Submissões abertas para o Dossiê temático: Como confrontar a violência? Arquivos da colonialidade e seus dilemas na escrita da História, nas políticas de memória e nos regimes de visualidade
Convidamos a comunidade acadêmica para submeter artigos e resenhas para o nosso próximo dossiê temático: "Como confrontar a violência? Arquivos da colonialidade e seus dilemas na escrita da História, nas políticas de memória e nos regimes de visualidade", cujas organizadoras são Rebecca Rozas (UNICAMP) e Heloisa Rosa (UNICAMP).
O prazo de submissão é: 01/08/2026 a 31/10/2026.
Esta proposta de dossiê busca mapear debates epistemológicos sobre acervos e arquivos produzidos sob as lógicas de poder da colonialidade, reunindo historiadores(as), profissionais de museus e de tratamento de acervos, curadores(as), artistas visuais, entre outras áreas. Assim, convidamos pesquisadores(as) interessados(as) na temática a submeterem trabalhos alinhados a quatro eixos-guarda-chuva que, em nossa perspectiva, abarcam tanto o trabalho intelectual e artístico com/sobre os arquivos da colonialidade quanto a produção de contra-memórias. Ressaltamos, contudo, que serão bem-vindas perspectivas que dialoguem
com o problema elencado de forma plural.
Desse modo, para o nosso Eixo I, convidamos trabalhos que, a partir das mais variadas metodologias, se debrucem sobre os desafios enfrentados por historiadores(as) diante dos arquivos da colonialidade. Interessa-nos pesquisas engajadas com a atribuição de agência histórica – em seus múltiplos entendimentos da categoria – aos sujeitos colonizados e escravizados do passado e aos sujeitos e grupos historicamente marginalizados do presente. Nosso Eixo II convida à colaboração pesquisadores(as) engajados com a descolonização em museus e instituições de memória e patrimônio, especialmente aquelas
destinadas a memorializar agentes coloniais e a preservar um arcabouço simbólico da Nação (Lafont, 2023; Vergès, 2023). Em suma, interessam-nos trabalhos que abordem: (i) a participação das comunidades nos processos institucionais, compreendendo-as como agentes; (ii) os debates em torno das políticas de repatriação e restituição; (iii) as práticas decoloniais de mediação educacional; (iii) perspectivas sobre museus e cultura digital; (iv) os museus ativistas, que lidam com memórias traumáticas; (v) as práticas e metodologias decoloniais de acervamento e produção de metadados (Haberstock, 2020; Azoulay, 2024); entre outros temas. Outro aspecto central para entender a emergência contemporânea dos arquivos da
colonialidade, e que organiza o Eixo III desta proposta, é a produção artística que utiliza objetos/documentos provenientes de diferentes acervos coloniais (fotográfico, arquitetônico, bibliográfico, etc) para criar imagens. Convidamos pesquisadores(as) e artistas que analisam como a produção de arte contemporânea procura contestar os discursos – escritos ou visuais – que sustentam uma memória da colonialidade, criticando a violência inscrita nesses acervos e reelaborando uma memória da dor. Para o nosso Eixo IV, gostaríamos de convidar trabalhos que pensam novas práticas de arquivamento e o papel dos (contra)arquivos na construção de memória e identidade. Essa agenda crítica se soma ao surgimento de outros arquivos e acervos que vêm sendo formados ou incorporados por instituições para preservação.
Referências Citadas:
AZOULAY, Ariella. Archive. In Political concepts: a critical lexicon, 2017. Disponível em
http://www.politicalconcepts.org/archive-ariella-azoulay/ acesso em 11 de dezembro de 2025.
HABERSTOCK, Lauren. Participatory description: decolonizing descriptive methodologies
in archives. Archival Science, 20, p. 125-138, 2020.
LAFONT, Anne. Violências monumentais: é possível desarmar os símbolos? In: A arte dos
mundos negros: história, teoria e crítica. São Paulo: Bazar do Tempo, 2023.
VERGÈS, Françoise. Decolonizar o museu. São Paulo: Editora Ubu, 2023.
