ESTUDOS E PESQUISAS EM PSICOLOGIA, UERJ, RJ, ANO 5, N.1, 1 SEMESTRE DE 2005

Artigo


As Indicaes das Crianas sobre uma Edificao Adaptada para a Educao Infantil

Childrens Indications about a Space Adapted as a Kinden Garden


 

 

Liana Gonalves Pontes Sodr

 

 

Resumo

As edificaes esto cada vez mais voltadas para atender s necessidades dos seres humanos e, neste sentido, este estudo teve por propsito analisar a qualidade do ambiente de uma escola adaptada para funcionar como um espao de Educao Infantil. Trata-se de um estudo exploratrio, junto a crianas de quatro a seis anos. Elas expressaram, atravs de desenhos e de explicao/descrio, seus desejos e necessidades do ambiente educacional. Os desenhos e as explicaes ou descries produzidas pelas crianas foram analisados e suas respostas foram ordenadas de forma sinttica e objetiva, formando categorias. Nestas, constatam-se: nfase no ambiente externo, contato ou estudos sobre animais, nos elementos para diverso, brinquedos e brincadeiras, mas tambm interesse pelos recursos materiais que tradicionalmente compem os espaos pedaggicos. Independentemente da faixa etria, este estudo confirma que as crianas, como usurias, so capazes de discriminar aspectos relevantes para o seu processo de desenvolvimento. Alm disso, pode-se afirmar que elas, nos espaos de educao pblica, nem sempre esto freqentando ambientes com a qualidade construtiva indicada pelos estudiosos da rea de engenharia, arquitetura e psicologia.

 

Palavras-chave

Criana; Educao Infantil; edificaes escolares.

 

 

 

Em grande parte do tempo de vida dos seres humanos, eles ficam restritos em edificaes, cuja funo, originalmente, era fornecer abrigo e proteo. Porm, atualmente, nos ambientes construdos que as pessoas vivem, trabalham, estudam e realizam grande parte das atividades do seu dia-a-dia.

Estudiosos como Satier e Reis (2003) vm pesquisando o que eles definem como construes sustentveis. Nos trabalhos desenvolvidos por tais autores, nota-se grande preocupao com aspectos construtivos, pois levam em conta: as condies climticas da regio; a insolao nos horrios desejados e de acordo com as estaes; a orientao compatvel com os ventos dominantes, de inverno a vero; a iluminao natural adequada, evitando as despesas com a iluminao artificial; at a captao de guas das chuvas, direcionadas para descargas de vasos sanitrios e jardins, favorecendo o bom uso das guas tratadas. Complementando, preconizam um conceito de habitao sustentvel com o objetivo de estimular a elaborao de propostas voltadas para as questes energticas e ambientais, compatveis com as diferentes realidades brasileiras e o princpio do Desenvolvimento Sustentvel. Cabe ressaltar que este movimento decorrente das crticas s transformaes econmicas, polticas, sociais e culturais, que esto baseadas na lgica do sistema capitalista de produo, e tm agravado cada vez mais as crises sociais. Neste sentido, Tomasoni & Tomasoni (2002, p. 310) afirmam que os ndices de pobreza e misria das populaes dos pases em desenvolvimento e/ou subdesenvolvidos esto provocando a insustentabilidade do planeta, pois [...] desenvolvimento que no se sustenta no desenvolvimento.

Souza (2003) argumenta que o conceito de Desenvolvimento Sustentvel tem por propsito recuperar os valores humanos e a tica, destrudos pelos princpios injustos da economia convencional. Acrescenta ainda que, desde a Conferncia de Estocolmo, em 1972, foram elaborados importantes documentos, como a proposio de uma Agenda de Desenvolvimento para o Sculo XXI, construda por diferentes pases, inclusive o Brasil. Destaca-se, entre outros documentos, a Declarao de Estocolmo, que estabelece que todo e qualquer ser humano tem direito liberdade, igualdade e a uma vida digna e de qualidade, ficando responsvel pela preservao do meio para as geraes futuras.

Atentos a esses princpios, as tecnologias habitacionais sustentveis, segundo Satier e Reis (2003, p. 3), procuram estar voltadas, entre outras coisas, para o [...] dimensionamento racional dos espaos funcionais, de acordo com necessidades e aspiraes dos usurios.

Tambm com a mesma preocupao, Ornstein (1995) descreve nos seus estudos que as edificaes esto cada vez mais voltadas para atender s necessidades dos seres humanos. Um exemplo disso o estudo de Souza (2003), que faz uma anlise da qualidade do ambiente de uma creche e suas influncias no comportamento e desenvolvimento da autonomia de crianas de 2 a 6 anos de idade. A autora, preocupada com a qualidade da edificao destinada creche, aplicou o mtodo de Avaliao Ps-Ocupao (APO), e, entre suas sugestes e concluses, destacamos o seguinte: as questes mais crticas da construo em estudo referem-se ao conforto trmico (temperatura elevada no interior dos ambientes) e luminosidade (janelas e clarabias com aberturas insuficientes). Por outro lado, os dados deixaram evidente que a qualidade construtiva auxilia a proposta pedaggica, posto que ela favorece o desenvolvimento da autonomia de seus usurios as crianas. As dimenses, nos diferentes espaos, facilitam o acesso a materiais e ao uso das instalaes. So arranjos espaciais coerentes com as atividades planejadas para cada ambiente, contribuindo de modo efetivo para o projeto de desenvolvimento infantil da instituio em foco. Vale destacar que, neste estudo, a APO foi aplicada junto s crianas, reconhecidas como informantes qualificadas para tal fim, e suas anlises, como usurias, deram contribuies relevantes para o trabalho.

