MEIS E MERCADO DE TRABALHO:
Inconsistências da "formalização" e expansão da precarização
DOI:
https://doi.org/10.12957/geouerj.2026.98215Palavras-chave:
microempreendedor individual, formalização, mercado de trabalho, circuito inferior da economia, precarizaçãoResumo
No Brasil, o crescimento exponencial de Microempreendedores Individuais (MEIs), desde a aprovação da LC nº 128/2008, implica a emergência de novas dinâmicas no mercado de trabalho nacional, que abriga atualmente mais de 14 milhões de MEIs. Concebida enquanto política de formalização, a criação da figura jurídica do microempreendedor individual tem gerado, em contrapartida, novas formas de precarização e informalidade, agora ancoradas em tal arcabouço normativo. Propomos, nessa direção, discutir os fundamentos de tal politica de formalização, assim como seus efeitos contraditórios no território brasileiro. A partir de uma análise exploratória quantitativa e qualitativa da composição e topologia dos MEIs na cidade de São Paulo, procuramos, ao mesmo passo, contribuir para o debate na perspectiva de uma economia política da cidade, que visa compreender como tais agentes logram se inserir nos interstícios do meio construído e da divisão social do trabalho.
Downloads
Referências
ABÍLIO, Ludmila Costhek; MACHADO, Rosana P. Uberização traz ao debate a relação entre precarização do trabalho e tecnologia. IHU On-line (UNISINOS), 2017. Disponível em: https://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/6826-uberizacao-traz-ao-debate-a-relacao-entre-precarizacao-do-trabalho-e-tecnologia.
ANSILIERO, Graziela; COSTANZI, Rogério Nagamine; CIFUENTES, Ricardo. Microempreendedor individual (MEI): evolução da legislação, revisão da literatura e temas para o debate. Rio de Janeiro : Ipea, fev. 2024. 60 p. (Texto para Discussão, n. 2971). DOI: http://dx.doi. org/10.38116/td2971-port.
ARMSTRONG, Warwick & McGEE, Terence G. Theatres of Accumulation Studies in Asian and Latin American Urbanization. London, Methuen, 1985.
BARBOSA, Alexandre Freitas. De “setor” para “economia informal”: aventuras e desventuras de um conceito. Campinas: Unicamp, 2009. Recuperado de https://centrodametropole.fflch.usp.br/sites/centrodametropole.fflch.usp.br/files/user_files/eventos/ckeditor/texto_sem_2009_barbosa.pdf
BARBOSA, Attila Magno e ORBEM, Juliani Veronezi. “Pejotização”: precarização das relações de trabalho, das relações sociais e das relações humanas. Revista Eletrônica Do Curso De Direito Da UFSM, 10 (2), 839 -859, 2015.
BOEKE, Julius Herman. Economics and economic policy of dual societies, as exemplified by Indonesia. London: Tjeenk Willink, 1953.
BRASIL, 2025. Receita Federal/ Ministério da Fazenda (2025). Relatórios estatísticos. MEIs formalizados no Portal ou optantes do SIMEI. MEI (fazenda.gov.br)
BRASIL. Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Mapa de Empresas: Relatório do 2º Quadrimestre de 2025. Brasília, DF: MEMP, 12 set. 2025. 31 p. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/mapa-de-empresas/boletins/mapa-de-empresas-boletim-2o-quadrimestre-2025.pdf.
CACCIAMALI, Maria Cristina. La globalización y sus relaciones con el mercado de trabajo. Cuadernos Americanos. UNAM, Mexico DF, 6, Año X, 106-118, 1996.
CARMO, Luana Jessica Oliveira et al. O empreendedorismo como uma ideologia neoliberal. Cadernos Ebape. Br, 19, n. 1, 18-31, 2021. Recuperado de https://www.scielo.br/j/cebape/a/HY7NpJpmW6vh6sKX3YdCrSd
CORAGGIO, José Luis. Una perspectiva para la economía social: de la economía popular a la economía del Trabajo. Buenos Aires, 1999.
CORSEUIL, Carlos Henrique L., NERI, Marcelo Cortês e ULYSSES, Gabriel. Uma análise exploratória dos efeitos da política de formalização dos microempreendedores individuais. Brasília: IPEA, mar. 2014. (Texto para Discussão, n. 1939) Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/entities/publication/91787c41-de26-4917-b568-8eb2e4efaf63.
COSTANZI, Rogério Nagamine. A Necessidade de Revisão do Microempreendedor Individual (MEI). Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), n. 539, p. 20-30, ago. 2025. Disponível em: https://downloads.fipe.org.br/publicacoes/bif/bif539.pdf.
COSTANZI, Rogério Nagamine; ANSILIERO, Graziela. Considerações complementares sobre o financiamento da previdência social no Brasil: estimativas de alíquotas necessárias e impactos do Microempreendedor Individual (MEI). Rio de Janeiro: Ipea, maio 2024. 45 p. (Texto para Discussão, n. 3001). Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/13958.
D’ANDREA, Tiraju P. A persistente atualidade do padrão centro-periferia na metrópole paulistana. Revista Brasileira De Estudos Urbanos E Regionais, 27(1), 2025. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/13958https://doi.org/10.22296/2317-1529.rbeur.202529pt
DARDOT, Pierre e LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.
DINIZ, Sibelle Cornelio. Elementos para uma discussão contemporânea da economia popular. In: Balbim, R.; Arroyo, M. 7 Santigo, C. (Eds.). Brasil popular, circuitos da economia urbana e políticas públicas. 1ed.Brasília: Ipea, 2024.
