ARTIGOS

 

Por um estudo do ausente: a ausência como objetivação da alteridade em mapas mentais do Brasil

 

For a study of the absent: the absence as an objectification of otherness in mental maps of Brazil

 

 

Ana Carolina Dias Cruz I, *; Angela Arruda II, **

I Aluna do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ - Rio de Janeiro, Brasil
II Docente do Departamento de Psicologia Social e do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ - Rio de Janeiro, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este artigo consiste numa reflexão sobre alguns dos resultados encontrados em pesquisa que objetivou analisar as representações sociais de 140 universitários de instituições de ensino do estado do Rio de Janeiro sobre o Brasil, apresentando um recorte relativo aos indícios das representações encontradas sobre o brasileiro – e sobre sua face alteritária, o não-brasileiro para estes jovens. Baseou-se na teoria das representações sociais, de Serge Moscovici, e na metodologia dos mapas mentais, conforme utilizada por Stanley Milgram e Denise Jodelet. A análise de conteúdo categorial temática dos mapas pesquisados revelou que os elementos ausentes nos desenhos caracterizam-se como uma objetivação da alteridade, em que se subtraem os espaços onde se considera habitar o diferente, quem representacionalmente seria a antítese do brasileiro.

Palavras-chave: Mapas mentais, Representações sociais, Objetivação, Brasil.


ABSTRACT

This paper is a reflection on some of the results found in a research that aimed at analyzing social representations of 140 university students from the state of Rio de Janeiro about Brazil.  It focuses on traces of the representations about the Brazilian - and about its ‘alter' face, the non-Brazilian – for these youngsters. It was based on the theory of social representations, of Serge Moscovici, and on the methodology of mental maps, according to Stanley Milgram and Denise Jodelet. The thematic content analysis of the sketch maps in categories revealed that the absent elements in the drawings can be characterized as an objectification of otherness. The spaces considered to be inhabited by the different, who would be the antithetical representation of the Brazilian, are subtracted.

Keywords: Mental maps, Social representations, Objectification, Brazil.


 

 

As nações, para além de entidades políticas e territoriais, são também coletividades representadas. Representá-las demanda estabelecer suas origens, sua história, sua coesão, suas fronteiras (geográficas, culturais e identitárias). Elas são, assim, uma invenção em diversos aspectos – e nesse sentido Anderson (1989) diz que são comunidades imaginadas. Identitariamente, transmutam-se em essências, de caráter genético e hereditário, em um conjunto de características imutáveis, o que faz com que os que nascem no mesmo território sejam vistos como portadores de algumas mesmas marcas físicas e psicológicas (HALL, 2003). 

Buscando entender quais são as significações que fazem do Brasil uma nação para seus jovens, utilizou-se a teoria das representações sociais, proposta por Serge Moscovici. Uma representação social é uma forma específica de empreendimento coletivo, pois consiste numa verdadeira teorização engendrada e partilhada por um grupo sobre um objeto social relevante para ele. Difere de outros construtos, como a opinião e o estereótipo, por sua complexidade. Seu objetivo é não apenas descrever e classificar objetos, mas ainda explicá-los. As representações sociais das nações, por exemplo, envolvem representações de seu passado, povo, política, economia, geografia, etc., formando um conjunto semântico abrangente, mas interligado. Como explica Andrade (1998, p.143), “o que confere seu sentido à representação não é tanto seu conteúdo, os elementos que a formam, mas as relações entre estes elementos”.