Malard e outros (2003) esto tambm afinados com as preocupaes de Souza, quando reconhecem que produzir edificaes de boa qualidade tem sido o objetivo de pesquisadores brasileiros, desde a dcada de 60 do sculo passado. Segundo eles, muitos tm procurado desenvolver uma abordagem fenomenolgica para avaliao do uso do espao, com vistas identificao de parmetros para projetos futuros. um referencial que, associado s tcnicas de computao grfica e de multimdia interativa, tem contribudo para superar as dificuldades com que os profissionais da construo civil (engenharia e arquitetura) se defrontam, quando se propem a desenvolver projetos com a participao dos futuros usurios. As duas questes bsicas para este trabalho so: como identificar as reais necessidades desses usurios e como viabilizar a participao deles ao longo da elaborao do projeto. Entendem que projetos baseados nessas duas questes tm mais chance de produzir ambientes compatveis com as necessidades e interesses dos que deles vo usufruir, de forma que se identifiquem e se sintam participantes e co-responsveis pelo empreendimento.

Para os autores, compreender os desejos e as aspiraes dos usurios dos imveis uma questo terica a ser enfrentada. Se partirmos do pressuposto de que o espao parte importante na mediao das relaes sociais, facilitando, dificultando ou condicionando acontecimentos, pode-se afirmar que o espao arquitetnico no neutro com relao ao fato social. Por conseguinte, com base nestas questes, Malard e outros concluem que a apropriao do espao construdo por seu usurio um indicativo de que est havendo o uso devido ou apropriado deste local.

Todos os estudos apresentados at aqui demonstram a preocupao com a formao de profissionais atentos s necessidades e qualidade de vida dos seus clientes. Observa-se um cuidado com os aspectos ambientais, regionais, socioculturais e uma ateno especial com as reais necessidades dos usurios. Eles so fontes seguras para a indicao do que Malard e outros chamam de conflitos arquitetnicos. Os usurios esto aptos a realizar leituras espaciais que denunciam esses conflitos, contribuindo para o desenvolvimento de projetos coerentes com os contextos dos diferentes substratos socioeconmicos ou com anlises sobre ambientes j construdos.

Portanto, esses trabalhos confirmam a necessidade de aumentar a participao dos usurios no processo de avaliao das edificaes, a partir da compreenso do que est sendo pleiteado, buscando uma boa condio de funcionabilidade.

 

A Avaliao dos Usurios de uma Escola de Educao Infantil

 

A Engenharia, a Arquitetura e a Psicologia Ambiental esto colocando em evidncia a importncia da busca de uma melhor qualidade de vida, atravs das anlises das relaes nos ambientes construdos e naturais. De acordo com Azevedo e Bastos (2002), aprende-se atravs das aes e, com elas, os conhecimentos vo sendo sistematizados no processo de interao com o ambiente. O espao fsico o domnio onde a criana vivencia suas relaes sociais, interagindo com este e dividindo nele o processo de construo das idias nos dilogos, debates e jogos. Realiza, atravs da experimentao, a oportunidade para desenvolver e organizar seus pensamentos. O primeiro espao em que a criana vive uma experincia coletiva, depois do familiar, a escola. Assim, atravs das experincias nestes ambientes que ela comea a definir limites e territrios e as vivncias de deslocamento so de vital importncia para o desenvolvimento de suas habilidades.

O MEC (BRASIL, 2004a) publicou um documento com orientaes gerais, como uma proposta para ampliao do Ensino Fundamental para nove anos. Um dos pontos para reflexo que embasam esta orientao destaca o que se denomina a estrutura espacial (p. 9) da escola. Utiliza-se esta terminologia e enfatiza-se que a organizao espacial das escolas precisa favorecer aes construtivas entre os diferentes atores da educao. Acrescenta-se que o planejamento dessa estrutura deve facilitar o agrupamento dos alunos, a dinamizao das aes pedaggicas, o convvio com a comunidade e a reflexo dos professores. Conclui-se que a escola deve ser inclusiva e, para tanto, sugerem transformaes [...] na estrutura da escola, na reorganizao dos tempos e espaos escolares, suas formas de ensinar, de aprender, de avaliar [...] (p. 11).

Em outra publicao, elaborada em prol dos direitos das crianas de 0 a 6 anos, o MEC (BRASIL, 2004b) afirma que a Educao Infantil tem sido reconhecida pela sua importncia no sistema de ensino do Pas. Esta nova condio fruto da presso dos movimentos sociais e da insero feminina no mercado de trabalho. Reconhece que, embora a Educao Infantil tenha mais de um sculo, s h poucos anos ela vem se afirmando como um direito das crianas e dos pais e, conseqentemente, como um dever do Estado. Ultrapassou a funo assistencialista ou de carter compensatrio para um status educacional, no qual a criana, como sujeito de direito, vista a partir de sua prpria cultura e do seu meio social, como um ser capaz de estabelecer mltiplas relaes e criador de uma cultura que lhe peculiar.

