SERES HUMANOS E NÃO HUMANOS: PERSONAGENS MARAVILHOSO/EXTRAORDINÁRIOS

Heloisa Helena Siqueira Correia

Resumo


 

RESUMO: O texto objetiva acompanhar o processo textual/cultural que se afasta do território do mito preservando os seres não humanos (e míticos) em suas culturas próprias, ao passo que, respeitadas as fronteiras (que não se fundem) promove a criação de personagens ficcionais extraordinários/maravilhosos. Os personagens em foco são, ambos, habitantes da obra de Jorge Luis Borges. O minotauro de La casa de Asterión (1994, p. 569-570), cuja característica antiga é o hibridismo (corpo de homem e cabeça de touro) sobrevive no mito grego, enquanto a literatura cria um personagem ambíguo, maravilhoso, melancólico e solitário; e o jaguar de La escritura del Dios (1994, p. 596-599), animal natural e sagrado que vive na cultura de variadas etnias sul americanas, enquanto a literatura cria um personagem extraordinário, excepcional, depositário dos signos divinos. A direção de leitura, portanto, demonstra que a cultura universal do escritor não interfere na cultura nativa, e para isso retoma momentos diversos dos contos. O texto defende, ainda, que literatura e mito não se fundem, antes a literatura trabalha para o mito, nos obrigando a ir em busca da memória da cultura de origem, no caso a grega e a sul-americana. Dialoga-se com autores como Rosalba Campra (2016), Maria João Simões (2018), Leonardo Padura (1989), Sérgio Medeiros (2007) e Federico Naraverrete (2006), entre outros.

 


Palavras-chave


Ser não humano; Personagem maravilhosa; Cultura nativa; Literatura; Jorge Luis Borges.

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DOI: https://doi.org/10.12957/abusoes.2019.38726

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Revista Abusões
e-ISSN: 2525-4022