Para explicar como os múltiplos elementos das representações sociais se organizam para construí-la, Moscovici (1978) propõe duas etapas para seu processo de formação: a ancoragem e a objetivação. A ancoragem trata da necessidade do sujeito de familiarizar o desconhecido, ou seja, situar o que aparece de novo no universo conceitual e afetivo preexistente, tornando-o assim familiar. O outro processo, a objetivação, é o que permite tornar concretos os conceitos abstratos, ao materializar as abstrações. No desenrolar desses processos, as informações ganham importância, já que as representações sociais serão construídas a partir dos conhecimentos sobre o objeto que estão acessíveis ao grupo social que o representa. Mas o sujeito executa uma seleção dessas informações que circulam sobre o objeto-alvo em função de critérios culturais e as descontextualiza de seu enfoque original. Em seguida, esquematiza os recortes feitos em torno de um “modelo figurativo”, que reproduz de forma imaginante uma estrutura conceitual. Este esquema então se naturaliza, passa a ser visto como dotado de realidade, como uma verdade e não como a construção mental que é (JODELET, 1984).

Como pode ser percebido, o processo de construção de representações sociais é complexo: dados são comunicados, opiniões são negociadas, informações são recortadas e descontextualizadas, e tudo isso é articulado com questões já estabelecidas. Elas são construídas (e podem ser reconstruídas quantas vezes for necessário) a partir das comunicações interpessoais e intergrupais e, algumas, veiculadas em larga escala pela comunicação de massa. Nutrem a função de darem continuidade à coesão grupal, de “afirmar um vínculo social e uma identidade” (JODELET, 2001, p.34), nascendo assim da necessidade dos sujeitos de harmonizarem suas falas, ações e atitudes com as do seu grupo. Além disso, como estruturam modos particulares do grupo ver e agir no mundo, acabam por caracterizá-lo às vistas da sociedade (BAUGNET, 1998). 

Quando o próprio grupo se constitui no objeto social que demanda significação, a função identitária é ainda maior: cabe a ele estabelecer os sentidos que irão delinear o pertencimento, a comunhão, a diferença e a exclusão, assim como traçar o porquê dessas delimitações. Afinal, “a alteridade é produto de duplo processo de construção e de exclusão social que, indissoluvelmente ligados como os dois lados duma mesma folha, mantêm sua unidade por meio dum sistema de representações” (JODELET, 1998, p.47-48).

Tendo em vista tais considerações sobre as representações sociais, este artigo consiste numa reflexão sobre alguns dos resultados encontrados em minha pesquisa de mestrado1, que objetivou analisar as representações sociais de universitários de instituições de ensino do estado do Rio de Janeiro sobre o Brasil. O recorte que ora se apresenta é relativo aos indícios das representações encontradas sobre o brasileiro – e sobre sua face alteritária, o não-brasileiro.

 

Metodologia

A metodologia apóia-se no trabalho de Milgram e Jodelet (1976) sobre os mapas mentais de Paris e Nova York. Para esses autores, os mapas mentais consistem em representações do espaço que possibilitam a localização espacial, mas que não são formadas meramente pela experiência pessoal e direta do sujeito com o ambiente. A construção do espaço é entendida como um empreendimento social, coletivamente criado e partilhado. Por isso, a representação da cidade é tida, naquele estudo e também neste, como uma representação social que estrutura o espaço urbano. Para ter indicativos dessa representação, um método interessante é o do desenho, utilizado aqui por permitir captar de forma mais espontânea os mapas mentais em imagens, favorecendo o estudo da objetivação.   

Assim, foram coletados os mapas mentais de 140 universitários de instituições públicas e privadas da cidade do Rio de Janeiro, dos cursos de Serviço Social, Enfermagem, Pedagogia, Medicina e Engenharia2. No ano de 2003, esses estudantes preencheram um questionário em que desenharam mapas, seguindo a instrução de esboçar o contorno do mapa do Brasil e preenchê-lo com o que considerassem existir espalhado pelo país. Após, escreveram o que eram os desenhos feitos e por que haviam escolhido esses elementos para construir seu mapa. Todo esse material, imagético e verbal, passou por análise de conteúdo categorial temática (BARDIN, 2003).

Esse questionário foi aplicado no âmbito do projeto de pesquisa “Imaginário e Representações Sociais do Brasil”3, no qual se insere este trabalho, também em outros estados brasileiros das diferentes regiões do país (Bahia, Goiás, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo), assim como pelo pesquisador Alfredo Guerrero no México, com as devidas modificações. As publicações já existentes sobre essas aplicações serviram para traçar análises sobre os mapas dos estudantes do Rio de Janeiro e serão referidas em alguns momentos. 

