POR QUE RETORNAR À NARRATIVA DA MADRASTA NA CONTEMPORANEIDADE?

Lívia Maria de Oliveira

Resumo


Os contos de fadas que apresentam uma madrasta em seu enredo parecem familiar: uma madrasta má, um pai ausente, uma mãe morta, uma criança inocente. A mãe que é substituída por uma antagonista faz parte das narrativas que conquistaram maior aceitação ou popularidade. Na cultura popular, a madrasta se torna uma caricatura má, egoísta e cruel. Suas características exageradas estão na psique da cultura do povo, de modo que a expressão “madrasta malvada” se tornou um conceito embutido na consciência coletiva de nossa sociedade moderna. Comumente, lemos a história de Branca de Neve a partir da perspectiva patrilinear. Não adentramos o reino mágico pela percepção da rainha que se tornou viúva e, logo em seguida, se tornará madrasta. Na versão tradicional, não é apresentado o motivo de a madrasta odiar a enteada a partir de seu primeiro contato. A partir dessas considerações, o processo revisionista contemporâneo trabalha em prol de lançar um novo olhar para a figura da madrasta, retornando ao seu passado, a fim de compreender as motivações de sua vilania. Esse retorno à narrativa dessa vilã dialoga com a perspectiva pós-moderna de abertura e integração da oscilação entre o bem e o mal, não estabelecendo significados fixos e imutáveis e libertando os contos de suas amarras ideológicas e discursivas.

Palavras-chave


Processo revisionista contemporâneo; Contos de fadas; Madrasta; Vilania.

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DOI: https://doi.org/10.12957/abusoes.2022.60895

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Revista Abusões
e-ISSN: 2525-4022