"A partida da promessa": o rito de luto evangélico e os objetos dos mortos

Andreia Vicente da Silva

Resumo


Nas produções brasileiras sobre o enlutamento predominam estudos de ritual que enfatizam comunicações entre vivos e mortos. De forma diferente, os evangélicos foram apresentados como tendo uma vivência do luto marcada pelo afastamento daqueles que faleceram. Neste artigo pretendo discutir essa versão interpretativa utilizando para tanto as dinâmicas relacionadas aos objetos dos mortos. No caso analisado, os objetos dos mortos são utilizados como instrumentos para a manutenção das relações entre vivos e mortos e para construção de significados relacionados à saciedade emocional dos enlutados. Meu objetivo é demonstrar possibilidades de ritualizações de luto criadas no cotidiano pelos evangélicos através das quais ocorrem reinvenções das fronteiras entre leis e práticas e o abrandamento do luto. Neste ponto, os objetos são suportes especialmente interessantes já que a multiplicidade dos seus usos e a contingência das representações associadas a eles permite re-interpretações e trânsitos entre os significados utilizados pelos atores em questão.

Palavras-chave: Rituais de morte. Objetos. Evangélicos.

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