 

Situando os resultados: Breve explicação sobre a análise

Visando apreender os sentidos expressos na complexidade gráfica dos mapas, a análise de conteúdo foi empreendida em diversos níveis, todos quantificados. Iniciou-se por uma análise global dos mapas desenhados, que incluiu, dentre outras, a classificação de suas fronteiras e do que se denominou de lógica de construção4. Num segundo nível, procedeu-se à análise das divisões espaciais encontradas dos mapas, classificando-se como cada região geográfica foi representada (se, por exemplo, aparecia como ampliada, achatada, vazia, deslocada, etc.). Finalmente, analisaram-se os elementos específicos desenhados no interior dos mapas, considerando, quando existentes, suas localizações neste5. Este artigo não tem por objetivo apresentar o conjunto dos resultados obtidos, mas sim um recorte, que consiste na análise qualitativa do cruzamento de alguns dos dados nos três níveis estudados, partindo da análise temática, categorial e quantitativa, para aprofundá-la. 

 

As fronteiras ausentes: quem é – ou quem não é - como o brasileiro?

Em nenhum dos 140 mapas pesquisados foram encontrados desenhos dos países da América do Sul geograficamente fronteiriços com o Brasil. Essa mesma ausência foi marcante também nos mapas de estudantes de outros estados brasileiros, analisados pelo projeto “Imaginário e representações sociais do Brasil”, como expõe Arruda (2007). Os mapas dos brasileiros, em geral, desprendem-se dos seus limites norte, sul e oeste; seu único contato com o exterior é o oceano (Figuras 1 e 2).

 

 

À primeira vista, esse resultado pode parecer advindo do formato do questionário aplicado. Afinal, não é pedido apenas que se desenhe o mapa do país em foco? No entanto, Guerrero (2007), ao estudar os mapas mentais do México desenhados pelos universitários daquele país, não obteve o mesmo resultado. Nos mapas do México, as fronteiras norte e sul não apenas são ilustradas como ganham ainda significados relevantes e distintos. O autor explica que a fronteira norte, com os Estados Unidos, expressa muitas vezes ruptura, por meio de desenhos de barreiras ou muros. Já a fronteira sul, ao contrário, em alguns mapas é aberta, ou seja, desenham-se os países vizinhos sem a existência de uma linha divisória, indicando continuidade. Assim, sob uma mesma instrução, mexicanos e brasileiros selecionam diferentemente os elementos cartográficos que estruturarão suas representações espaciais.

Esse resultado reforça a importância do contexto sócio-político e da afetividade nas representações sociais do espaço. Nos mapas do México, o desenho dos Estados Unidos desvela uma ambigüidade afetiva: por um lado, angústia, pela violência e discriminação que sofrem os imigrantes mexicanos; e, por outro, atração, pelas oportunidades econômicas que os Estados Unidos oferecem. Já a figura contínua com os países ao sul do México conota identificação, por si só, afetiva (GUERRERO, op.cit.).

O espaço apropriado simbolicamente é sempre alvo de investimentos afetivos e suporte de identificações coletivas. Sobre ele, os grupos sociais projetam suas concepções de mundo (GIMÉNEZ, 2000). Assim, esse espaço é classificado a partir de suas características funcionais, mas também pelos simbolismos criados pelos grupos. O espaço é representado e, por isso mesmo, valorado. Quanto a isso, explica Giménez (op. cit., p. 24, tradução nossa):   

[o espaço apropriado funcional e simbolicamente] pode ser considerado como zona de refúgio, como meio de subsistência, como fonte de recursos, como área geopoliticamente estratégica, como circunscrição político-administrativa, etc.; mas também como paisagem, como beleza natural, como entorno econômico privilegiado, como objeto de apego afetivo, como terra natal, como lugar de inscrição de um passado histórico e de uma memória coletiva e, enfim, como “geo-símbolo”.