Assim, tanto na perspectiva dos tericos e legisladores, quanto na prtica, a escola se afirma cada vez mais como um ambiente fsico e social que proporciona conhecimento, participao e interao com seus usurios, num processo permanente na relao sujeito-objeto-ambiente. O espao destinado criana deve ser organizado de acordo com as necessidades definidas por elas. Isto far com que haja interao maior entre a criana e o ambiente, pois ele deve proporcionar liberdade, experimentao e favorecer o "brincar" coletivo e as interaes interpessoais.

Segundo Azevedo e Bastos (2002), o ambiente escolar deve oferecer boas condies construtivas, fortalecendo as relaes pessoa/ambiente e, exemplificando, elas enfatizam que edificaes abafadas, midas e mal ventiladas contribuem para a reduo da ateno, entre outras coisas. No projeto arquitetnico, a organizao do espao deve ser de integrao de vrios ambientes, facilitando a construo da idia de conjunto e da totalidade das partes. Destinar espaos s brincadeiras e aos jogos infantis em reas interna e externa importante para o ensino e a aprendizagem e estes espaos devem ser compatveis com a idade das crianas. O mobilirio deve ser claro e alegre, pois a cor refora o carter ldico e estimula os sentidos e a criatividade, e, nos ambientes de recreao, podem ser usados tons mais fortes. No ambiente interno, elas acrescentam que deve ter uma variedade de materiais de acabamento como: objetos speros, lisos, duros, macios, cheiros e sons diversos, porm com a utilizao de paredes e pisos lavveis.

Souza (2003), a partir de seus estudos, prope que o espao educacional deve ser planejado e construdo visando a influncia que este proporcionar s interaes e ao desenvolvimento da autonomia das crianas e, por isso, preciso ouvi-las tambm. Em seu trabalho analisou, atravs de desenhos elaborados pelas crianas, a opinio delas e constatou que os desenhos podem ser grande fonte de informao, principalmente nas faixas etrias em que as crianas no possuem ainda uma maior amplitude de vocabulrio. Nas suas concluses, ressalta que importante para o ambiente educacional a preocupao com a satisfao de seus usurios e, desta forma, abre a possibilidade para a participao das crianas. Desenvolver-se num ambiente educacional que no se preocupa com esses detalhes construtivos pode levar as crianas a sentirem-se inapropriadas ao local, pois todo indivduo sente a necessidade de apropriao do seu espao.

Para Souza (2003), um local bem edificado pode contribuir para o desenvolvimento e a autonomia da criana e a conscientizao dos educadores sobre a importncia dos arranjos espaciais. Esta sugesto pode ser complementada pelas proposies de Sager et al. (2003), quando afirmam que o ptio da escola deve ampliar a diversidade de espao e oportunidades para diferentes tipos de brincadeiras, pois a criana, ao brincar em ptios definidos e com variedades de opes de atividades, concentra-se mais, o que pode contribuir para um ambiente mais tranqilo, sem agresses e conflitos. Quanto qualidade do ptio, acrescenta, ainda, que este deve ter rvores, arbustos, grama, ladrilhos, areia, e um galpo com material solto (cordas, bolas, sucata). Por fim, argumenta que o ptio muito importante no desenvolvimento infantil, pois onde tm lugar as interaes com o grupo, atravs das brincadeiras.

Santana (2000) tambm dedicou seus estudos anlise do espao educacional. Neles, analisou a influncia da organizao do ambiente fsico sobre o desenvolvimento das crianas e como ele repercute nas atividades e na interao professor/criana, de modo que ajude a promover resultados mais significativos. Chama ateno de que nem todo processo interacional garante uma boa condio para o desenvolvimento das crianas, pois existem consideraes especficas para que isto ocorra. Para tanto, destaca que os elementos disponveis, as caractersticas do espao fsico dos ambientes educacionais e a forma como o educador prepara este espao podem favorecer ou dificultar comportamentos sociais de interao e aprendizagem. Afirma, ainda, que o professor tem um papel relevante nos arranjos do local onde atua, fazendo com que este esteja de acordo com seus objetivos pedaggicos, pois importante para a promoo da interao entre as crianas e para que os objetivos sejam alcanados.

Santana ressalta tambm que os espaos fsicos podem ser organizados de acordo com as necessidades e experincias de cada turma, sendo modificados quando necessrio, em funo de interesses manifestados pelas crianas. Alm disso, as condies oferecidas pelo ambiente fsico devem ter um contexto de: afetividade, entre os adultos e as crianas; interesse, para realizar atividades com elas; e disponibilidade, para interagir e brincar com elas, tornando, assim, o ambiente educativo e construtivo.

