Práticas de re-existências poéticas: a poesia no “busão” em Fortaleza (CE)

Francisco Rômulo do Nascimento Silva, Geovani Jacó de Freitas

Resumo


Este artigo aborda a poesia praticada por Poetas no interior dos ônibus urbanos na cidade de Fortaleza-CE. Como uma das táticas de sobrevivência, a poesia “no busão” cumpre pelo menos dois principais objetivos para os poetas das periferias de Fortaleza e região metropolitana: desmontar os estigmas socialmente cristalizados e sustentar-se financeiramente. A poesia dentro dos ônibus não é algo novo na capital cearense e existe em diversas cidades espalhadas pelo Brasil. Essa prática poética e seus poetas de periferia acena para um novo sentido: não é suficiente resistir. É preciso re-existir para “descolonizar”, inventar outras formas de vida: criar é re-existir. Portanto, a primeira reivindicação da re-existência é permanecer vivo em face às “formas contemporâneas de subjugação da vida ao poder da morte”, conforme Achille Mbembe, ao falar de uma força colonial-capitalista em sua forma atual como devir-necropolítico-do-mundo. Um jogo de permanentes deslocamentos (fuga) inventivos, planos estratégicos e fugazes de “desaparecimento” e autoafirmação. Seguindo Frantz Fanon, um verdadeiro salto que introduza a invenção na existência, pois “no mundo em que me encaminho, eu me recrio continuamente”: uma poética decolonial. Como processo investigativo, utilizamos o aporte metodológico da pesquisa qualitativa, bibliográfica e a experiência etnográfica, com a realização de entrevistas em profundidade e de relatos registrados em diário de campo. 


Palavras-chave


Práticas de Re-existências. Poesia no Busão. Poetas de Periferias.

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DOI: https://doi.org/10.12957/irei.2020.51166

Direitos autorais 2020 Francisco Rômulo do Nascimento Silva, Geovani Jacó de Freitas

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