Comportamento dos preparadores de demonstrações contábeis depois das IFRS: um estudo analítico-comportamental com variáveis de consumo de ativos

Lúcio de Souza Machado, Lauro Eugênio Guimarães Nalini, Michele Rílany Rodrigues Machado

Resumo


O estudo investiga se ocorreu modificação comportamental dos preparadores de demonstrações contábeis após a convergência aos padrões internacionais de contabilidade (IFRS). Para isso, explorou-se a teoria analítico-comportamental para discutir o comportamento humano e definir a variável ambiental de modificação do comportamento (ou proxy), no caso, as despesas de depreciação, amortização e exaustão (DDAE). Para a análise, foi organizado um painel de dados de 137 empresas, para uma janela de 16 anos, sendo 8 antes (2001-2008) e 8 depois (2009-2016) das IFRS. Os achados mostram que ocorreu mudança no comportamento dos preparadores das demonstrações financeiras depois das IFRS, de modo que as DDAE, para os dois períodos, são estatisticamente diferentes, mas não quando comparados os números de cada espaço temporal, não refutando a hipótese de pesquisa. É possível ultimar que a teoria do comportamento humano pode ser um importante instrumento para investigar fenômenos contábeis.


Palavras-chave


IFRS; Depreciação, amortização e exaustão; Análise do Comportamento

Texto completo:

PDF

Referências


AGUIAR, J. C. Análise comportamental do direito: uma abordagem do direito como ciência do comportamento humano aplicada. Nomos, v. 34, n.2, p. 245-273, 2014.

AGUIAR, J. C. de. Teoria analítico-comportamental do direito. Porto Alegre: Núria Fabris Editora, 2017.

ALMEIDA, M. C. Curso de contabilidade intermediária em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2014.

BAUM, W. M. Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. Tradução Maria Teresa Araújo Silva et al. 2. ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Artmed, 2006.

BECKER, Charles P.; LAWRENCE, Howard; SENNETTI, John T. The effects of type of accounting standard and outcome knowledge on juror evaluations of auditor responsibility. 2007. Disponível em: . Acesso: em 02 de jan. de 2018.

BRASIL. Decreto nº 9.580 de 22 de novembro de 2018. Disponível em: . Acesso: em 2 de jun. de 2020.

_____. Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso em: 15 de abr. de 2020.

_____. Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11941.htm>. Acesso em: 15 de abr. de 2020.

_____. Lei nº 12.973 de 13 de maio de 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm>. Acesso em: 15 de abr. de 2020.

_____. Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Disponível em: . Acesso em: Acesso em: 15 de abr. de 2020.

CARMO, C. H. S. do. Lobbying na regulação contábil internacional: uma análise do processo de elaboração da norma sobre o reconhecimento de receitas. 2014. 198 f. Tese (doutorado), Universidade de São Paulo, USP, 2014.

CATANIA, A. C. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Trad. Deisy das Graças de Souza (et al.). 4. ed - Porto Alegre: Artmed, 1999.

CAVALCANTI, P. R. Análise econômico-comportamental operante de decisões em colegiado de uma corte de contas. 2017. Tese (Doutorado em Ciências do Comportamento), Universidade de Brasília, Brasília, 2017.

CERUTTI, D. T. Discrimination theory of rule-governed behavior. Journal of the experimental analysis of behavior, v. 51, n. 2, p. 259–276, 1989.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Deliberação CVM n.º 488, de 03 de outubro de 2005. Disponível em: < http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0400/deli488.pdf>. Acesso em: 31 de maio de 2017.

_____. Deliberação CVM n.º 565, de 17 de dezembro de 2008. Disponível em: < http://www.cvm.gov.br/legislacao/deliberacoes/deli0500/deli565.html>. Acesso em: 15 de dez. de 2019.

_____. Deliberação CVM n.º 583, de 13 de julho de 2009. Disponível em: < http://www.normaslegais.com.br/legislacao/deliberacaocvm583_2009.htm>. Acesso em: 15 de dez. de 2019.

_____. Deliberação CVM n.º 644, de 17 de dezembro de 2008. Disponível em: < http://www.cvm.gov.br/legislacao/deliberacoes/deli0600/deli644.html>. Acesso em: 15 de dez. de 2019.

