A polícia e o espelho da sociedade

Anderson M. de Castro e Silva, João Trajano Sento-Sé

Resumo


A partir da análise de depoimentos de policiais militares em oito grupos focais, o artigo demonstra os mecanismos pelos quais os agentes de segurança pública se reconhecem como vítimas de seus superiores hierárquicos, das elites políticas e da sociedade civil em geral. Sem negar a prática de corrupção, uso abusivo da força e achaques por membros da corporação, os policiais constroem um discurso em que tais práticas seriam compreendidas como formas inevitáveis do modus operandi que são obrigados a encampar no exercício de sua profissão. Como hipótese teórica de fundo, o artigo sustenta que as formas discursivas que sustentam tal percepção constituem elementos básicos do que poderíamos chamar de uma cultura policial no Rio de Janeiro, com fortes consequências sobre as formas de atuação e os modos como esses profissionais vêm o mundo. Como desdobramento prático, tais representações aprofundariam as distâncias polícia/sociedade e funcionariam como reforço às resistências a mudanças no interior da instituição policial.

Palavras-chave: Estudos de polícia. Cultura e violência. Segurança pública.


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