ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 5, N.2, 2 SEMESTRE DE 2005

Artigos


A INFLUNCIA DE ESTADOS EMOCIONAIS POSITIVOS E NEGATIVOS NO PROCESSAMENTO COGNITIVO

The Influence of Positives and Negatives Emotionals Statte in Cognitive Processing


 Mara Sizino da Victoria*

Adriana Benevides Soares**

Patrick Barbosa Moratori***

 

 

 

Resumo

O objetivo deste trabalho estudar a rea da psicologia da emoo e da psicologia cognitiva, dentro do arcabouo do processamento de informao. Para cumprir esta pesquisa, um total de 42 sujeitos participou e dois experimentos foram realizados e comparados: o primeiro ativava nodos emocionais; o segundo ativava nodos cognitivos. Ambos experimentos trabalhavam com priming e tinham tarefas de reconhecimento de palavras, medidas pelo tempo de reao, atravs do computador. Dentro de cada experimento existia uma diviso de categorias de palavras, onde foi feita uma anlise intra-grupo atravs da anlise da varincia. Nesta anlise, os resultados no demonstraram uma diferena significativa. Foi feita tambm uma anlise inter-grupo, utilizando o teste-T. Desta vez, a diferena entre os experimentos foi significativa. Estes resultados mostram que a existncia do modelo hipottico dos nodos emocionais, ainda pouco explorada, no deve ser desprezada.

 

Palavras-Chave

Psicologia da emoo, processamento de informao, priming.

 

 

 

I - Introduo

 

O estudo da relao entre emoo e cognio um assunto atual, apesar da sua origem ter se iniciado por volta de 1884 com William James (1894/1994) que propunha que a experincia consciente seguia-se s reaes do corpo, as quais so reaes mais ou menos automticas aos estmulos do meio ambiente.

Em geral, a relao entre emoo e cognio considerada sob o ngulo de duas concepes distintas (IZARD; KAGAN; ZAJONC, 1984). A primeira concepo prope a presena de dois sistemas separados. Um sistema emocional distinto do cognitivo que trataria a informao afetiva e influenciaria um comportamento independentemente dos processos cognitivos.

Zajonc (1984) se esfora em demonstrar que os sistemas emocional e cognitivo so relativamente independentes. No necessitando a reao afetiva obrigatoriamente de uma fase anterior de avaliao cognitiva. Nas palavras de Zajonc (1984): o afeto e a cognio so sistemas separados e parcialmente independentes e (...) mesmo que em geral funcionem conjuntamente, o afeto poderia ser gerado sem um processo cognitivo anterior (p. 259). Isto significa que a reao afetiva possui caractersticas que lhe assegura uma caracterstica distintiva em relao cognio.

A segunda concepo postula a existncia de um nico sistema para a emoo e cognio. Nesta tica, a emoo constitui um fator no ncleo da cognio e do tratamento da informao. Um dos defensores desta concepo Lazarus (1991) que, a partir dos resultados experimentais, salienta que uma avaliao cognitiva sempre precede qualquer reao afetiva e que aquela, no necessariamente, envolve um processo consciente.

Sob a tica da Cincia Cognitiva, os sistemas emocionais e cognitivos so representados atravs dos modelos de rede associativa. Note-se que a presena de estudos que integram a varivel emocional e a cognitiva no pouca. Todavia o nmero de investigaes que se adaptam aos modelos da Cincia Cognitiva modesto. Estes poucos estudos podem ser justificados pela natureza da emoo e pela atualidade das pesquisas na psicologia cognitiva baseada no processamento da informao.

Um dos modelos de rede associativa mais importante foi proposto por Bower, pesquisador que introduz na psicologia da emoo uma concepo do processamento cognitivo. Segundo Bower (1981), a memria comporta uma rede de nodos relacionados, alguns deles constitudos de emoes. Cada nodo emocional ligado a outro e, quando existe a ativao de um desses nodos emocionais, isso se difunde em uma parte da rede. Alm disso, quando existe concordncia entre o contedo emocional de uma informao a ser tratada e o estado emocional do sujeito procedendo ao tratamento, se produz uma superativao do nodo emocional pertinente. Uma conseqncia deste ltimo fenmeno seria um fortalecimento da relao entre o nodo emocional e a quantificao na memria da informao tratada, onde haveria uma melhor lembrana dela. Gilligan e Bower (1984) trazem vrios resultados experimentais a respeito de pesquisas inspiradas nessa teoria. A rede associativa supe que cada emoo distinta como a alegria, tristeza ou medo tem um nodo representacional especfico ou unidade na memria que rene muitos outros aspectos da emoo que so conectados atravs de arcos associativos. Portanto, cada nodo uma unidade nesta rede, sendo cada emoo um nodo diferente.

