Camp? Cauby! Entre o conceito e o encanto

Cláudia Neiva de Matos

Resumo


No ensaio “Notes on camp”, de 1964, Susan Sontag trouxe para os debates acadêmicos a noção e o termo “camp”, designando um conjunto de práticas e valores da estética visual e performática então em voga no universo gay de Nova York. A cultura camp desenvolveu-se nas décadas seguintes e parece ter ganho novo vigor nos últimos anos, como mostrou o Met Gala de 2019, ao eleger o tema “Camp in Fashion”. É difícil definir precisamente essa noção, atravessada por fatores subjetivos, como o gosto, e por questões ligadas à inserção sociocultural de objetos e observadores. O presente ensaio baseia-se principalmente no texto de Sontag e no “Terceiro manifesto camp” (2002), de Denilson Lopes, para elaborar aproximações ao conceito de camp. Por outro lado, a fim de perceber o modo como o estilo considerado camp é capaz de seduzir seus receptores, analisa o caso do cantor Cauby Peixoto, com seu amaneiramento, seus excessos e ambiguidades, sua voz privilegiada e suas fãs enlouquecidas. Com base em dados teóricos e históricos, mas também na experiência pessoal de assistir ao intérprete em cena, tento analisar a arte de Cauby e discutir se a noção de camp é adequada para caracterizá-la. Os impasses e aporias dessa discussão podem levar-nos a repensar certas posturas e funções da crítica diante dos objetos que pesquisa: como lidar com os encantos que problematizam e desafiam conceitos estéticos academicamente consagrados, sem rejeitar o encantamento nem renunciar à conceituação?


Palavras-chave


Camp; Cauby Peixoto; crítica literária; canção; Performance

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DOI: https://doi.org/10.12957/matraga.2020.48107

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ISSN 1809-3507 | DOI: 10.12957/matraga


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