REDISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS DESLOCADOS INTERNOS EM MACEIÓ/AL:
migração forçada posterior à subsidência do solo
DOI:
https://doi.org/10.12957/geouerj.2025.91913Palavras-chave:
redistribuição espacial, pessoas internamente deslocadas, subsidência geológica, migração forçada, MaceióResumo
O artigo investiga o desastre socioambiental provocado pela subsidência do solo em Maceió, Alagoas, decorrente da exploração de sal-gema, que resultou na evacuação de milhares de famílias em cinco bairros da cidade. Assim, o objetivo principal é analisar como o deslocamento forçado afetou os diferentes grupos sociais e como a cidade reorganizou seu espaço urbano em resposta a essa migração. A presente pesquisa adota o método hipotético-dedutivo, com abordagem quantitativa e caráter analítico, utilizando pesquisa bibliográfica e documental. Utilizou-se um Sistema de Informação Geográfica (SIG) para analisar a redistribuição espacial da população afetada pela subsidência do solo, além de dados socioeconômicos do IBGE, IPEA e o Atlas do Desenvolvimento Humano. Os resultados indicam que os moradores com maior poder aquisitivo conseguiram realocar-se em áreas centrais da cidade, enquanto os mais vulneráveis foram deslocados para regiões periféricas e com infraestrutura precária, evidenciando a reprodução da desigualdade socioespacial. A análise dos fluxos populacionais internos, revela que a mobilidade forçada agravou as dificuldades de acesso a serviços essenciais e aprofundou a exclusão social. Bairros receptores enfrentam sobrecarga e novos desafios urbanos, enquanto as áreas evacuadas permanecem desvalorizadas e abandonadas. Conclui-se que essa tragédia expõe falhas no planejamento urbano e a ausência de políticas públicas eficazes para proteger as populações mais vulneráveis. O estudo também reforça a necessidade de responsabilizar empresas e gestores públicos para evitar tragédias semelhantes e promover um desenvolvimento urbano mais justo, inclusivo e sustentável em Maceió.
Downloads
Referências
AGÊNCIA SENADO. Para defensores, acordos com a Braskem em Maceió podem ser revisados. Senado Notícias, 20 mar. 2024. Disponível em:
<https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/03/20/para-defensores-acordos-com-a-braskem-em-maceio-podem-ser-revisados> Acesso em: 22 de agosto de 2024.
ANDRADE, Umbelino Oliveira de. A Baixada Sul de Maceió-AL sob a influência da Salgema/Trikem: a questão do espaço sustentável. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2000.
BALBIM, Renato. Mobilidade: uma abordagem sistêmica. In: Renato Balbim, Cleandro Krause e Clarisse Cunha Linke (Orgs.), Cidade e Movimento: mobilidades e interações no desenvolvimento urbano (pp. 23-42). Brasília: Ipea, 2016.
BARBIERI, Alisson Flávio. Mudanças climáticas, mobilidade populacional e cenários de vulnerabilidade para o Brasil. REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, [S. l.], v. 19, n. 36, 2011. Disponível em: <https://remhu.csem.org.br/index.php/remhu/article/view/249>. Acesso em: 10 jan. 2025.
BOMFIM, José Anderson Farias da Silva. Migração forçada: uma análise a partir do processo de subsidência em bairros de Maceió-AL. 2024. 140 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Programa de Pós-graduação em Geografia, Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2023.
BRASIL. Ministério Público Federal.; ALAGOAS. Ministério Público Estadual.; BRASKEM. S. A. Termo de acordo para extinguir a ação civil pública socioambiental (processo nº 0806577-74.2019.4.05.8000). 2020. Disponível em: < https://www.mpf.mp.br/al/arquivos/2021/Acordo_ambiental.pdf>. Acesso em: 08 mai. 2023.
BRASIL. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL (CPRM). Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió-AL: relatório síntese dos resultados nº 1. Brasília, 2019, vol. 1
BRASKEM S.A. A nossa história. Seção História, 2019. Disponível em: <https://www.braskem.com.br/perfil>. Acesso em 10 de junho de 2022.