Cada ativao nica, desaparecendo da memria de trabalho logo que o foco temtico modificado. A conseqncia da ativao extinguir-se (depois que uma situao evocada removida) pela natural propagao do processo. Os nodos emocionais podem ser distinguidos pela quantidade de excitao que eles transmitem na rede associativa.

Nesta concepo, a emoo seria uma entidade que teria um funcionamento separado em relao cognio, embora em interao. A teoria de Bower oferece Cincia Cognitiva um modelo ao estudo da emoo. Alm disso, este modelo traz contribuies no sentido de possibilitar conduzir estudos no campo da emoo atravs de medidas j utilizadas no processamento cognitivo. O priming ou tcnica da amoragem uma medida eficaz que permite quantificar, atravs do tempo de reao, a organizao dos conceitos e emoes na rede associativa. A idia bsica representada por um modelo hipottico, onde existe uma rede associativa nodal, em que cada nodo representa um conceito ou emoo, de forma a se interligarem.

O priming teve sua origem nos estudos sobre organizao da memria semntica como conseqncia dos modelos elaborados por Collins e Quillian (1969) e Collins e Loftus (1975). O teste das hipteses destes modelos pela experimentao favoreceu o desenvolvimento de medidas cronomtricas, atravs do tempo de reao.

H algum tempo, Meyer e Schvaneveldt (1971) mostraram que o tempo necessrio aos sujeitos para decidir se uma cadeira de caracteres corresponde a uma palavra abreviado se a apresentao de uma palavra-teste precedida de outra que tem uma relao associativa de natureza semntica. Esta palavra que apresentada antes da palavra-teste considerada o priming. Ela aparece com muita brevidade para ser registrada no nvel consciente, de modo que o sujeito no consegue identificar se viu ou no viu a palavra. No priming, determinados indcios e estmulos parecem ativar as rotas mentais que aumentam o subseqente processamento cognitivo das informaes relacionadas.

Para compreender melhor, Sharkey e Sharkey (1992) exemplificam que, se num experimento apresentado a palavra enfermeira e, logo em seguida, a palavra mdico, o tempo de reao de associao destas duas palavras menor se for apresentado a palavra manteiga e, em seguida, mdico. O que se pode concluir deste exemplo que a percepo do priming (a primeira palavra que aparece) ativa o nodo na memria; esta ativao se difunde para as unidades que lhe so associadas de forma que, antes da apresentao da palavra-teste, o nodo na memria se encontra em um estado de pr-ativao. Por conseqncia, uma vez apresentada a palavra-teste, ela necessita de menos tempo (menor tempo de reao) para ser tratada. Neste sentido, o priming serve como facilitador ao tratamento da informao que a segue, reduzindo o tempo de resposta. Deste exemplo verifica-se que as palavras enfermeira e mdico tm laos conectivos muito mais fortes que manteiga e mdico. Mais uma vez, isso pode ser certamente concludo atravs da diferena de tempo de reao entre os pares de palavras.

O priming representa um avano na quantificao do processamento cognitivo e na representao da emoo. Umas das vantagens da sua utilizao o fato de ser uma medida automtica, no envolvendo controle consciente, exigindo pouco ou nenhum esforo ou mesmo inteno do sujeito e ocorrendo relativamente rpido (RATCLIFF; MCKOON, 2001 e STERNBERG, 2000). Muitas pesquisas atuais tm sido desenvolvidas utilizando o priming em estudos sobre a emoo e processamento cognitivo (BESSENOFF; SHERMAN, 2000, GAWRONSKI, 2002, HANDLEY; LASSITER, 2002, GREENWALD; NOSEK; BANAJI, 2003, FAZIO; OLSON, 2003). Este trabalho tambm utilizou esta tcnica atravs da conduo de dois experimentos que procuravam representar a independncia ou no da emoo e do processamento cognitivo.

Os primings que ativaram os nodos emocionais foram os nomes das emoes que se pretendeu induzir: alegria e tristeza; j os primings que ativaram os nodos cognitivos foram idias relacionadas ao texto que se apresentou como: cura, doena. A seguir, uma tarefa de tempo de reao foi sugerida. Deste modo, foram propostos dois experimentos, onde o primeiro procurou descrever o modelo de rede emocional e cognitivo independentes e, o segundo, o modelo de rede das emoes vinculado ao cognitivo.

