MURILO RUBIÃO CONTEMPORANEIDADE E CONCLAVES DA IMAGINAÇÃO: UM OLHAR PARA MARINA A INTANGÍVEL

Maria Zilda da Cunha

Resumo


Murilo Rubião (1916-1991), representante do fantástico no Brasil, sempre enfatizou que muitos dos elementos de fabulação presentes na sua ficção provêm das leituras realizadas na infância e juventude – obras como A Bíblia, As mil e uma noites, contos de fadas, a mitologia grega, o Velho Testamento e o romance Dom Quixote, e a obra do mestre Machado de Assis, e de Poe figuram em seus testemunhos. De fato, é possível divisar, nos escritos murilianos, índices muito potentes de uma rica constelação de narrativas e de imagens que dessas reverberam. A análise de seu acervo concede-nos o perfil do autor mineiro como um guardião zeloso de memórias de si e de pessoas que com ele partilharam sentimento e ideias. A obsessiva reescrita do autor mineiro é uma marca importante de sua produção. Assim como o é a economia, a sintaxe sem ruídos, o apuro gramatical e a aproximação com o absurdo – aspectos que ocorrem em conformidade com uma narrativa fraturante - que nos leva a vislumbrar, pelas frestas de uma escritura impecável, a obscuridade, a fragmentalidade, as relações afectais e as profanações do nosso contemporâneo. Com vistas ao exame desses diálogos e à semiose criativa que preside tal processo, busca-se perscrutar alguns eventos que sinalizam a tessitura ficcional do autor, pelo viés da Semiótica Peirceana e dos Estudos Comparados de Literatura, que nos facultam a correlação entre Literatura e outras artes, de certa forma, contemplada no curso deste artigo. Entre os 33 de seus contos publicados, selecionamos, aqui, para um olhar mais atento: Marina a Intangível.


Palavras-chave


Murilo Rubião; Marina a Intangível; Processos de criação; Profanação.

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LEITURA / IMPRESSÃO


DOI: https://doi.org/10.12957/abusoes.2021.56743

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Revista Abusões
e-ISSN: 2525-4022