AS TERRITORIALIDADES AMEFRICANAS E ESTADOS NACIONAIS
reflexões teóricas a partir de uma abordagem espacial
DOI:
https://doi.org/10.12957/geouerj.2025.83466Palavras-chave:
territorialidades amefricanas, Estado nacional, direitos étnicos e territoriais, contra-colonização, sistemas sociais alternativosResumo
No processo de constituição dos países latino-americanos, diversas comunidades negras se formaram no contexto da exploração do trabalho e da desigual apropriação da terra, em movimentos de resistência, adaptação e produção de territorialidades próprias. Após as abolições da escravidão africana, permaneceram em condição de invisibilidade jurídica e, a partir do último quartel do século XX, passaram a obter reconhecimento nos textos constitucionais enquanto cidadãos com direitos territoriais, acessíveis mediante a afirmação de uma identidade étnica específica. Nosso objetivo é analisar, a partir de uma abordagem espacial e interdisciplinar, os processos de exclusão da cidadania e os processos de resistência e reinvenção ao longo da história, até a atual luta e conquista de direitos. Entre as conclusões centrais do estudo, destaca-se a possibilidade da construção do pluralismo jurídico enquanto um movimento contra-colonizatório, no qual se afirma o direito à terra e à cidadania para essas comunidades na América Latina.
Downloads
Referências
ARRUTI, J. M. A. A emergência dos “remanescentes”: notas para o diálogo entre indígenas e quilombolas. Mana, v. 3, n. 2. Rio de Janeiro, 1997.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. BORGES, Maristela Correa. O LUGAR DA VIDA Comunidade e Comunidade Tradicional. CAMPO-TERRITÓRIO: Revista de geografia agrária. Edição especial do XXI ENGA-2012, p. 1-23, jun., 2014
CUNHA, Manuela Carneiro da. Cultura com aspas. São Paulo: Editora CosacNaify, 2009.
GOMES, Flavio dos Santos. A hidra e os pântanos: mocambos, quilombos e comunidades de fugitivos do Brasil (séculos XVII – XIX). São Paulo: Editora Unesp, 2005.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. In: Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, Nº. 92/93, p. 69-82, (jan./jun.). 1988.
GUSMÃO, Neusa Maria Mendes de. Negro e Camponês – política e identidade no meio rural brasileiro. São Paulo em Perspectiva, 6(3): 116 – 122, julho-setembro, 1992.
HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre a origem das mudanças culturais. São Paulo: Loyola, 1998.
HARVEY, David. O enigma do capital e as crises do capitalismo. Trad. João Alexandre Peschanski. – São Paulo, SP: Boitempo, 2011.
ISOLDI, Isabel Araujo. Territorialidades negras no território nacional: processos sócio-espaciais e normatização da identidade quilombola". Dissertação de mestrado. Instituto de Geociências, Unicamp, 2010.
LITTLE, Paul E. Territórios sociais e povos tradicionais no Brasil: Por uma antropologia da territorialidade. Anuário Antropológico/2002-2003. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2004.
LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, 22(3): 320, setembro-dezembro/2014.
MASSEY, D. Filosofia e política da espacialidade: algumas considerações. Geographia – Ano 6, no. 12, pp. 7-23, Niterói, UFF, 2004.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. Arte & Ensaios, PPGAV, EBA, UFRJ, n.32, dez. 2016.
MONTENEGRO, Jorge. Povos e Comunidades tradicionais, desenvolvimento e decolonialidade: articulando um discurso fragmentado. Revista OKARA: Geografia em debate, v.6, n.1, p. 163-174, 2012.
MORAES, Antônio Carlos Robert de. Território e História no Brasil. 3. ed. São Paulo: Annablume, 2008.
MOURA, Clovis. Rebeliões na senzala, quilombos, insurreições, guerrilhas. São Paulo:
Ciências Humanas, 1981.
NASCIMENTO, Maria Beatriz. Beatriz Nascimento, Quilombola e intelectual: possibilidades nos dias da destruição. Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018.
NJERI, Aza. Reflexões artístico-filosóficas sobre a humanidade negra Ítaca n.º 36, Especial Filosofia Africana, 2020.
PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. QUENTAL, Pedro de Araújo. Colonialidade do poder e os desafios da integração regional na América Latina. In: Polis [En línea], 31 | 2012.
RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993.
SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, quilombos. Modos e significados. Brasilia, 2015.
SANTOS, Antônio Bispo dos. Somos da terra. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, número 12, página 44 - 51, 2018.
SANTOS, Milton. As cidadanias mutiladas. In: LERNER, Julio (org.). O preconceito. São Paulo: IMESP, 1996.
SANTOS, Milton. O retorno do Território. In: SANTOS, Milton et al. (Org.). Território: Globalização e Fragmentação. 4. ed. São Paulo: Hucitec: Anpur, 1998. p. 15-20.
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 2000.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço e tempo: globalização e meio técnico científico informacional. 5ª ed. São Paulo: Edusp, 2008.
SUZUKI, Júlio César. Território, modo de vida e patrimônio cultural em sociedades tradicionais brasileiras. Espaço e Geografia, vol. 16, nº 2, p. 627-640, 2013.
VOLPATO, Luiza Rios Ricci. Resistência negra em área de fronteira. In: REIS, J.J, GOMES, F.S. Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo, Claro Enigma, 2012.
ZANETTE, Pedro Henrique de Oliveira. Contribuições da cultura de matriz africana para a conservação da biodiversidade – a experiência do Ilê Omo Aiye, comunidade de candomblé de São Luiz do Paraitinga/SP. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de São Carlos, 2020.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Isabel Isoldi, Sra

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Os Direitos Autorais dos artigos publicados na Revista Geo UERJ pertencem aos seus respectivos autores, com os direitos de primeira publicação cedidos à Revista. Toda vez que um artigo for citado, replicado em repositórios institucionais e/ou páginas pessoais ou profissionais, deve-se apresentar um link para o artigo disponível no site da Geo UERJ.

Os trabalhos publicados estão simultaneamente licenciados com uma Licença Commons BY-NC-SA 4.0.