CHAMADA PARA DOSSIÊ 2020-2

Dossiê Sociedades Asiáticas na Antiguidade


O estudo das sociedades asiáticas tem se mostrado um campo fértil e multifacetado. Foi o sinólogo Marcel Granet que apontou, em 1929, a impossibilidade de nos considerarmos especialistas em ciências humanas se nossos currículos continuassem a ignorar dois terços do mundo – ou seja, as civilizações de Ásia, África, Oceania e a América pré-colonial. De certa forma, essa ausência persiste na academia, com exceções pontuais.

As iniciativas para estudar esse amplo e vasto “Oriente” tem surgido, com relativo constância, mas sem continuidade garantida. Arnold Toynbee (1986), André Gunder Frank (1998) e Jack Goody (2008) alertaram tacitamente a necessidade de reescrever a história mundial em novos parâmetros, redimensionando a perspectiva eurocentrada; Boaventura de Sousa Santos (2009) propôs, inclusive, que uma nova perspectiva epistemológica precisa desenvolver-se para dar conta de incluir e compreender as culturas americanas, asiáticas e africanas.

Nesse sentido, as tentativas de explicar as civilizações orientais, a partir de um instrumental teórico tradicional, tem se mostrado pouco adequadas; e cumpre salientar que o desconhecimento sobre a antiguidade e durabilidade dessas tradições aumenta ainda mais essa lacuna, promovendo uma formação incompleta e restrita. A iniciativa de formar um dossiê sobre as Sociedades Asiáticas na Antiguidade vem em resposta a essa premente necessidade, apontando caminhos para a pesquisa e para uma verdadeira e autêntica liberdade de pensar e conhecer. Nesse número, pretendemos promover um ponto de encontro entre os mais diferentes especialistas, abrangendo um amplo espaço geográfico e histórico que vai de Israel ao Japão. Nossa intenção é escapar ao Orientalismo, bem denunciado por Edward Said (1998), que homogeniza e estereotipa as culturas asiáticas. Buscamos apresentá-las em sua diversidade, originalidade e antiguidade, revelando aspectos culturais enriquecedores para nossa formação.

 

Referências
Said, Edward. Orientalismo: a invenção do Oriente pelo Ocidente. Rio de Janeiro:
Companhia das Letras, 1998.
Granet, Marcel. A Civilização Chinesa. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1979 (original: 1929)
Santos, Boaventura de Sousa e Meneses, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul.
Coimbra: Almedina, 2009.
Toynbee, Arnold. Um estudo da História. São Paulo: Martins Fontes, 1986.
Frank, André Gunder. Reorient: Global Economy in the Asian Age. Oakland: University
of California Press, 1998.
Goody, Jack. O roubo da História: Como europeus se apropriaram das ideias e
invenções do oriente. São Paulo: Contexto, 2008.
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Data limite para envio: 31 de julho de 2020.