A decoloniedade dos Povos Bantu na luta antirracista no chão da escola: uma experiência de intervenção

Wudson Guilherme de Oliveira

Resumo


O texto tem como propósito apresentar uma análise decolonial referente as diferentes características e contribuições dos povos Bantu em obras literárias afro-brasileiras, como forma de corroborar com a construção da identidade de jovens negros, como medida de enfrentamento às diversas situações desfavoráveis das populações negras, que perpassam pelo cotidiano do chão da escola, que são propagados pelos padrões eurocêntricos e na discriminação racial. Todavia, buscamos debruçar nossas reflexões em publicações acadêmicas e livros de literaturas infantis e infanto-juvenis, que articulam com as perspectivas da Lei Federal 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino da história e cultura dos povos africanos e a sua diáspora no Brasil, em todos os currículos escolares. Posteriormente, iremos analisar um breve estudo de caso, de como foram implementadas as leis contidas no Artigo 26-A da LDBEN em uma instituição privada localizada no Estado do Rio de Janeiro, a partir de oficinas/aulas de sensibilização, contação de histórias, exposição de livros de literatura africana, indígena e afro-brasileira e rodas de diálogos, na qual foram desenvolvidas como estratégias para a elevação da autoestima das crianças negras, o resgate da identidade, propagação da diversidade cultural  e o incentivo à leitura, para a redução do racismo na conjuntura atual do país.

Palavras-chave


Decoloniedade. Povos Bantu. Lei Federal 10.639/03.

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DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2021.57251

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