Crônica de uma crise anunciada: o Brasil paralisado sobre rodas

Gustavo Cruz de Sousa Jr.

Resumo


A greve dos caminhoneiros iniciada em 21 de maio de 2018, também chamada de Crise do Diesel, foi a maior paralisação da categoria em toda a história brasileira, estendendo-se por dez dias consecutivos e levando o Brasil, um país que utiliza majoritariamente a matriz rodoviária para o transporte de cargas, próximo a um colapso no fornecimento de produtos e serviços. Na pauta de reivindicações dos grevistas, figuravam questões como a redução no preço do diesel e o fim da política de reajuste de preços implementada pela Petrobras, que atrelava o preço dos combustíveis à cotação da moeda norte-americana. O presente artigo pretende estudar como os caminhoneiros se mobilizaram e se estruturaram durante o período que antecedeu a greve e durante esta, bem como analisar sua atuação durante todo o conflito. Considerando-se as múltiplas facetas dos atores envolvidos na iniciativa de interromper o transporte de cargas no país — empresários, trabalhadores autônomos e empregados —, será inicialmente feita a identificação de classe, tomando por base a tipologia de classes de Erik Wright, para se compreender efetivamente quem são os caminhoneiros. O conceito de ethos de posição será utilizado, ainda, para se entender de que forma elementos, a exemplo da solidariedade de classe, contribuíram para se chegar a um cenário de conflito. Posteriormente, à luz da Teoria das Ações Coletivas Conflitivas de Guy Bajoit, observados os processos de privação, frustração, mobilização e organização, serão analisadas as ações empreendidas pelos atores societais envolvidos na luta contra os movimentos envidados pelos atores estatais na tentativa de pôr um fim à paralisação.


Palavras-chave


Ações coletivas conflitivas. Ethos de posição. Mobilização.

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DOI: https://doi.org/10.12957/irei.2020.51165

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