Estudos de Literatura (2022.3)

Desde a sua independência, há preocupações com obras destinadas ao público infantil e juvenil nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Em Angola, por exemplo, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), o Jornal de Angola e a União dos Escritores Angolanos (UEA) criaram coleções ou deram espaço para a divulgação de textos literários, dedicando séries à infância e à juventude. Em Moçambique, a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM – CELP) vem sendo uma das grandes incentivadoras e propagadoras da literatura infantojuvenil. Talvez em menor volume de publicações ou carente de divulgação, há, contudo, produção de literária para crianças e jovens em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.
Essas publicações nos PALOP devem estar estimulando o desenvolvimento de teorias de abordagens próprias, instigando à produção de uma crítica que dê conta especificamente delas e levando à construção de historiografia(s) literária(s) seja sob perspectivas comparatistas, seja em relação a cada um desses espaços isoladamente.
Este dossiê vai reunir estudos que abordem a ficção em língua portuguesa dos PALOP, sob óticas comparativistas ou não, atendo-se a um ou mais tópicos que compõem o título desta chamada: ficção, teoria, crítica e historiografia.