A seleção natural como narrativa sobre o grande divisor, a biossemiótica e as etnografias das pessoas humanas e não-humanas

Gláucia Oliveira Silva

Resumo


Proponho uma leitura do neodarwinismo a partir de trabalhos de cientistas que pesquisam sobre o efeito de mutações não aleatórias (também chamadas dirigidas, interpretativas ou epigenéticas) e sobre a biossemiótica de Kalevi Kull, sempre no intuito de evidenciar a existência de visões diferentes da hegemônica. Discuto as críticas formuladas por Tim Ingold à biologia contemporânea e sua alternativa às metáforas dos geneticistas, afirmando que as considero fiéis à teoria, que é o que deve ser criticado. Finalmente, aponto que há, em alguma medida, convergência entre alguns biólogos e antropólogos, na percepção dos seres vivos como “pessoas”, dotados de autoconsciência, e de uma Umwelt, tal como formulada por Jakob Uexküll. Sob a influência da crítica ao Grande Divisor, o perspectivismo e a etnografia multiespécie evidenciam, na antropologia, formas inéditas de lidar com os não humanos.


Palavras-chave


Antropologia da Ciência. Etnografia Multiespécie. Biossemiótica.

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DOI: https://doi.org/10.12957/irei.2020.54483

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