Por isso tudo, a ausência dos países vizinhos nos mapas do Brasil é reveladora: a omissão do contato espacial com esses países possivelmente está ligada à falta de identificação que eles suscitam na população examinada. Capelato (2000) explica que o desinteresse dos brasileiros pelos outros países latino-americanos é antigo e está relacionado à falta de um projeto unificador da América Latina, ao mesmo tempo político e identitário, que envolvesse o Brasil. Foram diversos os acordos, mas entre os momentos de esforços de aproximação, floresceram depreciações dos demais países latino-americanos. O presidente Getúlio Vargas, por exemplo, chegou a implantar novos balizamentos para o ensino de História no país, que estimulassem a formação de uma identidade comum, enfocando e apagando dos manuais escolares o que melhor servisse a esse propósito. Seu intento, entretanto, morreu já com Dutra, quando houve novo distanciamento do Brasil com relação aos demais países. A representação, vigente desde a Independência, de que o Brasil é o “gigante” do continente, que não se fragmentou como seus vizinhos, país de presente ou futuro promissor, auto-suficiente ou líder econômico, manteve-se durante épocas, revestida de diferentes roupagens. Segundo a autora, a América Latina não produz nos brasileiros um sentido de unidade: não há a nossa América, mas sim a outra América.

Por outro lado, mesmo sem desenhar o continente, os estudantes brasileiros analisados focalizam a fronteira ao leste com o mar. O litoral sempre foi, no Brasil, norteador de representações. Foi o litoral que permitiu a chegada dos portugueses nas terras americanas – e Sá, Oliveira e Prado (2005) mostram como a caravela é imagem primordial na representação do descobrimento do Brasil para os brasileiros. Nos livros escolares e no senso comum, a História do Brasil começa no mar (SÁ; OLIVEIRA; PRADO, op. cit.). Além disso, o litoral definiu a ocupação territorial branca durante séculos, assentada à costa graças ao temor dos perigos do interior, ou seja, as florestas e os indígenas. Por isso, era o sinônimo da civilização. Mais tarde, foi em alguns de seus estados que o processo de urbanização teve início e ele passou a ser o sinônimo da modernidade (AMADO, 1995; LIMA, 1998; OLIVEIRA, 1998). Visões negativas do litoral, como a de Euclides da Cunha, que via no sertanejo a raiz da identidade nacional e nos litorâneos um povo fraco e neurastênico, também existiram. Mas o que os estudantes pesquisados mostram é que, na atualidade, volta a imperar a positividade e o litoral passa a ser visto como um local que condensa a beleza natural do país. Os desenhos retratam simbolicamente as praias como o local que coexiste com a urbanização, mas que se expressa como uma reminiscência da visão dos tripulantes das antigas navegações ao ancorarem na nova terra. As areias e as águas são onde a urbanização não pôde penetrar. 

Dessa forma, os desenhos das fronteiras dos mapas (e a ausência deles) são concebidos como “geo-símbolos” da representação de nossa identidade, para citar Gimenez (op. cit., p.24). Aqui, a presença e a ausência das fronteiras parecem objetivar as características do próprio povo que habita esse espaço. Como num espelho, a fronteira condensa numa imagem específica do desenho a representação de quem é o brasileiro, ao mostrar quem é como o brasileiro. Apenas com os resultados obtidos não se pode dizer o que aparta identitariamente o Brasil dos outros países latino-americanos, os ausentes. Mas a única fronteira presente desvela uma identificação reveladora. Se o brasileiro não é como seus vizinhos, pode ser como a natureza. É com o mar que o país se encontra, é ele que acompanha de um ponto ao outro a extensão geográfica dessa terra. Ou, ao menos, do que representacionalmente se concebe como a legítima terra brasilis, como se explicará no tópico seguinte.

 

As regiões ausentes: quem é – e quem não é – o brasileiro?