Visto a controvrsia diante da independncia ou no dos sistemas emocional e cognitivo, este trabalho se envolve com as seguintes questes: O tempo de reao seria menor no experimento representativo da emoo dependente da cognio ou o modelo representativo destes sistemas independentes? E ainda, qual a influncia do tipo de priming, congruente (se priming positivo, texto positivo; se priming negativo, texto negativo) ou incongruente (se priming positivo, texto negativo; se priming negativo, texto positivo) no tempo de reao?

 

 

II- Metodologia

 

 

Sujeitos

 

Os experimentos foram realizados com 42 participantes 21 para o experimento 1; 21 para o experimento 2. Esses sujeitos eram de ambos os sexos, com idade variando entre 17 e 62 anos, cursando ou tendo concludo o nvel superior, moradores da cidade do Rio de Janeiro, de nacionalidade brasileira, portuguesa ou moambicana e tendo como lngua materna, a portuguesa

 

 

Instrumentos e Procedimento

 

Foi desenvolvido um programa de computador para medir o tempo de reao. O programa era em linguagem Pascal para plataforma PC compatvel que gravava o tempo de reao a partir do aparecimento da palavra-teste at o sujeito apertar uma tecla do computador, o que media o seu tempo de resposta.

O experimento 1 e o experimento 2 se desenvolveram com o sujeito junto ao computador. Os dois experimentos tiveram aplicao individual. Antes do incio dos experimentos, apareciam 3 telas para que os sujeitos escrevessem seus dados pessoais e as instrues do experimento: Voc ver um texto na tela do computador para ler. Conforme voc for lendo, as palavras do texto iro desaparecer uma a uma. Aps a apresentao do texto, voc ver duas palavras a primeira aparecer muito rapidamente e a segunda ficar na tela at que voc faa o seguinte:

A sua tarefa consiste em identificar se a segunda palavra que aparece tem uma relao de significado com o texto que voc leu. Voc tem que responder o mais rpido possvel, porm, sem erro. No teclado do computador, h duas indicaes de V (verdadeiro) e F (falso). Se a palavra que voc leu tem relao com o texto lido anteriormente, voc deve apertar a tecla V; caso a palavra no tenha relao com o texto lido, voc dever apertar a tecla F. Ateno: voc s deve responder ao aparecimento da segunda palavra que aparece e que ficar na tela do computador at voc apertar alguma tecla.

 

 

Experimento 1

 

Os sujeitos foram submetidos a 16 textos, todos de 5 frases, contendo de 48 a 59 palavras, descrevendo temas de forte impacto emocional. Os textos tiveram contedo positivo (8 dos 16 textos) ou negativo (8 dos 16) e objetivaram induzir emoes alegres e tristes, respectivamente. O texto sempre era apresentado numa janela progressiva de forma que as palavras do texto apareciam uma a uma e, quando a stima surgia, a primeira se apagava e assim sucessivamente.

O primeiro texto era apresentado ao primeiro sujeito da pesquisa e, em seguida, o priming aparecia por 300 milsimos de segundos e, logo depois, a palavra-teste. A palavra-teste ficava na tela do computador at o sujeito executar o que as instrues determinavam. Assim que o sujeito respondia, o prximo texto aparecia e, assim sucessivamente. Fez-se assim at o sujeito passar pelos 16 textos e todos os pares de palavras (amora e teste).

Os primings do experimento eram sempre os mesmos: alegria, tristeza e neutro, pois tinha como objetivo ativar nodos emocionais.

 

Experimento 1 quanto Congruncia e Incongruncia

 

No experimento 1, os primings podiam ter congruncia ou incongruncia com o texto. Estabeleceu-se como congruncia quando o priming tinha o mesmo sentido que o texto e incongruncia quando o priming tinha sentido oposto ao texto. Por exemplo, se o texto pretendia induzir uma emoo alegre, o priming congruente era alegria e incongruente, tristeza; se o texto pretendia induzir uma emoo triste, o priming congruente era tristeza e o incongruente, alegria. Alm disso, existiam tambm os primings neutros. No caso do experimento 1, o priming que representava essa categoria era sempre neutro. Assim, esperava-se que os primings congruentes com o texto tivessem menor tempo de reao, seguida do grupo de neutro e, por ltimo, os primings e textos incongruentes. Todos os sujeitos da pesquisa eram submetidos aos trs casos e havia um balanceamento no nmero desses casos para cada um.

 

 

Experimento 2

 

O experimento 2 foi idntico ao experimento 1 exceto pelo seguinte procedimento: enquanto no experimento 1 os primings eram tristeza, neutro e alegria, no experimento 2, elas tinham carter cognitivo por exemplo, doena, limpeza, cura, pois tinham como objetivo ativar nodos cognitivos vinculados aos emocionais.