Elali (2003) afirma que, ultimamente, tem sido dada maior ateno s reas livres das escolas, tanto na quantidade como na qualidade. Ela atribui este cuidado com os espaos abertos para brincadeiras por dois motivos: o adensamento das reas urbanas e a preocupao com a segurana. Alm disso, ela acrescenta que eles favorecem o desenvolvimento da psicomotricidade ampla (correr, pular, exercitar-se) e a participao em jogos e brincadeiras, bem como um maior contato com a natureza. Porm, verificou que as reas construdas, apesar dos planos diretores das cidades, tm ocupado at 80% do terreno. A Secretaria da Educao, Cultura e Desporto do Rio Grande do Norte indica uma ocupao mxima de 1/3 da rea ou, no mnimo, uma rea livre de 3 m2/aluno e ressalta que as normas do FUNDESCOLA (BRASIL, 1993) prope o uso de apenas 50% do lote. Verificou, nos seus estudos, que as escolas no atendem aos patamares sugeridos e isto vem indicando uma fiscalizao pouco eficaz destes aspectos.

Agier (1990) analisa que h relao entre aspectos do espao urbano com o status social. Para o autor, a estrutura urbana determina signos da posio social de cada classe e as instituies que as pessoas freqentam, bem como o bairro ou o local onde habitam. As categorias mais altas dispem de recursos que viabilizam a escolha das instituies mais caras, ou mais adequadas s suas necessidades, estejam estas prximas ou distantes de suas residncias. Por outro lado, as categorias socioeconmicas de mais baixa renda no dispem dos mesmos recursos e, por este motivo, muitas vezes deixam de utilizar bens e servios bsicos ou utilizam os que esto disponveis. Neste sentido, Kramer (2003) discute que a origem do problema se baseia numa desigualdade econmica estrutural, onde a distribuio de servios, tal como os da educao, tem contribudo para acentuar ainda mais as distncias sociais entre as classes sociais.

Crianas e jovens tm direito a um espao educacional, seja uma creche, pr-escola ou escola, de qualidade.

Todos os estudos citados at aqui servem para ilustrar a preocupao dos tericos e das instituies oficiais com a educao, contudo, como principais usurias da escola, as crianas tambm devem contribuir com suas indicaes e reflexes para uma anlise desse ambiente educacional. Independentemente da faixa etria em que se encontram, as crianas podem e devem participar ativamente do processo educacional a que est ou vai estar submetida. Assim, este trabalho se props a obter, junto s crianas de uma escola de Educao Infantil, informaes que pudessem contribuir para a avaliao do ambiente escolar que freqentam.

 

Mtodo

Trata-se de um estudo exploratrio, junto a crianas de quatro a seis anos, em uma escola de Educao Infantil da cidade de Teixeira de Freitas, que est localizada no extremo sul da Bahia, na regio conhecida como Costa do Descobrimento do Brasil.

 

 

As Crianas

 

Participaram do estudo 36 crianas, com idades variando entre quatro a seis anos de idade, sendo 16 de quatro anos, 14 de cinco anos e 6 crianas de seis anos. Esta faixa etria justificou-se pelos seguintes motivos: as menores podiam sentir dificuldades para reproduzir em desenhos ou em palavras seus desejos e intenes e as maiores de seis anos por estar fora da faixa etria atendida pelo projeto.

 

 

 

A Escola

 

Uma escola municipal de Educao Infantil de uma cidade de mdio porte do Extremo Sul da Bahia Teixeira de Freitas. A escolha desta escola explica-se porque, nesta cidade, muitas apresentam semelhana com ela, logo, a sua edificao pode ser representativa da qualidade do ambiente de Educao Infantil propiciada pela Prefeitura. Seus diferentes espaos podem ser assim sintetizados: a sala da Diretoria, com aproximadamente 6m; trs salas (cada uma, aproximadamente, com 24m), respectivamente, para as crianas de quatro, cinco e seis anos; uma cozinha; um ptio interno, coberto de, aproximadamente, 30m; um sanitrio feminino e um masculino. No h nenhuma rea descoberta com parquinho, grama ou caixas de areia. no ptio interno (30 m) que as crianas fazem as merendas ou refeies e, portanto, o nico espao disponvel fora da sala de aula. Nele, no encontramos brinquedos ou equipamentos para jogos e brincadeiras e, pelas dimenses, ele propicia condies apenas para a merenda.

 

 

Procedimento

Com a aquiescncia da Direo e em horrios e dias previamente planejados, efetuou-se o processo de produo dos dados. Como primeira atividade, as pesquisadoras realizaram uma conversa informal com as crianas sobre o espao fsico da Educao Infantil, preparando-as para olhar cuidadosamente para este, pois, em seguida, iriam elaborar desenhos de acordo com as instrues indicadas. Aps esta breve conversa, as crianas receberam papel e lpis de cera para desenhar, esclarecendo que elas iriam fazer dois desenhos. No primeiro, desenhariam o que mais gostam na escola e, no segundo, deveriam desenhar elementos que dessem sugestes de como deveria ser uma nova escola e o que ela deveria ter. Os dois pedidos justificam-se pelos seguintes motivos: 1) como elas j tinham experincia com o ambiente educacional, interessava saber se elas eram capazes de discriminar, na escola, os melhores ambientes ou recursos; 2) permitir que elas usassem a imaginao, a fim de propor coisas novas. Cabe esclarecer que, caso uma ou outra criana desejasse mais de uma folha de papel para desenhar, elas eram atendidas. Ao terminar os dois desenhos, cada uma, isoladamente, dirigia-se para uma das pesquisadoras e explicava os desenhos. Estes relatos foram transcritos em folhas de registro devidamente identificados e grampeados junto com os desenhos.