_____. Instrução CVM n.º 457, de 13 de julho de 2007. Disponível em: < http://www.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst457.html>. Acesso em: 15 de dez de 2019.

COMITE DE PRONUNCIAMENTO CONTÁBIL (CPC). Pronunciamento técnico CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº. 11.638/07 e da Medida Provisória nº. 449/08. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos. Acesso: em 02 de jan. de 2020.

_____. Pronunciamento técnico CPC 04 R1 – Ativo intangível. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos. Acesso: em 02 de jan. de 2020.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TG 27 (R3) – Ativo imobilizado. Disponível em: http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG27(R3).pdf. Acesso em: 15 de dez. de 2019.

ECKERT, A. et al. Normas contábeis de reconhecimento e mensuração do ativo imobilizado: impacto em empresas de bens industriais gaúchas listadas na BM&FBOVESPA. Revista de Contabilidade e Controladoria, v. 4, n. 2, p. 69–89, 2012.

FÁVERO, L. P.; BELFIORE, P. Manual de análise de dados: Estatística e modelagem multivariada com Excel, SPSS e Stata. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

FREIRE, M. D. de M. et al. Aderência às normas internacionais de contabilidade pelas empresas brasileiras. Revista de Contabilidade e Organizações, v. 6, n. 12, p. 3–22, 2012.

GREENE, W. H. Econometric analysis. 6. ed. New Jersey: Pearson Prentice Hall, 2008.

GUJARATI, D. N.; PORTER, D. C. Econometria básica. 5. ed. Tradução de Denise Durante, Mônica Rosemberg e Maria Lúcia G. L. Rosa. Porto Alegre: McGraw Hill, 2011.

HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. 5. ed. Tradução de Antônio Zoratto Sanvincente. São Paulo: Atlas, 1999.

KARAMPINIS, N. I.; HEVAS, D. L. Effects of IFRS adoption on tax-induced incentives for financial earnings management: evidence from Greece. The International Journal of Accounting, v. 48, p. 218–247, 2013.

LAGE, A. C.; WEFFORT, E. F. J. Estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações financeiras. In: Ernst & Young, Fipecafi. Manual de normas internacionais de contabilidade: IFRS versus normas brasileiras. São Paulo: Atlas, 2009. p. 1-15.

LOPES, A. B. Teaching IFRS in Brazil: news from the front. Accounting Education, v. 20, n.4, p. 1–9. 2011.

MACHADO, M. R. R. Investigação da ocorrência de fraudes corporativas em instituições bancárias brasileiras à luz do triângulo de fraude de Cressey. Tese (Doutorado em Administração), Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

MARQUES, V. A. et al. Análise do nível de evidenciação da depreciação conforme o CPC 27 no período de 2007 a 2014. Revista de gestão, finanças e contabilidade, v. 6, n. 2, p. 50–71, 2016.

MARTINS, E.; DINIZ, J. A.; MIRANDA, G. J. Análise avançada das demonstrações contábeis: uma abordagem crítica. São Paulo: Atlas, 2012.

MARTINS, E.; SANTOS, A. dos . Alguns pontos da Lei 11.638 e a internacionalização da contabilidade brasileira. Revista IBEF News, São Paulo - SP, p. 28-30, 01 mar. 2008.

MARTINS, E. et al. Manual de contabilidade societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.

MATOS, M. A. Comportamento governado por regras. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Congnitiva, v. 3, n. 2, p. 51–66, 2001.

MEYER, S. B. Regras e auto-regras no laboratório e na clínica. In: ABREU-RODRIGUES, J.; RIBEIRO, M. R. (Orgs.). Análise do comportamento: pesquisa, teoria e aplicação. Porto Alegre: Artmed, 2007.

MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. de. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.

NIYAMA, J. K. Contabilidade internacional. São Paulo: Atlas, 2005.

OLIVEIRA, A. de. Comportamento de gestores de recursos públicos: identificação de contingências previstas e vigentes relativas à prestação de contas. 2016. 201 f. Tese (Doutorado em Psicologia), Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

PADOVEZE, C. L.; BENEDICTO, G. C. de; LEITE, J. da S. J. Manual de contabilidade internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2011.