 

 

Experimento 2 quanto Congruncia e Incongruncia

 

Assim como no experimento 1, no experimento 2, os primings tambm podiam ter congruncia ou incongruncia com o texto. A diferena era o carter cognitivo dos primings. Por exemplo, se o texto pretendia induzir uma emoo alegre, o priming congruente era cura; enquanto que o priming incongruente era doena. Alm disso, tambm existiam os primings neutros. No experimento 2, os primings neutros eram palavras que no tinham nenhum tipo de impacto emocional, como, por exemplo, limpeza.

Da mesma forma, esperava-se que os primings congruentes com o texto tivessem menor tempo de reao, seguida do grupo de neutro e, por ltimo, os primings e textos incongruentes.

 

 

III- Anlise e Discusso de Resultados

 

 

1. Experimento 1 e 2: comparao de tempos de reao

 

Neste item de anlise, os tempos de reao dos dois experimentos foram comparados com o objetivos de verificar a independncia entre a emoo e cognio (experimento 1) ou a dependncia destes sistemas (experimento 2).

 

 

Tabela 1

Estatstica Descritiva e Teste - T para amostras independentes

EXPERIMENTO

Mdias em

milsimos de segundo do Tempo de Reao

N

(n de tempos de reao dentro de cada grupo)

Grau de Liberdade

T

Sig.

1

4860.6

336

670

-1.991

.047

2

7263.3

336

 

 

 

Total

6061.9

672

 

 

 

 

Na anlise das mdias, nota-se um valor maior no experimento 2 (7263.3) que no experimento 1 (4860.6). Para grau de liberdade 670, nvel de significncia 0.05 e T calculado -1.991, o teste estatstico indicou uma diferena entre os grupos, na direo do experimento 1, ou seja, a favor do sistema emocional e cognitivo independentes. Isto significa que a hiptese da existncia dos nodos emocionais, ainda pouco explorada, no deve ser desprezada. Isto pode ser dito porque o tempo de reao menor no experimento 1 (experimento de ativao dos nodos emocionais independente do cognitivo) que no experimento 2 representa uma medida em funo dos nodos percorridos na rede de memria ou ainda a sua freqncia de ativao. Esta idia baseada no preceito fundamental do tratamento da informao, cujas diferentes partes do processamento consomem tempo de modo serial e aditivo. aceito, por este referencial terico, que os processos na memria podem ser decompostos em unidades ou operaes mais simples, visando a representao de uma rede. Na comparao dos dois experimentos, o sistema emocional parece funcionar independente do processamento cognitivo.

 

 

2. Experimento 1: comparao quanto Congruncia e Incongruncia

 

A anlise da varincia foi calculada para a comparao entre os 3 grupos (congruente, incongruente e neutro) de primings do experimento 1. Em cada grupo havia um total 112 tempos de reao.

 

Tabela 2

Estatstica Descritiva e Anlise da Varincia Experimento 1

GRUPO

Mdias em

milsimos de segundo do Tempo de Reao

N

(n de tempos de reao dentro de cada grupo)

Grau de Liberdade

F

Congruente

4097.9

112

Entre os Grupos: 2

.329

Incongruente

5525

112

Dentro dos Grupos: 333

Sig.

.720

Neutro

4958.9

112

 

 

Total

4860.6

336

332

 

 

A estatstica descritiva para o experimento 1 aponta uma diferena de mdias para os trs grupos. A maior mdia a do grupo dos incongruentes (5525); a segunda, do grupo dos neutros (4958.9); a terceira, o grupo dos congruentes (4097.9), o que estaria a favor da hiptese enunciada sobre a diferena de tempo entre esses grupos.

A tabela acima tambm mostra o valor do F encontrado (ou calculado) .329. Assim, o F crtico (ou tabelado) de 2.99. Como resultado, deve-se aceitar a hiptese nula, a hiptese de igualdade entre as mdias. Neste sentido, no existe uma real diferena entre os grupos, constitudos por congruentes, incongruentes e neutros no experimento 1.

 

3. Experimento 2: comparao quanto Congruncia e Incongruncia

 

A anlise da varincia foi calculada para a comparao entre os 3 grupos (congruente, incongruente e neutro) de primings do experimento 2.

 

Tabela 3

Estatstica Descritiva e Anlise da Varincia Experimento 2

GRUPO

Mdias em

milsimos de segundo do Tempo de Reao

N

(n de tempos de reao dentro de cada grupo)

Grau de Liberdade

F

Congruente

8738.9

112

Entre os Grupos: 2

1.082

Incongruente

7709.5

112

Dentro dos Grupos: 333

Sig.