Cerca de 1/5 dos estudantes pesquisados desenha a conformação da Região Sul de forma bem distinta da existente no mapa oficial: enquanto oficialmente ela é relativamente larga, nos desenhos analisados ela aparece estreita e curta, como que achatada (Figuras 3 e 4). Pode-se dizer que, de certo modo, ela parece apenas como um adendo ao Brasil, como se não ganhasse corpo, como se não se integrasse à sua totalidade.

 

 

Apesar de minoria quantitativa, outros mapas são também reveladores: em 13 deles, a Região está totalmente em branco, apesar do restante do mapa estar preenchido (Figuras 5 e 6); enquanto isso, outros 10 excluem o contato do Sul com o mar, apesar de seu desenho beirando as demais regiões litorâneas, Nordeste e Sudeste (Figuras 7 e 8).

 

 

 

Mas o que essas imagens dizem sobre a representação do brasileiro que têm esses universitários do Rio de Janeiro? A análise dos significados dos desenhos feitos nessa região ajuda a clarificar essa questão. Comparando o que os estudantes utilizam para caracterizar o Sul com as conotações dadas ao restante do país, vê-se claramente uma dicotomia: o Sul não é apenas diferente dos outros estados, ele é como que o oposto dos demais (ARRUDA, 2007). Ao desenharem as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, os universitários destacam as diferenças naturais e culturais entre elas, afirmando o Brasil como diversidade, mas apresentam também algo que perpassa todas as quatro regiões, o que é tido como nitidamente brasileiro: o clima e os problemas sócio-econômicos.

Desde o século XIX, os aspectos climáticos são uma importante via de estruturação da representação do espaço brasileiro. No final desse século, os evolucionistas consideravam que as diferentes raças, algumas consideradas superiores e outras inferiores, reagiam diferentemente ao ambiente climático em que viviam. Baseados nesse argumento, buscavam, cada um ao seu modo, explicar como as três raças que vieram habitar o Brasil concorriam entre si, considerando as vantagens ou desvantagens de adaptação delas ao clima peculiar desta terra (ORTIZ, 1986). Mais tarde, nos anos 30, mesmo Gilberto Freyre, considerado um culturalista, argumentava que a colonização portuguesa teve êxito graças ao seu povo aclimatável, ou seja, de caráter capaz de se adequar aos trópicos (ARAÚJO, 1994; REIS, 1999). Ancorados nessa verdadeira tradição no modo de conceber o Brasil, os estudantes pesquisados tomam a figura do sol como a que simboliza o país. Ser caloroso é um predicado psicossocial do povo repetidamente afirmado. Metaforicamente, o sol, ícone do clima e da natureza, encarna-se no povo. Assim, nos mapas, o sol é usado para designar as mais diferentes qualidades do povo: solidariedade, amizade, vitalidade, alegria (Quadro 1). Não ser como o sol é não ser brasileiro.

 

 

Além disso, pode-se pensar que os mapas mentais analisados objetivariam na figura do sol a própria estrutura da representação do Brasil, dada na bipolarização entre a natureza positivada e os problemas socioeconômicos, um contraste que ganha vários corpos e atributos para as diferentes regiões desenhadas, mas permanece o mesmo em sua dinâmica. Nos mapas, o sol é positivo ao aquecer os banhistas das praias do litoral e pairar sobre as matas, dando-lhes vida, ao mesmo tempo em que é negativo ao castigar os sertanejos do interior.