RATCLIFF, Roger. Methods for dealing with reaction time outliers. Psychological bulletin, v. 114, n. 3, p. 510–532, 1993.

RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). Instrução Normativa RFB n.º 1.700, de 14 de março de 2017. Disponível em: < http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=81268&visao=anotado>. Acesso: em 16 de dez. de 2019.

_____. Instrução Normativa SRF n.º 162, de 31 de dezembro de 1998. Disponível em: < http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15004. Acesso: em 16 de dez. de 2019.

REIS, L. G.; NOGUEIRA, D. R. Disclosure do ativo imobilizado: Análise das práticas pelas empresas do Novo Mercado considerando o CPC 27. Revista de estudos contábeis, v. 3, p. 54–67, 2012.

RIBEIRO, M. G.; COSTA, L. G.; RIBEIRO, L. C. Q. Estrutura social das metrópoles brasileiras: análise da primeira década do século XXI. Letra Capital Editora LTDA, 2013.

SANTOS, J. L. dos et al. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 2007.

SILVA FILHO, L. L. et al. Um estudo sobre o reflexo do reconhecimento dos ativos intangíveis após a adoção das normas internacionais de contabilidade nas empresas brasileiras listadas na BM&FBOVESPA. ConTexto, v. 14, n. 27, p. 55–69, 2014.

SILVA, J. S.; SILVA, A. H. C. E; LAURENCEL, L. DA C. Nível de evidenciação obrigatória nas empresas de capital aberto: uma análise do CPC 27. Pensar contábil, v. 18, n. 65, p. 40–50, 2016.

SKINNER, B. F. Sobre o behaviorismo. Tradução de Maria da Penha Villalobos. 10. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

_____. Ciência e comportamento humano. Tradução: João Carlos Todorov; Rodolfo Azzi. São Paulo: Martins Fontes, 1953/2003.

_____. Questões recentes na análise comportamental. Tradução de Anita Liberalesso Neri. 2. ed. Campinas-SP: Papirus, 1995.

SKINNER, B. F. Seleção por consequências. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. IX, n. 1, p. 129–137, 1981/2007.

_____. Contingência do reforço. Tradução: Rachel Moreno, R. In: Pavlov, I. P. Os pensadores. M. São Paulo: Abril Cultura, 1980.

SOARES, G. de O. G.; COUTINHO, E. S.; CAMARGOS, M. A. de. Determinantes do rating de crédito de companhias brasileiras. Contabilidade Vista & Revista, v. 23, n. 3, p. 109-143, 2013.

SODERSTROM, N. S.; SUN, K. J. IFRS adoption and accounting quality: a review. European Accounting Review, v. 16, n. 4, 675-702, 2007.

STICKNEY, C. P.; WEIL, R. L. Contabilidade financeira: uma introdução aos conceitos, métodos e usos. Tradução: José Evaristo dos Santos. São Paulo: Atlas, 2001.

TEIXEIRA, A.; COSTA, F. M. da; GALDI, F. C. Princípios e normas contábeis. In: Ribeiro Filho, J. F.; Lopes, J.; Pederneiras, M. (Orgs.). Estudando teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 2009. p. 75-84.

TELLES, S. V.; SALOTTI, B. M. Divulgação da informação contábil sobre depreciação: o antes e o depois da adoção das IFRS. Revista Universo Contábil, v. 11, n. 2, p. 153–173, 2015.

WALKOWIAK, M. P. Vestiges of British, German and Polish tax depreciation and amortization regulations in IFRS financial statements. Poznań University Of Economics Review, v. 14, n. 2, p. 63–78, 2014.

WILLIANS, R. Outliers. 2016. University of Notre Dame. Disponível em: < https://www3.nd.edu/~rwilliam/ >. Acesso: em 16 de abr. de 2017.

WOOLDRIDGE, J. M. Introdução à econometria: Uma abordagem moderna. Tradução: José Antônio Ferreira, revisão técnica de Galo Carlos Lopes Noriega. São Paulo: Cengage Learning, 2010.




DOI: https://doi.org/10.12979/rcmccuerj.v25i3.53595



ISSN da versão on-line (atual): 1984-3291
Periodicidade: Quadrimestral
Classificação CAPES: A3

DOAJ