e habilidades sociais

Não houve diferença significativa entre as médias dos indivíduos com e sem DI para nenhum fator relativo à frequência de manifestação de comportamentos socialmente habilidosos. Já em relação às diferenças de médias para dificuldade em manifestar estes comportamentos, houve diferença significativa para o escore total do instrumento (p= 0,016), assim como para os seguintes fatores: autocontrole (p=0,003), civilidade (p=0,045); abordagem afetiva (p=0,048) e desenvoltura social (p=0,025). Em relação a este resultado, pode-se observar que os indivíduos classificados como dependentes de internet apresentavam escores maiores para a dificuldade em executar as condutas relativas a um desempenho social mais hábil (Tabela 1).

 

 

6.3. Regressão logística

Com a finalidade de verificar as variáveis preditoras, foi realizada uma análise de Regressão Logística Binária através da variável ‘dependência de internet' dicotômica (com e sem DI). Foi estabelecido um modelo final, que incluiu as interações significativas relevantes à DI. Este modelo explicou 61,5% da variância, sendo esse valor obtido através do coeficiente de Nagelkerke R Square. As variáveis presentes no modelo final que aumentaram a chance de DI de forma independente e significativa foram: percentil total de frequência de habilidades sociais; percentil de frequência de assertividade; percentil de frequência de abordagem afetiva; idade em anos e tempo diário de uso de internet, dividido em 3 categorias, sendo estas: de 2 a 4 horas, de 4 a 6 horas, e mais de 6 horas (Tabela 2).

 

 

No modelo descrito, foram estimadas as razões de chance (OR) para cada variável a partir do cálculo do exponencial de B – 1. Assim, o resultado da razão de chances referente a variável percentil total de HS determinou que, para cada unidade de aumento desta variável, há 2,9% de diminuição na razão de chances de o adolescente ser dependente de internet. As variáveis ‘percentil de assertividade' e ‘percentil de abordagem afetiva' demonstraram o mesmo padrão de resultado no modelo, e assim foi possível verificar que para cada acréscimo de unidade nestas variáveis, há um aumento de 1,9% na razão de chances do participante ter DI. No que se refere à variável idade, foi possível verificar que, para cada diminuição de unidade nesta variável, há um aumento de 23% na razão de chance do indivíduo desenvolver dependência de internet. Em relação ao tempo diário de uso da internet, a cada unidade de acréscimo nas categorias: 2 a 4 horas, 4 a 6 horas e mais de 6 horas, há um aumento de, respectivamente, 3,5; 9,8 e 42,6 vezes na razão de chances de ter DI.

 

7 Discussão

O presente estudo objetivou averiguar a relação entre DI e HS, as variáveis preditoras dessa patologia, bem como a associação entre DI e variáveis sociodemográficas. Entre os achados, cabe salientar, primeiramente, a alta prevalência de adolescentes com DI na amostra (20,7%). Prevalência menor (4,4%) foi encontrada em estudo realizado com escolares europeus (Durkee, Kaess, Carli, Brunner, & Wasserman, 2012), e também em levantamento realizado em uma cidade da China, que constatou que 10,8% eram dependentes de internet (Lam, Peng, Mai, & Jing, 2009). Um estudo realizado com escolares iranianos observou a prevalência de 17,3% de adolescentes com pontuações correspondentes a DI moderada ou severa (Ghassemzadeh, Shahraray, & Moradi, 2008), resultado semelhante ao encontrado nesta pesquisa. Contrariamente, um estudo feito no Líbano constatou que 39,1% dos adolescentes entrevistados apresentavam DI (moderada ou grave) (Hawi, 2012).

Ainda em relação à prevalência, os resultados chamam a atenção para o achado que aponta que entre os indivíduos que priorizavam o acesso às redes sociais ou jogos, o percentual de dependentes de internet era maior do que os adolescentes que realizavam outro tipo de atividade. De acordo com estes resultados, os autores Kuss, Griffiths, e Binder, (2013) consideram que o uso da internet para jogos ou aspectos relacionados à socialização aumenta o risco de dependência dessa ferramenta, o que sustenta o dado encontrado. Em relação ao gênero, apesar de estudos considerarem que os adolescentes do gênero masculino são mais susceptíveis à DI (Lam et al., 2009), não houve diferença significativa em relação ao gênero no presente estudo. Andreou e Svoli (2013) também não encontraram diferenças entre os meninos e meninas em relação à DI.

O tempo de uso da internet também esteve associado à dependência desta, uma vez que quanto mais horas o adolescente passava on-line, maior a probabilidade de desenvolver dependência. Nessa direção, o resultado do estudo de Andreou e Svoli (2013) corrobora com tal achado, uma vez que reporta que a DI está associada à quantidade de horas de uso da internet.