Já no Sul que consta dos mapas, não há sol nem problemas – apenas 2% dos estudantes mencionam alguma negatividade nessa região. Lugar de admiração e de idealização por parte dos demais pesquisados, o Sul é como um local idílico: “alto grau de escolaridade”, “ambiente familiar”, “belo e agradável”, “lugar exemplo”, “cultura democratizada”, “estado com grande qualidade de vida”. Lá não há nenhuma espécie de problema político ou social. É um outro tipo de paraíso, diferente do paraíso natural com que sempre foi associado o Brasil (ARRUDA, 1998; HOLANDA, 2000). Até mesmo porque seu clima não é nem um pouco o da imagem paradisíaca: nos desenhos, o Sul é chuva, nuvem e também neve e gelo. Nele, não há sol: nem o que aquece e dá vida, nem o que castiga. Sua cultura é relacionada ao frio e aos imigrantes que o povoaram e deram origem ao seu povo. É um local em que os povoadores mantiveram sua cultura original (Quadro 2). Como dizem alguns pesquisados, é a “Europa brasileira”. Talvez porque, em um clima tão próximo ao da terra natal dos novos povos, não tenha sido necessário se aclimatar...

 

 

De qualquer forma, o estreitamento da região e seu vazio, e ainda a ausência do seu litoral, parecem explicitar uma representação do Sul como diferente, que acabaria por se traduzir numa representação que transforma a diferença em exclusão. Para os pesquisados do Rio de Janeiro, parece que o Sul não é Brasil e, conseqüentemente, os sulistas não seriam brasileiros. A diversidade é aceita apenas no limite em que a teorização traçada para explicar o âmago do que é o Brasil e seu povo não vai de encontro à representação do que é uma região específica do país. Aqui, não é uma questão de desmobilização afetiva; ao contrário, o Sul é região altamente valorizada e estimada, mas não recebe a estima escolhida pelos pesquisados para se identificar. Para a identificação do brasileiro, os estudantes fluminenses fazem a mesma escolha de Caminha, a de se ancorar na terra brasilis.

 

Os espaços enfatizados: quem é – e quem não é - como eu?

Quase um terço dos estudantes analisados desenha o Rio de Janeiro como o símbolo da Região Sudeste, excluindo de seus desenhos e menções os outros estados. Em 9 dos mapas, a relevância do local de origem dos pesquisados se expressa por meio da ampliação do Rio de Janeiro ou da Região Sudeste, que pode chegar a deslocar outros estados ou regiões. No mapa do Quadro 3, por exemplo, pode ser vista a dimensão que toma a região, deslocando Brasília para a fronteira e tomando uma parte do Sul.

 

 

Em outro mapa, o Brasil se apresenta como o que parece um grande Rio de Janeiro: se virada a folha em 90º, na direção do desenho, o formato do mapa se assemelha mais com o do estado e, em seu interior está o Cristo, sobre um morro, cercado por elementos que formam um cenário e recebem uma conotação claramente afetiva e religiosa (Quadro 4).

 

 

Essa mesma ênfase nos locais de origem também foi encontrada no trabalho de Saarinen (1973), que pesquisou mapas-mundi mentais feitos por jovens de diferentes nacionalidades e verificou que eles desenhavam em maior proporção seus países natais. As pessoas configuram seus mapas mentais a partir de suas perspectivas sociais e afetivas, buscando localizar-se num espaço que é representado e, portanto, fruto também da criatividade. Alguns jovens analisados expressam isso bem claramente em

seus mapas do Brasil, chegando a se desenhar como personagem, ou ainda situando seu bairro ou a universidade em que estudam; outros ainda enfatizam sua cidade ou seu estado. Mas se há os que ocultam ou diminuem o espaço do outro, há também os que não seguem um tipo de divisão padronizada no território. Os elementos desenhados nesses mapas enumeram o que une todos os brasileiros, em suas qualidades e problemas, considerados comuns aos moradores de uma ponta a outra das fronteiras nacionais, como pode ser visto no mapa do Quadro 5.

 

 

A ausência de divisões territoriais não significa, no entanto, que o respondente não se coloque como sujeito nesses mapas. É neles que o pesquisado se encontra com todos os outros brasileiros, compartilhando aspectos diversos. Por isso, tal tipo de mapa é o que mais se refere às características psicossociais do povo, sejam elas positivas ou negativas. Assim, cada um escolhe como quer se identificar, assim como de quem quer se diferenciar, expressando um grau mais restrito ou mais amplo de identificação com o território.