 

 

Os Recursos

 

Os instrumentos definidos para o estudo foram desenhos, solicitados s crianas, nos quais elas deveriam expressar algumas das caractersticas da escola. Aps os desenhos, cada criana descrevia os elementos reproduzidos ou os explicava. Portanto, alm dos desenhos, registraram-se, a partir das explicaes ou descries, os interesses e as proposies das crianas. Logo, foi suficiente levar folhas de papel sulfite branco, caixas de lpis de cera e duas Folhas de Registro para cada criana, apenas com um cabealho para sua identificao, ficando o espao restante para as transcries das falas de cada criana sobre cada desenho.

Cabe esclarecer que outros autores (SILVA, 2004; GRUBITS, 2003; LEITE, 2004) tm trabalhado as relaes entre a fala e o desenho das crianas como recursos mediadores para acesso cultura infantil.

Nos estudos de Preissler (2004), fica evidente que representaes grficas e palavras funcionam como smbolos que esto relacionados com os elementos do mundo que cercam as pessoas. A autora estudou crianas a partir de 18 a 30 meses de idade e, nas concluses apresentadas, constatou que, a partir de 30 meses, elas j estabelecem relaes entre representaes grficas e objetos do mundo real.

Para Vasconcellos e Santana (2004), a atividade humana inclui o uso de mediadores externos, ressaltando que Vygostsky, para explicar o processo de compreenso dos significados das coisas no mundo, dos outros e de ns mesmos, recorre aos conceitos de internalizao e de mediao. A internalizao implica a capacidade de reconstruir e interiorizar a realidade experienciada cotidianamente, mediada pelos elementos da cultura, num processo dialtico, desenvolvendo funes psicolgicas que vo dando significados aos elementos presentes nos contextos fsico, social e histrico de cada um. Com este propsito, alguns estudos esto sendo desenvolvidos para entender como as crianas esto vendo, entendendo ou incorporando os elementos do mundo que as cerca.

Gobbi (2002), procurando recorrer a meios e modos de acesso cultura infantil, prope que o desenho e a oralidade infantil podem ser compreendidos como reveladores das concepes das crianas sobre seu contexto social, histrico e cultural, pensados, vividos e desejados (p. 71). A autora demonstrou que as crianas, atravs de desenhos e das palavras usadas para descrev-los, exprimem o que pensam ou o que vem. Os seus trabalhos do indcios claros de que as expresses grficas associadas oralidade das crianas so recursos j utilizados em outras pesquisas e que tm demonstrado a possibilidade de uma produo de elementos ricos para acesso subjetividade infantil.

Kramer (2003, p. 98) enfatiza nos seus estudos que as escolas, pr-escolas e creches so espaos de circulao das culturas, no plural: das tradies culturais, costumes e valores dos diferentes grupos [...]. Acrescento a esta afirmativa a importncia da participao de todos os atores envolvidos no processo educacional (pais, alunos, professores e demais tcnicos e integrantes das comunidades escolares). E, assim sendo, cabe s polticas para a infncia procurar assegurar que o conhecimento produzido por cada parcela desta comunidade some, amplie, na perspectiva de se tornar de todos, e que tambm contribua para o desenvolvimento de todos, destacando que este estudo tem por objetivo dar voz s crianas sobre o espao educacional que freqentam.

Neste trabalho, ampliamos o conceito de espao educacional para contexto educacional. Apesar de reconhecer as diferentes possibilidades que o termo contexto suscita nos estudos da Psicologia do Desenvolvimento, neste estudo, ele est sendo utilizado com o propsito de abarcar, como afirma Lordelo (2002), a diversidade de aspectos que compem o conjunto de potencialidades e limitaes de determinadas circunstncias de vida de cada sujeito. Por isto, na medida em que solicitamos s crianas que desenhem o que mais gostam ou o que uma escola deveria ter, estamos propondo a elas uma perspectiva de anlise ampla do espao educacional, com o intuito de verificar os elementos que elas destacam do contexto como um todo.

 

Resultados e Discusso

 

Os desenhos e as explicaes ou descries produzidas pelas crianas foram analisados e suas respostas foram ordenadas de forma sinttica e objetiva, formando categorias. Cada uma delas foi identificada a partir de elementos congruentes, que propiciavam a identificao de pontos convergentes. Para melhor esclarecer, podemos citar que, na categoria ambiente externo e natureza, colocamos os seguintes elementos: cu, sol, estrela, arco-ris, nuvem, chuva, flor, planta, capim, p de rvore, grama, e p de coco.