CAPDEVILLE, Fernanda de Sales Cavedon; FREITAS, Christiana Galvão Ferreira de. Deslocamentos no contexto dos desastres: diretrizes internacionais para o direito da gestão de riscos e desastres e políticas correlatas. In: JUBILUT, Liliana Lyra; FRINHANI, Fernanda de Magalhães Dias; LOPES, Rachel de Oliveira. (Org.). Migrantes forçados: conceitos e contextos. Boa Vista, RR: Editora da UFRR, 2018.
CAVALCANTE, Joaldo. Salgema: do erro à tragédia. Maceió: Editora CESMAC, 2020. 136p.
CONTIERI, Vinícius Coimbra. Elaboração de projetos da indústria petroquímica: análise econômica e ambiental do desastre geológico em Maceió e atividade da planta de cloro-soda da Braskem. 2021. 35 f. TCC (Graduação) - Curso de Engenharia Química, Departamento de Engenharia Química, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2021.
DAMIANI, Amélia Luisa. População e Geografia. São Paulo: Contexto, 1991.
DIAGONAL. Diagnóstico técnico-participativo do plano de ações sociourbanísticas. 2021. Disponível em: <https://maisdialogos.com/documentos>. Acesso em 23 de agosto de 2023.
DIODATO, Railson Vieira. Da concepção de um polo cloroquímico ao desenvolvimento da cadeia produtiva da química e do plástico de Alagoas. 2017. 142 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2017.
DUARTE, Mônica; ANNONI, Danielle. Migração forçada em âmbito internacional e a questão dos refugiados. In: JUBILUT, Liliana Lyra; FRINHANI, Fernanda de Magalhães Dias; LOPES, Rachel de Oliveira. (Org.). Migrantes forçados: conceitos e contextos. Boa Vista, RR: Editora da UFRR, 2018.
GALINDO, Abel et al. Rasgando a cortina de silêncios: o lado b da exploração do sal-gema de Maceió. 2022.
HARVEY, David. Justiça social e a cidade. São Paulo: Editora Hucitec, 1980.
IBGE. Base de informações do censo demográfico 2010: resultados do universo por setor censitário. Rio de Janeiro, 2011.
IBGE. Censo Demográfico 2010. Disponível em: Acesso em: 08 de agosto de 2022.
LEFEBVRE, Henri. O Direito à Cidade. São Paulo: Centauro, 2001. 144 p.
LOPES, Adelirian Martins Lara; AB’SABER, Aziz Nacib; HOSSNE, William Saad. O conceito de refugiado ambiental: é uma questão bioética? Revista Bioethikos, 2012; 6(4): 409 –15.
MAJELLA, Geraldo. Maceió em guerra: exclusão social, segregação e crise da segurança pública. Recife: ed. do autor, 2019.
MATA-LIMA, Herlander et al. Impactos dos desastres naturais nos sistemas ambiental e socioeconômico: o que faz a diferença? Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. XVI, n. 3, p. 45-64, jul.-set. 2013.
MOREIRA, Julia Bertino; SALA, José Blanes. Migrações Forçadas: Categorização em torno de sujeitos migrantes. In: JUBILUT, Liliana Lyra; FRINHANI, Fernanda de Magalhães Dias; LOPES, Rachel de Oliveira. (Org.). Migrantes forçados: conceitos e contextos. Boa Vista, RR: Editora da UFRR, 2018.
NASCIMENTO, Melchior Carlos do. Contribuição metodológica para seleção de indicadores de vulnerabilidade socioambiental por meio das geotecnologias à Região Metropolitana de Maceió. Tese (doutorado) – Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista. Rio Claro, 2016.
OIM (Suíça). Organização Internacional Para As Migrações (Ed.). Direito Internacional da Migração: Glossário sobre migração. 22. ed. Genebra: Organização Internacional Para As Migrações, 2009. 92 p. (ISSN 2075-2687).
OIM (Suíça). Organização Internacional para as migrações. Incluindo a mobilidade humana na adaptação à mudança do clima com uma abordagem transversal de justiça climática. Brasília: OIM, 2024.
OJIMA, Ricardo; MARANDOLA JUNIOR, Eduardo. Dispersão urbana e mobilidade populacional: implicações para o planejamento urbano e regional. São Paulo: Blucher, 2016.
OJIMA, Ricardo. Mobilidade espacial e migração. In: Grupo de Foz (Org.). Métodos demográficos: uma visão desde os países de língua portuguesa. São Paulo: Blucher, 2021. 1030p.
