Fazendo cercas: notas sobre o processo de criação de pequenos lotes em Urucuia, MG

Luzimar Paulo Pereira

Resumo


Em Urucuia, norte de Minas Gerais, lotes e loteamentos são construídos sobre áreas de antigas fazendas ou sítios. Em geral, as parcelas de terra criadas a partir do fracionamento de uma propriedade original ocupam regiões limítrofes entre as zonas urbanas e rurais do município. A delimitação dos lotes, de fato, é uma das condições necessárias para que o poder público municipal reclassifique a área onde eles se encontram. Neste artigo, procuro discutir, a partir de material etnográfico recolhido entre os anos de 2013 e 2014, alguns dos aspectos mais importantes dos processos de urbanização em Urucuia. Em especial, quero destacar as atividades referentes à produção das cercas que envolvem os terrenos loteados e os arames utilizados para os cercamentos das terras. Além de delimitar fisicamente uma propriedade privada, restringindo a circulação entre seu interior e exterior, elas estabelecem limites simbólicos responsáveis por classificar e reclassificar lugares, pessoas, animais, plantas e coisas. Neste sentido, as cercas desempenham papel central nos processos locais de criação e recriação de espaços rurais e urbanos. 


Palavras-chave


Espaço. Arquitetura. Urbanização.

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DOI: https://doi.org/10.12957/irei.2019.44208

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