Esta categoria ambiente externo e natureza foi a mais freqente nos desenhos das crianas, em todas as faixas etrias, a saber: 39,0 % (4 anos), 69% (5 anos), 32% ( 6 anos); estes dados podem ser vistos na Tabela 1. Com eles, fica aparentemente bvio que, numa escola onde no h rea aberta que a criana possa explorar, estes aspectos estejam em primeiro lugar no seu imaginrio. Ou seja, deixa evidente que, apesar de a escola no oferecer espaos abertos s crianas, elas se mostraram aptas a reconhecer a importncia destes, como objeto de desejo e necessidades.

 

Tabela 1

 

Distribuio simples e percentual das categorias identificadas a partir dos desenhos e das explicaes das crianas de 4 a 6 anos, no 1 desenho O que mais gostam na escola.

 

Categorias

Identificadas

4 anos

 

fi

 

 

f%

5 anos

 

fi

 

 

f%

6 anos

 

Fi

 

 

f%

Total

 

Fi

 

 

f%

Ambiente Externo e Natureza

 

32

 

39,0

 

58

 

69,0

 

15

 

32,0

 

105

 

49,3

Atividades ou Materiais Pedaggicos

 

8

 

9,8

 

4

 

4,8

 

16

 

34,0

 

28

 

13,1

Diverso, Brinquedos e Brincadeiras

12

14,7

2

2,4

7

14,8

21

9,9

Animais

2

2,4

8

9,6

3

6,4

13

6,1

Casa

5

6,0

6

7,1

3

6,4

14

6,6

Pessoas/Partes do Corpo Humano

 

16

 

19,5

 

_

_

 

3

 

6,4

 

19

 

8,9

Meios de Transporte

 

3

 

3,7

 

6

 

7,1

 

_

 

_

 

9

4,2

Outros

4

4,9

_

_

 

_

4

1,9

 

Total

 

82

 

100

 

84

 

100

 

47

 

100

 

213

 

100

 

Neste sentido, Azevedo e Bastos (2002) sobre a importncia, para o processo de ensino e aprendizagem, de se destinar espaos s brincadeiras. Acrescenta que estes ambientes tm que ter equipamentos em tons mais fortes que os dispostos nos ambientes internos. Sager et al (2003) demonstram, nas suas pesquisas, que o ptio da escola um espao importante e que ele deve oferecer diversidade de oportunidade para as brincadeiras variadas, pois nele que tm lugar as interaes com o grupo, a criatividade, a iniciativa, a autonomia e a explorao de significados e sentidos. Santana (2000) observa que a organizao de diferentes espaos contribui para o desenvolvimento e os processos interativos das crianas. A taxa de ocupao da construo atinge 100% do terreno, o que viola as indicaes dos tcnicos em edificaes e ultrapassa o percentual encontrado nos estudos de Elali (2003), que era de 80%.

Alm disso, completando o que dizem todos esses autores, h uma necessidade que ultrapassa o sentido educacional, pois a criana precisa de sol e ambiente aberto, em prol da promoo de sua sade. Estes so apenas exemplos de um grande nmero de estudos, que ressaltam a importncia de reas livres, com recursos adequados a jogos e brincadeiras. Sua ausncia permite questionar o modelo de ateno que est sendo propiciado a essas crianas, tendo em vista que os jogos e as brincadeiras nos ambientes abertos favorecem atividades e interaes importantssimas para as crianas. Elali chama a ateno para a quantidade, bem como para a qualidade das reas livres, diante do crescente adensamento das reas urbanas e que esta deve ser uma preocupao dos envolvidos com a Educao Infantil e das autoridades que definem e fiscalizam as taxas de ocupao dos espaos destinados s construes.

Observa-se, na Tabela 1, uma segunda categoria denominada Atividades ou materiais pedaggicos e nela esto contidos os seguintes elementos: carteiras, mesa escolar, lpis, lpis de cor, rgua e borracha, entre outros.

Esta foi a segunda categoria mais citada pelas crianas de seis anos (34,0%) e, no geral, tambm ficou no segundo lugar, com 13,1%. A incidncia deste item permite pressupor a importncia dada ao material da escola e, alm disso, nas atividades de desenho observadas na visita inicial feita escola, chamava ateno o uso de pequenos tocos de lpis de cera sendo disputados pelas crianas. Este um problema que as escolas pblicas enfrentam, pois nem sempre oferecem, como afirmam Azevedo e Bastos (2002), qualidade e variedade de materiais suficientes para despertar os sentidos e a criatividade e estimular o carter ldico que pode estar presente em todas as atividades. A escola precisa oferecer um ambiente externo de qualidade e um ambiente interno com recursos apropriados s proposies pedaggicas das instituies de Educao Infantil.

Quanto s crianas de cinco anos, no primeiro desenho (respondendo ao que mais gostam na escola), constatou-se que a segunda categoria mais presente na tabela a definida como Animais. Parece haver uma preferncia nesta faixa etria para contatos, observaes e/ou estudos com animais, pois estavam presentes nos desenhos e nas narrativas: aqurio, peixe, urubu e passarinho.