Não foram encontradas diferenças significativas entre as médias do escore total e das subescalas em relação à frequência em que os adolescentes, com e sem DI, manifestavam comportamentos socialmente habilidosos. Esse resultado vai ao encontro dos apontamentos feito pelos pesquisadores O'Keeffe e Clarke-Pearson (2011), que relatam que, através da internet, os adolescentes realizam tarefas importantes, como conectar aos amigos e fazer novas amizades, o que pode auxiliá-los na comunicação. Nessa mesma direção, o estudo de Schmitt, Dayanim e Matthias (2008) reportou que a internet facilita os relacionamentos sociais aos adolescentes, o que contribui para estes se sentirem aceitos pelos demais, fazendo com que manifestem comportamentos necessários à interação social.

Ainda no que se refere aos achados do presente estudo, cabe salientar a apresentação das variáveis "frequência de assertividade" e "frequência de abordagem afetiva" no modelo da regressão logística. Tal resultado nos permitiu acessar que o aumento do escore nesses fatores aumenta as chances de o indivíduo ter DI. Isso pode ser explicado pelo fato de a internet possibilitar que os jovens tenham um "senso de controle" ao se comunicar on-line, o que contribui para eles se sentirem seguros nas interações e, consequentemente, mais livres para interagir (Valkenburg & Peter, 2011). Os autores Birnie e Horvath (2002) salientam que a ideia de "proteção" obtida através das comunicações on-line permite que os adolescentes exerçam com maior segurança comportamentos socialmente habilidosos, o que, na nossa amostra, pode ter contribuído para o aumento da frequência destes comportamentos.

Em contrapartida, foi possível observar que os indivíduos que tiveram pontuação correspondente à presença de DI apresentaram maior dificuldade na manifestação de comportamentos relativos às HS. Esse resultado foi apresentado tanto para o escore total da dificuldade quanto para os itens autocontrole, civilidade, abordagem afetiva e desenvoltura social. Ainda na mesma direção, no modelo da regressão logística a variável "frequência de comportamentos de HS" demonstrou que quem tem escore menor neste fator apresenta mais chances para a DI. Tais dados podem ser sustentados pelo fato de, atualmente, muitos adolescentes optarem em se comunicar on-line, principalmente para assuntos relativos a questões sexuais e relacionamentos afetivos (Schoute, Valkenburg, & Peter, 2007). Esta preferência pode fazer com que os jovens percam algumas habilidades necessárias para a adaptação em meio social, por utilizarem demasiadamente a internet (Engelberg & Sjöberg, 2004; Kim et al., 2009).

Outro fator que pode explicar o nosso achado em relação à associação entre DI e um pior repertório de HS consiste no resultado do estudo de Selfhout, Branje, Delsing, Bogt e Meeus (2009), que aponta que a prática da interação social on-line não reduz o "medo" nas interações face a face. Nessa direção, Morahan-Martin e Schumacher (2003) consideram que o uso demasiado de internet prejudica o ajuste interpessoal dos indivíduos. Assim, apesar da internet ser uma ferramenta importante para a interação social na adolescência, é possível verificar que as interações on-line não substituem as interações reais, já que aquelas são, muitas vezes, superficiais, o que acaba privando os adolescentes do sentimento de pertencimento obtido através de relações presenciais e fazendo com que estes tenham aspectos do repertório de habilidades sociais subdesenvolvidos (Bonetti et al., 2010; Fioravanti et al., 2012).

 

8 Conclusões

Este estudo conduziu uma investigação para verificar a associação empírica entre HS e DI. Foi possível verificar que a DI esteve associada a um baixo repertório de habilidades sociais em vários aspectos, apesar dessa patologia encontrar-se associada a uma maior frequência de comportamentos afetivos e assertivos.

Portanto, cabe ressaltar que nos relacionamentos on-line também há oportunidade de manifestar certas classes de HS e que, apesar de não propiciarem laços fortes, podem ser considerados um tipo de contato social importante, principalmente para os jovens. Assim, a internet é uma ferramenta que complementa a interação social, já que, na adolescência, as relações de pares são fundamentais para um desenvolvimento saudável. Em contrapartida, a interação on-line não deve substituir as relações face a face, visto que não supre certas necessidades essenciais, que só serão obtidas em relacionamentos reais. Como sugestão para futuros estudos, salienta-se a necessidade de dados longitudinais, que proporcionem um amplo conhecimento acerca de fatores que favorecem a DI em adolescentes.

