Técnica, liberdade e vontade em Heidegger e Cassirer

Alexandre de Oliveira Ferreira

Resumo


O artigo busca confrontar as posições de Heidegger e Cassirer sobre a técnica. Veremos que ambos os filósofos partem de um diagnóstico semelhante com relação a técnica, vendo-a como um destino do ocidente com o qual precisamos nos reconciliar sob o risco de perdermos nossa liberdade e nos afastarmos de nossa essência. Entretanto, os dois filósofos indicarão caminhos diametralmente opostos sobre a possibilidade de uma existência humana livre na época da técnica.  Cassirer, com base em sua filosofia das formas simbólicas, acredita que a técnica deve ser posta a serviço do ser humano mediante o cultivo de uma nova força da vontade e da edificação de um outro reino dos fins. O Heidegger tardio, ao contrário, vê como única possibilidade de liberdade diante da técnica o abandono da vontade e o cultivo de um não-querer, expresso na palavra Gelassenheit. Assim, para Heidegger a posição de Cassirer apenas reproduziria a metafísica da subjetividade e da “vontade de vontade” que se esconde na técnica. Cassirer, por sua vez, identificará na postura heideggeriana diante da técnica com uma mitologia moderna, que estaria nas bases do culto ao estado totalitário.


Palavras-chave


Heidegger; Cassirer; técnica; vontade; liberdade

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.12957/ek.2020.54491

 

ISSN - 2316-4786 (on-line)

Programa de Pós-Graduação em Filosofia | Instituto de Filosofia e Ciências Humanas | Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Rua São Francisco Xavier, 524, Pavilhão - João Lyra Filho, 9 andar, Bloco F, sala 9037, Maracanã, Rio de Janeiro, RJ - Cep: 20550-013