n. 33 (2026)
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“Só o caboclo é quem sabe aonde a flecha caiu”: o acontecimento que chega em Derrida

Publicado 12-10-2026

Palavras-chave

  • Acontecimento,
  • Derrida,
  • Alteridade,
  • Desconstrução,
  • Segredo

Como Citar

HADDOCK-LOBO, Rafael. “Só o caboclo é quem sabe aonde a flecha caiu”: o acontecimento que chega em Derrida. Ensaios Filosóficos, Rio de Janeiro, v. 1, n. 33, p. 87–108, 2026. DOI: 10.12957/ef.v1i33.102356. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/ensaiosfilosoficos/article/view/102356. Acesso em: 15 out. 2026.

Resumo

Partindo do ponto de caboclo que afirma que “só o caboclo é quem sabe aonde a flecha caiu”, este ensaio propõe uma filosofia do acontecimento a partir de uma escrita fragmentária organizada em flechas. O percurso inicia-se com a leitura derridiana do 11 de setembro como paradigma do acontecimento, isto é, daquilo que irrompe antes de qualquer interpretação possível. Em seguida, reconstrói-se uma linhagem que atravessa Heidegger, Lévinas e Derrida: do ser que se dá (es gibt) ao outro que chega e ao impossível que vem. O acontecimento é pensado a partir de figuras como o perdão, a justiça, a hospitalidade, o trauma, o luto e o segredo, entendidas como experiências que excedem o cálculo e desafiam a lógica da presença. O texto também pretende aproximar a desconstrução derridiana das cosmologias afro-indígenas e das macumbas cariocas, nas quais o segredo não é ignorância, mas condição do porvir. A imagem da flecha permite pensar uma temporalidade espiralar em que rastros, cicatrizes e espectros continuam reorganizando mundos. O ensaio sugere que o acontecimento não é aquilo que se deixa capturar pelo pensamento, mas aquilo cujos rastros seguimos, reconhecendo que algo de seu sentido permanece sempre reservado ao mistério.