 

Referências

Abreu, C. N., Karam, R. G., Góes, D. S., & Spritzer, D. T. (2008). Dependência de Internet e de jogos eletrônicos: uma revisão. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, 156-167. doi: 10.1590/S1516-44462008000200014

Anderson, K. J. (2011). Internet use among college students: an Exploratory Study. Journal of American College Health, 50, 21-26. doi: 10.1080/07448480109595707

Andreou, E., & Svoli, H. (2013). The Association Between Internet User Characteristics and Dimensions of Internet Addiction Among Greek Adolescents. International Journal of Mental Health and Addiction, 1-10. doi: 10.1007/s11469-012-9404-3

Argyle, M. (1972). Psicología del comportamiento interpessoal. Madri: Alianza Editorial.

Bandeira, M., Costa, M. N., Del Prette, Z. A. P., Del Prette, A., & Carneiro, E. G. (2000). Qualidades psicométricas do Inventário de Habilidades Sociais. Estudos de Psicologia, 5, 401-419. doi: 10.1590/S1413-294X2000000200006

Barossi, O., Meira, S. M., Góes, D. S., & Abreu, C. N. (2009). Programa de orientação a pais de adolescentes dependentes de internet (PROPADI). Revista Brasileira de Psiquiatria, 31, 387-395. doi: 10.1590/S1516-44462009000400019

Bauman, M. L. (1999). The evolution of Internet Genres. Computers and Composition, 16, 269-282. doi: 10.1016/S8755-4615(99)00007-9

Birnie, S. A., & Horvath, P. (2002). Psychological predictors of Internet social communication. Journal of Computer-Mediated Communication, 7(4). doi: 10.1111/j.1083-6101.2002.tb00154.x

Bonetti, L., Campbell, M. A., & Gilmore, L. (2010). The relationship of loneliness and social anxiety with children's and adolescents' online communication. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 13(3), 279-285. doi: 10.1089/cyber.2009.0215

Caballo, V. E. (2012). Manual de avaliação e treinamento das habilidades sociais (S. Dolinsky, Trad.). São Paulo: Santos. (Original publicado em 2003).

Castells, M. (2003). A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. (M.L. Borges, trad.). Rio de Janeiro: Zahar. (Original publicado em 2001).

Conti, M. A., Jardim, A. P., Hearst, N., Cordás, T. A., Tavares, H., & Abreu, C. N. (2012). Avaliação da equivalência semântica e consistência interna de uma versão em português do Internet Addiction Test (IAT). Revista de Psiquiatria Clínica, 39, 106-110. doi: 10.1590/S0101-60832012000300007

Coronel, C. P., Levin, M., & Mejail, S. (2011). Las habilidades sociales en adolescentes tempranos de diferentes contextos socioeconómicos. Eletronic Journal of Research in Educational Psychology, 9(1), 241-262.

Cui, L. J., Zhao, X., Wu, Z. M., & Xu, A. H. (2006). A research on the effects of Internet addiction on adolescents' social development. Psychological Science, 1, 34-36.

Davis, R. A. (2001). A cognitive-behavioral model of pathological Internet use. Computers in Human Behavior, 17(2), 187-195.

Del Prette, Z. A., & Del Prette, A. (1996). Habilidades sociais: Uma área em desenvolvimento. Psicologia Reflexão e Crítica, 9(2), 233-255. doi: 10.1590/S0102-37722004000100011

Del Prette, Z. A., & Del Prette, A. (2009). Inventário de habilidades sociais para adolescentes (IHSA-Del-Prette): manual de aplicação, apuração e interpretação. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Del Prette, Z. A., & Del Prette, A. (2010). Habilidades sociais e análise do comportamento: proximidade histórica e atualidades. Revista Perspectivas, 1(2), 104-115.

Del Prette, Z., Del Prette, A., & Mendes Barreto, M. C. (2012). Análise de um Inventário de Habilidades Sociais (IHS) em uma amostra de universitários. Psicologia: teoria e pesquisa, 14(3), 219-228.

Du, Y. S., Jiang, W., & Vance, A. (2010). Longer term effect of randomized, controlled group cognitive behavioural therapy for Internet addiction in adolescent students in Shanghai. Australian and New Zealand Journal of Psychiatry, 44(2), 129-134. doi: 10.3109/00048670903282725

Durkee, T., Kaess, M., Carli, V., Parzer, P., Wasserman, C., Floderus, B., ... & Wasserman, D. (2012). Prevalence of pathological internet use among adolescents in Europe: demographic and social factors. Addiction, 107(12), 2210-2222. doi: 10.1016/S0924-9338(12)74765-X

Eijnden, R. J. M., Spijkerman, R., Vermulst, A., Rooij, T. J., & Engels, R. C. (2010). Compulsive Internet use among adolescents: bidirectional parent-child relationships. Journal of Abnormal Child Psychology, 38, 77-89. doi: 10.1007/s10802-009-9347-8

Engelberg, E., & Sjöberg, L. (2004). Internet use, social skills and adjustment. CyberPsychology & Behavior, 7, 41-48.

