Devir selvagem: a arte do grito ( ou do grito na arte)

Mariah Rafaela Silva

Resumo


A partir de uma performance realizada em 2016, o grito opera como máquina de guerra (Deleuze e Guattari, 2012) capaz de agenciar um coletivo que mobiliza uma matilha, de modo que a experiência transexual seja entendida como potência, jamais como loucura. O objetivo desse trabalho é refletir sobre algumas dinâmicas de poder sobre às transexualidades tendo como marcadores de diálogo a raça e dispositivos de opressão na arte. O grito, como uma forma de resistência, coloca em agenciamento “estruturas” de subjetivação que compõem cartografias “trans específicas” em espaços hegemônicos. É deste modo que surge o devir selvagem; aquele que ao devorar os processos assimétricos que lhe assujeitam, cria mundos possíveisoperando fissuras nas hegemonias e construindo redes de afeto e modos de existir. 


Palavras-chave


transexualidade, arte, resistência

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DOI: https://doi.org/10.12957/redoc.2019.39916

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