Publicado 2026-08-12
Palavras-chave
- Spinoza, Deleuze, potência, política, Frédéric Lordon, aceleracionismo, Agamben
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Resumo
Nosso artigo procura discutir uma questão filosófica fundamental que atravessa tanto a leitura de Deleuze sobre o "capitalismo imanente" quanto as propostas do aceleracionismo de Nick Land: até que ponto o processo de desestratificação — entendido como desterritorialização no plano de imanência absoluta — é não apenas desejável, mas possível ou até mesmo "natural"? A reflexão articula-se a partir da filosofia de Spinoza, que entende o aumento da potência como um princípio ontológico, um movimento necessário da própria natureza. Assim, o poder coletivo, quando organizado racionalmente sob a forma de Estado, não estaria imune a essa mesma lógica de crescimento e expansão.
Nesse sentido, o presente artigo abre um diálogo com o livro Vivre sans de Frédéric Lordon, que, partindo também de uma leitura spinozista análoga, questiona as posturas políticas e filosóficas de "viver sem", o capitalismo, o Estado, as instituições. Lordon propõe pensar os limites da desestratificação sem cair na armadilha de uma imanência pura, destacando o papel das instituições e da organização coletiva como mediações inevitáveis da vida social. O contraste entre o desejo de uma imanência absoluta (como aparece no aceleracionismo) e a necessidade prática de formas de organização (como enfatiza Lordon) revela um campo de tensões que este artigo explora, questionando as promessas de uma potência sem mediações e os riscos de uma desterritorialização sem limites.