Fioravanti, G., Dèttore, D., & Casale, S. (2012). Adolescent Internet Addiction: Testing the Association Between Self-Esteem, the Perception of Internet Attributes, and Preference for Online Social Interactions. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 15(6), 318-323. doi: 10.1089/cyber.2011.0358

Ghassemzadeh, L., Shahraray, M., & Moradi, A. (2008). Prevalence of Internet addiction and comparison of Internet addicts and non-addicts in Iranian high schools. CyberPsychology & Behavior, 11(6), 731-733. doi: 10.1089/cpb.2007.0243

Graeml, K. S., Volpi, J. H., & Graeml, A. R. (2004). O impacto do uso (excessivo) da Internet no comportamento social das pessoas. Revista Psicologia Corporal, 5, 1-6.

Gresham, F. M. (2009). Análise do comportamento aplicada às habilidades sociais: uma visão geral. In A. Del Prette, & Z. Del Prette (Orgs.). Psicologia das Habilidades Sociais. (2ª Ed., pp. 17-56). Petrópolis: Vozes.

Ha, J. H., Kim, S. Y., Bae, S. C., Bae, S., Kim, H., Sim, M., Cho, S. C. (2007). Depression and Internet Addiction in Adolescents. Psychopathology, 40, 424-430. doi: 10.1159/000107426

Hawi, N. S. (2012). Internet addiction among adolescents in Lebanon. Computers in Human Behavior, 28(3), 1044-1053. doi: 10.1016/j.chb.2012.01.007

IBGE (2013, Maio). Acesso à internet e posse de celular. Retrieved from http://teen.ibge.gov.br/es/noticias-teen/3539-acesso-a-internet-e-posse-de-celular

IBOPE (2012, Abril 23). Mais publicidade na rede. Retrieved from http://www.ibope.com.br/ptbr/noticias/Paginas/Mais%20publicidade%20na%20rede.aspx

Kaur, T., & Sharma, P. (2015). Prevalence of Internet Addiction among Adolescents. International Journal of Psychiatric Nursing, 1(2), 44-48.

Kim, J., LaRose, R., & Peng, W. (2009). Loneliness as the cause and the effect of problematic Internet use: The relationship between Internet use and psychological well-being. CyberPsychology & Behavior, 12(4), 451-455. doi: 10.1089/cpb.2008.0327

Kwon, J. H. (2011). Toward the prevention of adolescent Internet addiction. Internet addiction: a handbook and guide to evaluation and treatment. New Jersey: Wiley, 223-44.

Kuss, D. J., Griffiths, M. D., & Binder, J. F. (2013). Internet addiction in students: Prevalence and risk factors. Computers in Human Behavior, 29(3), 959-966. doi: 10.1016/j.chb.2012.12.024

Lam, L. T., Peng, Z. W., Mai, J. C., & Jing, J. (2009). Factors associated with Internet addiction among adolescents. CyberPsychology & Behavior, 12(5), 551-555. doi: 10.1089/cpb.2009.0036

Ma, H. K. (2011). Internet Addiction and Antisocial Internet Behavior of Adolescents. The Scientific World Journal, 11, 2187-2196. doi: 10.1100/2011/308631

Morahan-Martin, J. (1999). The relationship between loneliness and Internet use and abuse. Cyber Psychology and Behavior, 2, 431–440. doi: 10.1089/cpb.1999.2.431

Morahan-Martin, J., & Schumacher, P. (2003). Loneliness and social uses of the Internet. Computers in Human Behavior, 19(6), 659-671. doi: 10.1016/S0747-5632(03)00040-2

O'Keeffe, G. S., & Clarke-Pearson, K. (2011). The impact of social media on children, adolescents, and families. Pediatrics, 127(4), 800-804. doi: 10.1542/peds.2011-0054

Schmitt, K. L., Dayanim, S., & Matthias, S. (2008). Personal homepage construction as an expression of social development. Developmental Psychology, 44(2), 496. doi: 10.1037/0012-1649.44.2.496