 

Considerações finais

A análise das fronteiras nos mapas pesquisados chama a atenção para a importância, nos estudos em representações sociais, de se analisar não apenas o que é mais freqüente ou até mesmo o que aparece; o ausente pode, também, ser de extrema valia para a compreensão da dinâmica representacional. O livro fundador da teoria já atenta para isso: é a ausência da libido na representação social da psicanálise que permite entender como os valores morais do grupo atuam na seleção do que irá compor sua representação (MOSCOVICI, 1978).

É importante atentar para o fato de que a ausência pode ter múltiplas funções, e ainda são necessárias pesquisas para entendê-las. Jodelet (2005) e Abric (2003) já falaram do não dito e da zona muda das representações sociais – isto é, dos elementos das representações que dificilmente aparecem nos discursos por não coincidirem com as normas sociais ou por ameaçarem o grupo de alguma forma – e da necessidade de utilização de novos métodos de pesquisa capazes de acessá-las.

Uma coisa é certa: a ausência é parte do processo de seleção. E nesse sentido, esquecimento e negação são instâncias muito próximas. São diversas e demasiadas as informações que nos chegam: a mídia, a escola, as conversas diárias, etc., nos assolam com dados todo o tempo. Os dados que selecionamos para formular nossas concepções dos objetos sociais não são tomados ao acaso. Eles fazem parte de uma complexa e intrincada teia de conhecimentos, valores e afetos. Por isso, deve-se pensar a ausência não como inexistência, mas sim como escolha.

A pesquisa com o grupo analisado evidencia esse caráter. Esses jovens foram fortemente submetidos à formatação escolar, já que acabaram de realizar o concurso do vestibular e nele foram bem sucedidos. Na escola, da qual saíram há pouco, aprenderam a preencher mapas e a utilizar o Atlas, estudaram a História e a Geopolítica brasileiras. No entanto, o instrumento aplicado chama à imaginação, apanha indícios da representação, que, por conceito, é criativa e seletiva. É preciso, em pesquisa, dar a devida importância também para os elementos ausentes, o que pode contribuir para um maior entendimento da organização das representações sociais, dos “arranjos e combinações da diversidade destes conjuntos [de representações] em si e entre si” (MADEIRA, 2005)6.

Nos mapas mentais analisados, a ausência, tal como a ênfase, mostraram-se como possíveis objetivações da alteridade. O próprio ato de desenhar o país natal envolve processos identificatórios: dizer como é onde moro é também dizer quem sou, quais as minhas origens, qual a minha história, quais os meus orgulhos e meus sofreres. Sob a instrução de mostrar a alguém seu país, o sujeito pode tender a ocultar o Outro, o que julga diferente dele. Aqui, as fronteiras sociais e identitárias objetivam-se em fronteiras geográficas. Para que haja um aprofundamento deste tema, demandam-se pesquisas reflexivas, que poderão indicar se isso é um ato proposital, talhado pelo sujeito para fazer facilitar a leitura de sua visão de mundo, ou se está relacionado a processos mais complexos.

Por fim, cabe apenas ressaltar o recurso aos mapas mentais como um campo privilegiado para localizar os espaços de ausência, que talvez não sejam tão evidentes num outro formato de produção de dados. Sua utilização, aliás, permite um espaço profícuo para a identificação de representações sociais, em especial para a detecção e melhor compreensão das objetivações.

 

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SILVA, N. do V.; HASENBALG, C. Tendências da desigualdade educacional no Brasil. Dados, Rio de Janeiro, v. 43, n. 3, p. 423-445, 2000.

