USO DE TERAPIA NUTRICIONAL IMUNOMODULADORA EM PACIENTES POLITRAUMATIZADOS: UMA REVISÃO DA LITERATURA / USE OF IMMUNOMODULATION NUTRITIONAL THERAPY IN POLYTRAUMA PATIENTS: A LITERATURE REVIEW

Kelli Trindade de Carvalho Rosina, Célia Lopes da Costa

Resumo


Os acidentes de trânsito têm papel de destaque no conjunto das principais causas de morbi-mortalidade no mundo contemporâneo. Trinta por cento dos politraumatizados desenvolvem infecção hospitalar, elevando a taxa para 60% naqueles que permanecem em Unidade de Tratamento Intensivo por mais de cinco dias. A cascata metabólica desencadeada após o trauma provoca hipercatabolismo, levando a desnutrição aguda, queda da imunidade e pior evolução clínica. Com a possibilidade de influenciar parâmetros nutricionais, imunológicos e inflamatórios, torna-se interessante o uso de nutrientes imunomoduladores, tais como: arginina, glutamina, ácido graxo W3 e nucleotídeos, buscando a restauração e manutenção da resposta imunológica deprimida. Entretanto, autores têm sugerido o efeito deletério da arginina, pois a suplementação excessiva pode levar a hiperprodução de óxido nítrico e excessiva proinflamação. O objetivo deste estudo de revisão foi analisar os benefícios e riscos da dieta imunomoduladora em politraumatizados, em especial sua ação sobre a resposta imune, objetivando a melhora clínica e nutricional neste grupo. Possui caráter relevante, uma vez que é um tema ainda controverso, especialmente quando são analisados os métodos utilizados nas pesquisas clínicas. Em suma, estudos clínicos adicionais e consistentes são necessários, antes que dietas imunomoduladoras sejam usadas como rotina na prática clínica de pacientes politraumatizados, como também definir os mecanismos pelos quais a imunomodulação pode ser prejudicial.

Palavras-chaves: Imunonutrição. Politrauma. Arginina. Glutamina. Ácido graxo w-3. Nucleotídeos.

 

ABSTRACT

Traffic accidents play an important role in all major causes of morbidity and mortality in the contemporary world. Thirty percent of polytrauma patients develop hospital infection, raising the rate to 60% in those who stay in the Intensive Care Unit for over five days. The metabolic cascade triggered after trauma causes hypercatabolism, leading to severe malnutrition, decrease in immunity, and poor clinical outcome. With the ability to influence nutritional, immunological and inflammatory parameters, the use immunomodulators nutrients such as arginine, glutamine, W-3 fatty acids and nucleotides is interesting seeking the restoration and maintenance of depressed immune response. However authors have suggested a deleterious effect of arginine, because excessive supplementation can lead to overproduction of nitric oxide and excessive proinflammation. The purpose of this review study was to analyze the risks and benefits of immunomodulatory diet in polytrauma patients, highlighting the action about the immune response, improved clinical and nutritional outcomes in this group. It is relevant, because it is still a controversial subject, especially when the methods used in clinical research are analyzed. In brief, additional and consistent clinical studies are necessary before immunomodulatory diets are used routinely in clinical practice for patients with multiple traumas, and also to define the mechanisms by which immunomodulation may be harmful.

 

Key words: Immunonutrition. Polytrauma. Arginine. Glutamine. N-3 fatty acids. Nucleotides.


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