Schouten A. P., Valkenburg, P. M., & Peter, J. (2007). Precursors and underlying processes of adolescents' online self-disclosure: Developing and testing an "Internet-attribute-perception" model. Media Psychology, 10, 292–314. doi: 10.1080/15213260701375686

Selfhout, M. H., Branje, S. J., Delsing, M., ter Bogt, T. F., & Meeus, W. H. (2009). Different types of Internet use, depression, and social anxiety: the role of perceived friendship quality. Journal of Adolescence, 32(4), 819-833. doi: 10.1016/j.adolescence.2008.10.011

Silva, M. P., & Murta, S. G. (2009). Treinamento de Habilidades Sociais para Adolescentes: Uma experiência no programa de atenção integral à família (PAIF). Psicologia: Reflexão e Crítica, 22(1), 136-143. doi: 10.1590/S0102-79722009000100018

Siomos, K., Floros, G., Fisoun, V., Evaggelia, D., Farkonas, N., Sergentani, E., ... & Geroukalis, D. (2012). Evolution of Internet addiction in Greek adolescent students over a two-year period: the impact of parental bonding. European Child & Adolescent Psychiatry, 21(4), 211-219. doi: 10.1007/s00787-012-0254-0

Taschner, G. B. (2011). Paradoxos da Comunicação e do Consumo no Brasil do séc. XXI. Comunicação, Mídia e Consumo, 8, 199-216.

Tsitsika, A., Critselis, E., Janikian, M., Kormas, G., & Kafetzis, D. A. (2011). Association Between Internet Gambling and problematic Internet use among Adolescents. Journal of Gambling Studies, 27, 389-400. doi: 10.1007/s10899-010-9223-z

Valkenburg, P. M., & Peter, J. (2011). Online communication among adolescents: An integrated model of its attraction, opportunities, and risks. Journal of Adolescent Health, 48(2), 121-127. doi: 10.1016/j.jadohealth.2010.08.020

Wainer, R. (2008). A pesquisa quantitativa em psicologia: os delineamentos possíveis e a questão da amostragem. In H. Scarparo (Org.), Psicologia e pesquisa: perspectivas metodológicas. Porto Alegre: Editora Sulina.

Wallis, D. (1997). The talk of the town, "just click no". The New Yorker, 13, 28-29.

Widyanto, L. & McMurran, M. (2004). The psychometric properties of the Internet Addiction Test. CyberPsychology & Behavior, 7, 443-450. doi: 10.1089/cpb.2004.7.443

Young, K. S. (1999). Internet addiction: symptoms, evaluation, and treatment. In L. VandeCreek & T. Jackson (Eds.), Innovations in Clinical Practice: A Source Book (Vol 17, pp. 19-31). Sarasota, FL: Professional Resource Press.

Young, K. S. (2007). Treatment outcomes with Internet addicts. CyberPsychology & Behavior, 10, 671-679.

Young, K. S. (2009). Understanding online gaming addiction and treatment issues for adolescents. The American Journal of Family Therapy, 37, 355-372. doi: 10.1080/01926180902942191

Zhang, L., Amos, C. & McDowell, W. C. (2008). A comparative study of internet addiction between the United States and China. CyberPsychology & Behavior, 11, 727-729. doi: 10.1089/cpb.2008.0026

 

 

Endereço para correspondência
Lauren Bulcão Terroso
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto de Psicologia
Rua Ramiro Barcelos, 2600, Santa Cecília, CEP 90035-002, Porto Alegre – RS, Brasil
Endereço eletrônico: laurenterroso@hotmail.com
Irani Iracema de Lima Argimon
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Ciências Humanas, Curso de Psicologia
Avenida Ipiranga, 6681, Prédio 11, Partenon, CEP 90619-900, Porto Alegre – RS, Brasil
Endereço eletrônico: argimoni@pucrs.br

Recebido em: 13/05/2015
Reformulado em: 19/11/2015
Aceito para publicação em: 19/11/2015

 

 

Notas

* Doutoranda em Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Bolsa CAPES) – Laboratório de Psicologia Experimental, Neurociências e Comportamento. Especialista em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (Wainer & Piccoloto).
** Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Grupo Avaliação e Intervenção no Ciclo Vital. Bolsista Produtividade CNPq Porto Alegre - RS.



Licença Creative Commons
A revista Estudos e Pesquisas em Psicologia esta licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial 3.0 Não Adaptada.

 

Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Instituto de Psicologia
© Estudos e Pesquisas em Psicologia
Rua São Francisco Xavier, 524, bloco F, sala 10.005, 10° andar, CEP 20550-013, Rio de Janeiro-RJ, Brasil
Telefone: (21) 2334-0651

E-mail: revispsi@gmail.com