 

 

Endereo para correspondncia
Ana Carolina Dias Cruz
Endereço eletrônico: anacdcruz@superig.com.br
Angela Arruda
Endereço eletrônico: arrudaa@centroin.com.br

Recebido em: 07/04/2008
Aceito para publicação em: 12/11/2008
Acompanhamento do processo editorial: Eleonra T. Prestrelo

 

 

Notas

* Mestre em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ.
**Doutora em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo-USP.
1 A dissertação, intitulada “Representações sociais de universitários do Rio de Janeiro sobre o Brasil”, foi defendida no curso de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pela pesquisa que nela resultou, fui contemplada com bolsa CNPq.
2 O grupo foi assim constituído, por um lado, pelo interesse de ver como os jovens  pensam a nação no auge da globalização, que aboliu tantas fronteiras; e, por outro, pela necessidade de assegurar o nível secundário completo, exigência para responder com desenvoltura o instrumento de pesquisa, e que permitiu o cotejo dos dados com a pesquisa levada a cabo no México. Quanto a isso, estudantes do Programa de Pós-Graduação em Educação (Currículo) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob a supervisão da Profª. Clarilza Prado de Souza, têm buscado no estudo das representações sociais desses universitários caminhos para propor medidas na área da educação. A escolha dos cursos universitários visava responder ao intuito de obter uma população de perfil sócio-econômico heterogêneo: Serviço Social, Enfermagem e Pedagogia são cursados por alunos de menor condição sócioeconômica, ao contrário do que se verifica em Medicina e Engenharia (BRANDÃO, 2000; SILVA; HASENBALG, 2000). A diferenciação dos estados correspondia à possibilidade de influência das características geográficas e culturais sobre a representação. Nesse sentido, a pesquisa de mestrado na qual se baseia este artigo se atém no olhar dos estudantes do Rio de Janeiro, não pretendendo representar o conjunto da população brasileira. Além disso, nem o nível de escolaridade, nem a diferença de carreiras, foram objetos da dissertação mencionada e, portanto, também não deste artigo.
3 Esse projeto é coordenado pelas professoras Angela Arruda e Lilian Ulup, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e pela professora Clarilza Prado de Sousa, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Contou com o apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas (FCC/SP), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB/UFRJ) e com bolsas de iniciação científica e de mestrado acadêmico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
4 Percebeu-se que os mapas podiam ser organizados por duas lógicas distintas: enquanto 70,7% dos sujeitos os dividiram de acordo com as cinco regiões geográficas oficiais, uma minoria de 29,3% apresentou uma coleção de desenhos sem relacioná-los com uma área específica (nesses mapas, o contorno parece funcionar apenas como uma delimitação para um conjunto de elementos).
5 Para analisar os elementos desenhados, adaptou-se a matriz de categorização construída pelo projeto de pesquisa “Imaginário e Representações Sociais do Brasil”, o que facilitou os cotejos com resultados obtidos nas aplicações feitas em outros estados brasileiros. Esta matriz foi criada com base nos questionários de 1029 sujeitos, de sete estados do Brasil, e conta com cerca de 50 categorias, além de diversos eixos e níveis de análise, o que torna impossível apresentá-la aqui. É importante apenas explicar que as categorias encontradas foram agrupadas em grandes grupos, como aspectos raciais, socioeconômicos, políticos, naturais, climáticos, psicossociais, etc. No entanto, cada aspecto se apresenta diferentemente em cada região brasileira. Por exemplo, o aspecto natural da Região Norte encontra-se na temática mata/floresta, enquanto o da Nordeste e Sudeste, na praia/litoral. Uma descrição pormenorizada dessa matriz encontra-se em: ARRUDA, A. et al. La elaboración de la matriz de análisis de la descripción de los mapas imaginarios de Brasil. In: VALENCIA ABUNDIZ, S.; JIMÉNEZ-DOMINGUES, B.; LÓPEZ AGUILAR, R. (Orgs.). Representaciones sociales: Avances recientes en América y Europa. Guadalajara: Editora Universidad de Guadalajara, 2006. p. 1-21. CD-ROM.
6 Neste sentido, ver igualmente: ARRUDA, A.; GONÇALVES, L.; MULULO, S. Viajando com jovens universitários pelas diversas brasileirices: Representações sociais e estereótipos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 3, 2008 (no prelo).



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