AS TERRITORIALIDADES AMEFRICANAS E ESTADOS NACIONAIS

reflexões teóricas a partir de uma abordagem espacial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/geouerj.2025.83466

Palavras-chave:

territorialidades amefricanas, Estado nacional, direitos étnicos e territoriais, contra-colonização, sistemas sociais alternativos

Resumo

No processo de constituição dos países latino-americanos, diversas comunidades negras se formaram no contexto da exploração do trabalho e da desigual apropriação da terra, em movimentos de resistência, adaptação e produção de territorialidades próprias. Após as abolições da escravidão africana, permaneceram em condição de invisibilidade jurídica e, a partir do último quartel do século XX, passaram a obter reconhecimento nos textos constitucionais enquanto cidadãos com direitos territoriais, acessíveis mediante a afirmação de uma identidade étnica específica. Nosso objetivo é analisar, a partir de uma abordagem espacial e interdisciplinar, os processos de exclusão da cidadania e os processos de resistência e reinvenção ao longo da história, até a atual luta e conquista de direitos. Entre as conclusões centrais do estudo, destaca-se a possibilidade da construção do pluralismo jurídico enquanto um movimento contra-colonizatório, no qual se afirma o direito à terra e à cidadania para essas comunidades na América Latina.

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Biografia do Autor

Isabel Isoldi, PROLAM/USP

Doutora pelo Programa Interunidades de Integração da América Latina, PROLAM/USP (2017-2021). Pesquisa acerca das territorialidades afro- latino-americanas no Brasil e na Colômbia, das resistências gestadas nos quilombos, cumbes, palenques aos atuais processos jurídicos de acesso à posse legal da terra. Mestrado no Instituto de Geografia, UNICAMP, acerca das territorialidades negras no território nacional, com foco nos conflitos referentes às sobreposições de usos do espaço envolvendo comunidades de quilombo, Estado e grandes empresas (2010). Bacharel e licenciada em Geografia pela Unicamp. Monografia e iniciação científica acerca do quilombo da Caçandoca e conflitos sócio-ambientais (2006/2007). Atuou como extensionista entre 2005 e 2008 no Programa Comunidade Quilombolas, com projetos no Vale do Ribeira e como educadora popular da Incubadora de Cooperativas Populares da Unicamp, tendo coordenado projeto de Turismo e Economia Solidária em parceria com Ministério do Turismo. Professora de Geografia da Rede Municipal de Ensino de São Luiz do Paraitinga de 2013 a 2023, atuando em projetos que envolvem identidade territorial e cultural no mundo rural. Desde 2018 é diretora presidente do Instituto Omo Aiye, promovendo o fortalecimento das culturas tradicionais no Vale do Paraíba, através de ações educativas, culturais e ambientais.

Júlio César Suzuki, Universidade de São Paulo

Júlio César Suzuki-Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso, graduação em Letras pela Universidade Federal do Paraná, graduação em Química pelo Insti-tuto Federal de São Paulo, mestrado e doutorado em Geografia Humana  pela  Universidade  de  São  Paulo  e  Livre-Docência  em Fundamentos Políticos, Sociais e Econômicos da Geografia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Atualmente, é Professor Associado da Universidade de São Paulo e do Programa de Pós-Graduação (Mes-trado  e  Doutorado)  em  Integração  da  América  Latina  (PROLAM/USP), onde também atua como vice-coordenador. Tem experiência  na  área  de  Geografia,  com  ênfase  em  Geografia  Humana,  atuando  principalmente  nos  seguintes  temas:  Agricultura, Urbanização, Geografia e Literatura e Teoria e Método.

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Publicado

2025-11-04

Como Citar

ISOLDI, Isabel; SUZUKI, Júlio César. AS TERRITORIALIDADES AMEFRICANAS E ESTADOS NACIONAIS: reflexões teóricas a partir de uma abordagem espacial. Geo UERJ, Rio de Janeiro, v. 48, 2025. DOI: 10.12957/geouerj.2025.83466. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/geouerj/article/view/83466. Acesso em: 4 fev. 2026.