Urbanismo militar na "região olímpica": dinâmicas de produção do espaço para além dos megaeventos

Frank Andrew Davies

Resumo


Este artigo explora parte dos resultados da investigação de doutorado realizada pelo autor dedicada às formas de governo e situações de disputa na preparação de Deodoro como uma das "regiões olímpicas" para os Jogos de 2016 sediados no Rio de Janeiro. Entre outras características, a localidade é marcada por intensa e dispersa presença das organizações do Exército Brasileiro, condensando ali o maior aquartelamento da América Latina. Em anos que antecederam o torneio, a proposta de criação de um "parque verde" em Realengo sob iniciativa de moradores organizados foi inviabilizada pelo comando militar responsável pela área pretendida, que, ao invés disso, apresentou um projeto de condomínio residencial a ser construído e vendido por fundação e bancos privados ligados ao Exército e geridos por superiores da corporação. De general para general, mudanças e disputas em torno do terreno revelaram dinâmicas possíveis de produção do espaço no contexto dos megaeventos, e que para além dele constituem parte da vida política brasileira contemporânea, marcada pela participação cada vez maior de agentes militares em posições de liderança na administração estatal.


Palavras-chave


Urbanismo militar. Produção do espaço. Conflitos urbanos.

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DOI: https://doi.org/10.12957/irei.2020.54486

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