.340

Neutro

5341.4

112

 

 

Total

7263.3

336

332

 

 

A anlise descritiva do experimento 2 apresenta a maior mdia para o grupo dos congruentes (8738.9), seguida do grupo dos incongruentes (7709.5) e do neutro (5341.4). Neste caso, as mdias esto representando o inverso da hiptese sobre a ordem crescente de tempo de reao nos grupos (congruentes, neutros, incongruentes).

Ao nvel de significncia 0.05, sendo o F encontrado (ou calculado) 1.082 o F crtico (ou tabelado) de 2.99. Logo, pode-se concluir que tambm no experimento 2, no existe uma diferena significativa entre os grupos: congruente, incongruente e neutro.

Tanto no experimento 1 como no experimento 2, a diferena entre os grupos quanto congruncia ou incongruncia no foi significativa. O que se esperava era que o tempo de reao do grupo dos congruentes fosse menor, seguido do neutro e, por ltimo, o grupo dos incongruentes. Neste sentido, algumas reflexes devem ser apreciadas.

Primeiro, a no diferena entre os grupos pode ser atribuda construo dos textos e as combinaes das palavras (priming e palavra-teste). Talvez os primings no tenham traduzido o sentido (congruente, incongruente ou neutro) que o texto pretendia revelar. Por exemplo, ao invs de determinados textos transmitirem uma idia de tristeza, pode ter conduzido idia de medo, fazendo com que a pr-ativao (priming) fosse incompatvel em sentido com o texto lido. Seria necessria uma anlise de cada texto e seus respectivos tempos de reao para uma defesa mais consistente.

Segundo, os textos podem no ter atingido seu objetivo, que era causar um impacto emocional pelo seu contedo. Podem ter sido levados em considerao como muito fictcios, impedindo o participante de se colocar na histria, imaginando-se dentro dela. Um fator que pode ter contribudo para isso foi a grande quantidade de textos.

Alm disso, pode ter ocorrido fadiga nos sujeitos em cumprir a tarefa, pois o experimento tornou-se muito longo.

De qualquer forma, interessante notar que a questo da relao entre emoo e cognio permanece de forma to acalorada como nos tempos de William James. Embora, hoje em dia, o debate entre os defensores da independncia e outros da dependncia destes fenmenos ainda exista, uma afirmao pode ser feita: ambos so sistemas em interao, no h dvida. A questo maior reside no fato de saber se so distintos (independentes) ou no (dependentes), mas a interao deles indiscutvel.

Nas pesquisas atuais, principalmente atravs das contribuies da neurocincia, existe uma tendncia a apostar na distino destes sistemas. Isso porque, alguns estudos comprovam (LE DOUX, 1994, 2001) que os mecanismos cerebrais por meio dos quais as memrias do significado emocional dos estmulos so registradas, armazenadas e recuperadas, diferem dos mecanismos que processam a memria cognitiva dos mesmos estmulos.

Por enquanto, possvel dizer que emoes e cognies interagem e que os mtodos da cincia cognitiva, como o priming, podem muito servir para o esclarecimento desta rea fundamental Psicologia.

 

 

 

Referncias Bibliogrficas

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Abstract

The goal of the present work is to study the field of psychology of emotion and of cognitive psychology, within the data processing framework. To accomplish this research, a total of 42 individuals took part of it, and two experiments were done and compared: the former activated emotional nodes; the latter activated cognitive nodes. Both were set with priming and had tasks of word recognition, measured by time of reaction, using a computer. Within each experiment there was a division of word category, where was done an intra-group analysis through the variance analysis. In this analysis, no significant difference was shown by the results. In addition, an inter-group analysis was done using T-test. In this case, the difference between experiments was significant. These results show that the existence of hypothetic model of the emotional nodes, still little explored, does not have to be rejected.

 

Keywords

Psychology of emotion, data processing, priming.

 

 

 

Recebido em: 10/11/2004

Aceito para publicao em: 05/10/2005

E-mail: marasizino@yahoo.com.br; absoares@posgrad.nce.ufrj.br; moratori@posgrad.nce.ufrj.br



* Psicloga, Mestre em Psicologia, Prof auxiliar do Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitao (IBMR) e da Universidade Santa rsula (USU).

** Psicloga, Doutora em Psicologia, Prof Adjunta da Universidade Gama Filho (UGF), Prof Titular da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), Prof Adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

*** Bacharel em Informtica, Mestrando em Cincia da Computao pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)



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