Muito além das virtudes epistêmicas. O historiador público em um mundo não linear

Autores

  • Fernando Nicolazzi Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.12957/revmar.2018.31121

Palavras-chave:

Historiador Público, Públicos da História, Leandro Karnal

Resumo

Este artigo tem por objetivo oferecer uma reflexão sobre as formas de atuação pública de historiadores e historiadoras no mundo contemporâneo, considerando a importância de se atentar para as demandas e expectativas que os diferentes públicos colocam sobre elas. A partir da análise de duas situações específicas envolvendo o historiador Leandro Karnal, o artigo argumenta que toda a reflexão que diz respeito à relação entre historiador e público é atravessada por uma dimensão ética que transcende os princípios puramente epistemológicos da disciplina e, por situar publicamente a atuação intelectual do historiador, assume ela própria uma dimensão política.

Biografia do Autor

Fernando Nicolazzi, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Mestrado Profissional em Ensino de História – PROFHISTORIA. Possui graduação em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR); mestrado e doutorado em História pela UFRGS. É pesquisador do Laboratório de Estudos sobre os Usos Políticos do Passado (LUPPA-UFRGS) e pesquisador-colaborador do Núcleo de Estudos em História da Historiografia e Modernidade (NEHM-UFOP). Seus principais temas de pesquisa são: Teoria da História; Historiografia moderna; Historiografia brasileira.

Referências

ARAUJO, Valdei Lopes de. O regime de autonomia avaliativo no Sistema Nacional de Pós-Graduação e o futuro das relações entre historiografia, ensino e experiência da história. Anos 90, v. 23, n. 44, p. 85-110, 2016.

CERTEAU, Michel de. L’écriture de l’histoire. Paris: Gallimard, 1975.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo. Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2009.

HARTOG, François. O nome de Heródoto. In: O espelho de Heródoto. Ensaio sobre a representação do outro. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999.

LAVAL, Christian. Les nouvelles usines du savoir du capitalisme universitaire. Revue du MAUSS, n. 33, p. 173-184, jan.-jun. 2009.

LEHER, Roberto; VITTORIA, Paolo; MOTTA, Vânia. Educação e mercantilização em meio à tormenta político-econômica do Brasil. Germinal. Marxismo e educação em debate, v. 9, n. 1, p. 14-24, 2017.

MOMIGLIANO, Arnaldo. Les historiens du monde classique et leurs publics: quelques suggestions. In: Problèmes d’historiographie ancienne et moderne. Paris: Gallimard, 1983.

OFFENSTADT, Nicolas. Histoires et historiens dans l’espace publique. In: GRANGER, Christophe (dir.). À quoi pensent les historiens? Faire de l’histoire au XXIe siècle. Paris: Éditions Autrement, 2013.

OHARA, João Rodolfo Munhoz. The disciplined historian: “epistemic virtue”, “scholarly persona”, and practices of subjectivation. A proposal for the study of Brazilian professional historiography. In: Práticas da História. Journal on Theory, Historiography, and uses of the past, v. 1, n. 2, p. 39-56, 2016.

PAUL, Herman. What is a scholarly persona? Ten theses on virtues, skills, and desires. History and Theory, n. 53, p. 348-371, 2014.

SANTHIAGO, Ricardo. Duas palavras, muitos significados: alguns comentários sobre a história pública no Brasil. In: MAUAD, Ana Maria; ALMEIDA, Juniele Rabêlo de; SANTHIAGO, Ricardo (orgs.). História pública no Brasil. Sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016.

SOUSA, Francisco Gouvêa de; GAIO, Géssica Guimarães; NICODEMO, Thiago Lima. Uma lágrima sobre a cicatriz: o desmonte da universidade pública como desafio à reflexão histórica (#UERJResiste). Revista Maracanan, Rio de Janeiro, n. 17, p. 71-87, jul.-dez. 2017.

TEIXEIRA, Felipe Charbel. Uma construção de fatos e palavras: Cícero e a concepção retórica da história. Varia História, v. 24, n. 40, p. 551-568, 2008.

Downloads

Publicado

2018-01-16

Como Citar

Nicolazzi, F. (2018). Muito além das virtudes epistêmicas. O historiador público em um mundo não linear. Revista Maracanan, (18), 18–34. https://doi.org/10.12957/revmar.2018.31121