As de quatro anos apresentaram como segunda categoria de preferncia a que foi denominada Elementos para diverso, brinquedos e brinquedos, e, como exemplo, citamos: fazer bolinha, brinquedo, boneco, boneca, circo, carrinho, moto, televiso e bola. provvel que nesta faixa etria elas estejam sendo mais incentivadas ou mais voltadas para as brincadeiras na escola do que para as atividades orientadas. Cabe a ressalva de que uma apreciao que deve ser retomada em estudos futuros.

Nesta primeira Tabela, esto dispostas as categorias detectadas nos desenhos que indicam o que as crianas mais gostam na escola. Isto torna o item mais freqente (Ambiente Externo e Natureza) no mnimo incoerente, j que no existe ambiente externo e aparentemente contacto freqente com a natureza. O que pode ser atribudo a isto so os relatos de passeios que quinzenalmente as crianas realizam e que devem estar deixando marcas importantes na experincia escolar. Segundo relato da Diretora, o Batalho da Polcia Militar disponibiliza meios de transporte (nibus ou caminhonetes) para as crianas brincarem num parque infantil do prprio Batalho.

As demais categorias casa e partes do corpo humano tambm demandaram uma anlise posterior. Nos contatos com a Direo, durante o processo de tabulao e anlise dos desenhos, ficou evidente que o tema de estudo da escola na poca era o corpo humano. Entretanto, a presena do desenho de casas, apesar de ser em baixa freqncia (6,6%), requer um maior aprofundamento em estudos posteriores. Tanto ela pode ser uma representao simblica importante para a faixa etria em estudo, como ela pode estar representando o espao fsico da escola que est sendo alvo do estudo.

No segundo desenho, as crianas expressam, seguindo a orientao, como deveria ser uma nova escola e o que ela deveria ter. Os desenhos e as descries foram sintetizados nas categorias explicitadas na Tabela 2.

Nela observamos que as Atividades ou Materiais Pedaggicos (32,3%) e o Ambiente Externo e Natureza (31,3%) esto praticamente empatados nos desenhos das crianas. Mais uma vez, est presente a preocupao com o ambiente externo, a natureza e os objetos que geralmente compem os recursos das salas. Observa-se tambm nesta Tabela que Atividades ou Materiais Pedaggicos so mais freqentes nos desenhos das crianas de seis anos, o Ambiente Externo e Natureza nas de cinco anos e os Elementos para diverso, brinquedos e brincadeiras nas de quatro anos. So dados que se repetem, posto que so semelhantes aos descritos na Tabela 1.

A exceo se d apenas com as crianas de cinco anos, haja visto que os animais, nesta segunda Tabela, obtiveram um percentual de apenas 2,5% e ficaram em ltimo lugar. Esta informao pode estar dando uma medida indireta de que eles devem ter entendido a diferena das solicitaes para cada um dos desenhos. No primeiro, parecem estar evidenciando as suas experincias educacionais o de que, realmente, mais gostaram. J no segundo, a distribuio mais ou menos equilibrada de alguns itens, como Ambiente Externo e Natureza, Diverso, brinquedos e Brincadeiras e Atividades ou Materiais Pedaggicos, permitem inferir uma preocupao com a anlise de que gostariam de ter esses trs conjuntos de elementos no ambiente educacional. Fica mais evidente a compreenso das crianas pela ausncia do item meio de transporte detectado no primeiro desenho. Na escola desejada, eles no precisam se deslocar para brincar em espaos abertos onde possam estar em contato com a natureza.

As crianas de quatro e seis anos desenharam, claramente e em maior percentual, essas trs categorias j citadas. Porm, nas de cinco anos, verifica-se que os maiores percentuais esto no Ambiente Externo e Natureza (40%) e Atividades ou Materiais Pedaggicos (35%). As demais categorias esto com percentuais baixos em relao aos dois itens j citados.

Este ltimo conjunto de dados deve refletir, como afirmam Satier & Reis (2003), as necessidades e as aspiraes dos usurios deste espao de Educao Infantil e so elementos que precisam nortear as edificaes voltadas para este fim. Esclarecendo melhor, em primeiro lugar, as crianas demonstraram interesse para dispor de espaos onde possam ter contato direto com o ambiente externo e com a natureza, lugares onde possam se divertir e brincar, observar ou estudar animais ou ter acesso a eles e a ambientes onde possam realizar atividades pedaggicas. As demais categorias no esto presentes no imaginrio infantil na mesma freqncia e sua incidncia pode estar relacionada com os assuntos que esto sendo trabalhados pedagogicamente pelas educadoras, que o caso dos desenhos de partes do corpo humano, pois estavam abordando este tema.

A casa mais uma vez est presente no imaginrio infantil, apesar da baixa incidncia (5,1%). , portanto, uma indicao que merece uma ateno especial em estudos subseqentes, pois sua representao pode ultrapassar o sentido das questes que esto em estudo neste trabalho.

 

Tabela 2

Distribuio simples e percentual das categorias identificadas a partir dos desenhos e das explicaes das crianas de 4 a 6 anos, no 2 desenho O que uma nova escola deve ter.