OLIVEIRA, Beatriz Silva de. Migração forçada de mulheres no rompimento da barragem de fundão em mariana-MG. XI Semana de Geografia da Unicamp: por uma geografia mestiça: América latina no século XXI, 2018.
POMBO, Rocha. Dicionário de sinônimos da língua portuguesa. 2. ed. – Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2011. 526 p.
PNUD; IPEA; FJP. Atlas do Desenvolvimento Humano. Brasília: PNUD Brasil, 2003.
PNUD. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. 2013. Brasília: PNUD. Brasil. Disponível em: <http://www.atlasbrasil.org.br/>. Acesso em: 8 de jul. 2023.
RAFFESTIN, Claude. Por uma Geografia do Poder. Tradução de Maria Cecília França. São Paulo: Ática, 1993.
RAVENSTEIN, Ernst Georg. As leis da migração. In: MOURA, Hélio A. de. Migração interna: textos selecionados. Fortaleza: Banco do nordeste do Brasil S.A (BNB). Escritório técnico de estudos econômicos do nordeste (ETENE), 1980, p. 19-88.
RENNER, Cecília Helena; PATARRA, Neide. Lopes. Migrações. In: SANTOS, Jair Lício Ferreira; LEVY, Maria Stella Ferreira; SZMRECSÁNYI, Tamás. Dinâmica da população: teoria, métodos e técnicas de análise. São Paulo, 1980.
SALATA, André Ricardo; RIBEIRO, Marcelo Gomes. Boletim desigualdade nas metrópoles. Porto Alegre/RS, n. 08. 2022. Disponível em: <https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2022/08/BOLETIM_DESIGUALDADE-NAS-METROPOLES_09-1.pdf> Acesso em: 24 mai. de 2023.
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. -7 ed., 3. reimpr. -São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2020. 176 p.
SANTOS, Milton. Pobreza Urbana. 3ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.
SILVA, João Carlos Jarochinski. Migração forçada de venezuelanos pela fronteira norte do Brasil. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 41., 2017, Caxambu, Anais [...]. Caxambu: ANPOCS – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, 2017. p. 1-22. Disponível em: <https://www.academia.edu/34935378/Migra%C3%A7%C3%A3o_for%C3%A7ada_de_venezuelanos_pela_fronteira_norte_do_Brasil> Acesso em: 12 de agosto 2023.
SLATTERY, G.; PEROBELLI, A. Especial – rachaduras em Maceió expõem riscos bilionários para Braskem e drama de milhares. Terra, Brasil, 02 de mar. de 2020. Disponível em <https://www.terra.com.br/economia/especial-rachaduras-em-maceio-expoem-riscos-bilionarios-para-braskem-e-drama-de-milhares,7f3200f944d9ee79a5bcc5b5c6b154fdd62qfict.html>. Acesso em: 12 jul. 2023.
SPAREMBERGER, Raquel Fabiana; VERGANI, Vanessa. Migração, vulnerabilidade e (in)justiça ambiental: desafios e perspectivas. Revista do Direito, Santa Cruz do Sul, v. 33, p. 130 147, 2010.
VAINER, Carlos Bernardo. A Violência Como Fator Migratório: Silêncios Teóricos e Evidências Empíricas. In: Travessia. N. 25. 1996. p.5-9.
VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP, 2001.
WANDERLEY, Luiz Jardim; MANSUR, Maíra; CARDOSO, Phillipe Valente. Atlas do problema mineral brasileiro. Comite Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração e Observatório dos Conflitos de Mineração no Brasil, 2023. Disponível em: <https://fase.org.br/wp-content/uploads/2023/06/ATLAS_Final_Online.pdf>. Acesso em: 12 de jul. de 2023.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 José Anderson Farias da Silva Bomfim, Melchior Carlos do Nascimento, Silvana Nunes de Queiroz

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Os Direitos Autorais dos artigos publicados na Revista Geo UERJ pertencem aos seus respectivos autores, com os direitos de primeira publicação cedidos à Revista. Toda vez que um artigo for citado, replicado em repositórios institucionais e/ou páginas pessoais ou profissionais, deve-se apresentar um link para o artigo disponível no site da Geo UERJ.

Os trabalhos publicados estão simultaneamente licenciados com uma Licença Commons BY-NC-SA 4.0.