"Getting the facts right": Escalas entre o cotidiano e a governança da migração internacional de senegaleses

Filipe Seefeldt de Césaro

Resumo


O presente artigo aborda, a partir de uma literatura antropológica sobre governança de populações e práticas escalares, a relação entre tecnologias quantitativas de governo e a migração internacional de senegaleses. O objeto principal de discussão é uma das perspectivas que ordenam e, assim, tornam esse fluxo migratório cognoscível às principais instituições que o governam. Trata-se de algumas das escalas padronizadas no recente contexto de produção estatística conjunta entre a Organização das Nações Unidas (ONU), a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Estado senegalês. As fontes empíricas são de duas ordens: (i) documentos disponíveis para acesso público on-line, entre páginas oficiais e publicações de posicionamento metodológico ligados a essa articulação inter-regional; (ii) trabalho de campo em observação participante e conversas informais conduzidas desde março de 2019 junto à comunidade senegalesa estabelecida na cidade de Porto Alegre (RS). Para a comparação teórica entre esses universos, tomo como posição uma articulação entre algumas reflexões sobre as noções de “práticas escalares”, “indicadores” e “benchmarking”. O argumento etnográfico desenvolvido é o de que esse contexto de produção estatística sobre a migração senegalesa opera por (i) noções de “migrante” e de “Estado de origem” enquanto entidades individualizadas, envolvidas em uma (ii) historicidade linear e evolutiva, bem como numa (iii) concorrência interestatal – pretensamente objetiva – sobre o desempenho na contenção de fluxos emigratórios.

Palavras-chave


Migração internacional; Escalas; Cotidiano; Governança

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DOI: https://doi.org/10.12957/irei.2021.62483

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