 

Categorias Identificadas

4 anos

fi

 

f%

5 anos

Fi

 

f%

6 anos

fi

 

f%

Total

Fi

 

f%

Ambiente Externo e Natureza

 

 

17

 

 

28,3

 

 

32

 

 

40,5

 

 

6

 

 

16,2

 

 

55

 

 

31,3

Atividades ou Materiais Pedaggicos

 

9

 

15,0

 

28

 

35,5

 

20

 

54,0

 

57

 

32,3

Diverso, Brinquedos e Brincadeiras

 

18

 

30,0

 

5

 

6,3

 

8

 

21,7

 

31

 

17,7

Animais

 

6

 

10,0

 

2

 

2,5

 

1

 

2,7

 

9

 

5,1

Casa

 

3

 

5,0

 

9

 

11,4

_

_

 

12

 

6,8

Pessoas /Partes do Corpo Humano

 

 

5

 

 

8,4

 

 

3

 

 

3,8

 

 

2

 

 

5,4

 

 

10

 

 

5,7

Outros

 

2

 

3,3

_

_

_

_

 

2

 

1,1

 

Total

 

60

 

100

 

79

 

100

 

37

 

100

 

176

 

100

 

 

Este trabalho tambm demonstra que as crianas, nos espaos de educao pblica, nem sempre esto vivendo em um ambiente com a qualidade construtiva indicada pelos diversos estudiosos citados (ORNSTEIN, 1995; TOMASONI e TOMASONI, 2000; SATIER e REIS, 2003; SOUZA, 2003; MALARD et al, 2003) da rea de Engenharia e Arquitetura, quando sugerem o dimensionamento racional e o planejamento funcional das construes, para que atendam s necessidades e s aspiraes de seus usurios. Alm da ausncia de reas abertas, isto no nos impede de ressaltar que, apesar de no ter sido realizada uma anlise mais detalhada dos aspectos construtivos da escola, ela tambm deixa a desejar nas questes referentes s cores, luminosidade e ao conforto trmico e todos esses aspectos contribuem para a qualidade do processo de ensino e aprendizagem em curso.

 

Consideraes Finais

 

As informaes obtidas junto s crianas colocam-nas evidentemente na qualidade de usurias aptas a fazerem anlises sobre os aspectos construtivos das edificaes que freqentam. Ficou claro, no s pela nfase no ambiente externo e nos elementos para diverso e brincadeiras, mas tambm pela preocupao com os recursos materiais que tradicionalmente compem os espaos pedaggicos. Portanto, independentemente da faixa etria, este estudo confirma que os usurios so capazes de discriminar aspectos relevantes para o seu processo de desenvolvimento.

Adaptao de edificaes para propostas educacionais deve levar em conta a necessidade de diferentes espaos fsicos, onde as crianas possam vivenciar experincias variadas, interagindo com outras pessoas e favorecendo o processo de construo das idias nos dilogos, nas brincadeiras e nos jogos. Confinar crianas a salas ou espaos fechados no pode, nem deve ser a opo propiciada pela Educao Infantil. H sempre maior possibilidade para as iniciativas, a experimentao, as brincadeiras coletivas e as interaes interpessoais determinadas pelas prprias crianas nos espaos abertos.

A organizao espacial das escolas precisa favorecer aes construtivas entre os diferentes atores da educao. E, como ressaltado pelo MEC (BRASIL, 2004a), o planejamento da estrutura espacial deve facilitar o agrupamento dos alunos, a dinamizao das aes pedaggicas, o convvio com a comunidade e a reflexo dos professores. O MEC tem proposto que a Educao Infantil tem de ultrapassar a funo assistencialista e passar a desenvolver um importante papel no sistema de ensino do Pas, onde a criana possa freqentar ambientes com elementos definidos a partir de sua prpria cultura. Atravs de estudos, pode-se aprofundar cada vez mais na cultura infantil e traduzir, seja atravs de desenhos e explicaes ou de outros recursos metodolgicos, as anlises e indicaes das crianas para esse espao educacional.

 

NOTAS
* Doutora em Psicologia Educacional pela UNICAMP, Ps-Doutoranda da UFF. Professora Aposentada da Universidade Federal da Bahia e, atualmente, Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia, Campus X, Teixeira de Freitas - Ba.

 

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Abstract

The buildings are more and more turned to attend to the human beings necessities and in this way, this study was proposed to analyze the environmental quality of a school adapted to function as a space for a Kinden Garden. It is an exploratory study with children from 4 to 6 years old. They expressed their desires and necessities to an educational environment through drawings and explanation/description of them. The drawings and explanations or descriptions made by the children were analyzed and their answers were ordered in a synthetically and objective way in categories. It is evidenced in them: emphasis in the outside environment and animals, in the elements for entertainment and childrens play and toys, but it is also evidenced the interest for material resources that traditionally compound the pedagogical spaces. Independently their age-bracket this study confirms that the children as users, are capable of discriminating relevant aspects to their development process. Moreover, it is possible to affirm that they, in the spaces of public education, are not always attending environments with the constructive quality indicated by the studious of the engineering, architecture and psychology area.

 

Keywords

Child, kinden garden; school buildings.

 

 

Recebido em: 09/03/2005

Aceito para publicao em: 05/09/2005

Endereo: lianasodre@hotmail.com

 

 



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