FRANCO, Georgenor de Sousa Filho. Pejotização. Revista eletrônica [do] Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, Curitiba, v. 8, n. 80, p. 17-18, jul. 2019. Disponível em: https://juslaboris.tst.jus.br/handle/20.500.12178/162071.
GEERTZ, Clifford. Peddlers and princes. Chicago: University of Chicago Press, 1963.
GRIMM, Flávia C. A. Trajetória epistemológica de Milton Santos: uma leitura a partir da centralidade da técnica, dos diálogos com a economia política e da cidadania como práxis. 2011. Tese (Doutorado em Geografia) - Universidade de São Paulo, 2011.
FRANK, Andre Gunder. Capitalismo e subdesenvolvimento na América Latina. Rio de Janeiro: Saga, 1967.
HART, Keith. Informal income opportunities and urban employment in Ghana. Journal of Modern African Studies, II, p 61-89, 1973. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/159873.
HARVEY, David. Os limites do capital. São Paulo: Boitempo, 2013.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2010. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio 2011. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9127-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios.html
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2022. Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/22827-censo-demografico 2022.html
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio 2025. Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9173-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-trimestral.html
INTERNATIONAL LABOUR ORGANIZATION (ILO). Employment, incomes and equality: a strategy for increasing productive employment in Kenya. Genebra, 1972.
LAUTIER, Bruno. L’économie informelle dans le Tiers Monde. Paris: La Découverte, 1994.
LEWIS, Arthur W. Economic development with unlimited supplies of labour. The Manchester School, 22(2), 139-191, 1954.
MABOGUNJE, A. L. Urbanization in Nigeria. London: University of London Press.
Social Studies, 1968.
McGEE, Terence G. The urbanization process in the third world: explorations in search of a theory. London: G. Bell and Sons Ltd, 1971.
McGEE, Terence G. The persistence of the proto-proletariat: occupational structures and planning of the future of third world cities. In: Abu-Lughod, J. e Hay, R. (Eds.). Third World Urbanization. Nova York: Routledge. pp. 257-270, 1975.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Nota técnica SEI nº 3025/2025/TEM, 2025.
MONTENEGRO, Marina Regitz. Novos nexos entre os circuitos da economia urbana nas metrópoles brasileiras. Revista da ANPEGE, v. 9, p. 27-40, 2013.
MONTENEGRO, Marina Regitz. Globalização, trabalho e pobreza no Brasil nas metrópoles brasileiras. São Paulo: Editora Annablume, 2014.
MONTENEGRO, Marina Regitz. Empobrecimiento, heterogeneidad e insurgencias: transformaciones en curso en el circuito inferior de la economía urbana en las ciudades brasileñas. Ikara Revista de Geografía Iberoamericanas, v. 2, p. 1-14, 2022.
OLIVEIRA, Francisco de. A Economia Brasileira: crítica à razão dualista. Petrópolis: Editora Vozes, 1972. p 4-82. Disponível em: https://bibliotecavirtual.cebrap.org.br/arquivos/a_economia_brasileira_a.pdf.
SANTOS, Milton. Les villes du tiers monde. Paris: Éditions M.-TH. Génin Librairies Techniques, 1971.
SANTOS, Milton. L’Espace Partagé. Les deux circuits de l’économie urbaine des pays sous-développés. Paris: Éditions M.-TH. Génin: Librairies Techniques, 1975.
SANTOS, Milton. Por uma economia política da cidade. São Paulo: Studio Nobel, 1994.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Ocupações permitidas como MEI. 2023. Disponível em:
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). SEBRAE, 2025. DataSebrae: Painel de Informações das Abertura de Empresas no Brasil. 2025 Disponível em: https://datasebrae.com.br/aberturadeempresas/.
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). DataSebrae: Painel de Informações das Abertura de Empresas no Brasil. 2026 Disponível em: https://datasebrae.com.br/aberturadeempresas/
SILVEIRA, Maria Laura. Metrópoles do terceiro mundo: da história ao método, do método à história. In: Silva, C. A. e Campos, A. (Ed.). Metrópoles em mutação. Dinâmicas territoriais, poder e vida coletiva. pp. 17-35, 2008. Revan.
SILVEIRA, Maria Laura. Economia urbana hoje: categorias necessárias para sua compreensão. In: SANTOS, Erika Vanessa Moreira et al. (org.). Território, economia urbana e conflitos territoriais. 1. ed. Rio de Janeiro: Letra Capital, p. 17-36, 2019. Disponível em: https://www.letracapital.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Territ%C3%B3rio-economia-urbana-e-conflitos-territoriais.pdf?srsltid=AfmBOoonAgWg5MHXSYD_kcu73wgeTTxBicc2P0aFvnBwgv9ZaRez_99q.
SOUZA, Sérgio Paulo Carvalho de. Meificação. Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v. 17, n. 3, p. 01-16, 2024. Disponível em: https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/6019/3989.
VAHDAT, Vahid Shaikhzadeh et al. Retrato do Trabalho Informal no Brasil: desafios e caminhos de solução. São Paulo: Fundação Arymax, B3 Social, Instituto Veredas. 2022. Disponível em: https://www.veredas.org/wordpveredas/wp-content/uploads/2022/08/Retrato-do-Trabalho-Informal-no-Brasil.pdf.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Marina Montenegro

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Os Direitos Autorais dos artigos publicados na Revista Geo UERJ pertencem aos seus respectivos autores, com os direitos de primeira publicação cedidos à Revista. Toda vez que um artigo for citado, replicado em repositórios institucionais e/ou páginas pessoais ou profissionais, deve-se apresentar um link para o artigo disponível no site da Geo UERJ.

Os trabalhos publicados estão simultaneamente licenciados com uma Licença Commons BY-NC-SA 4.0.