Heidegger e os vindouros: sobre o ensinar e o aprender
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.95300Resumo
Para Heidegger o ofício de ensinar só se manifesta, na sua verdade, como o gesto de «ensinar a aprender». Esse gesto, nas Lições de 1928, é o do líder ou guia, que introduz os menos experientes no modo de fazer fenomenológico. No Seminário de 1941/42 e nas Lições de 1951/52, usa o símil do maestro/director (Leiter) de uma orquestra – tocando em concerto, como a mais pura forma musical de pensamento – e o do artesão (Handwerker), que molda o novo na oficina, forjando a auto-manifestação de cada estudante. Mas como aparece essa manifestação nos textos esotéricos, que, à maneira do Platão não escrito, não foram pensados propriamente para ser tornados públicos, mas guardados na gaveta até que os “poucos e raros” pudessem estar (mais) preparados para acolher o que virá, nos tempos do deus derradeiro? O presente intento aceita, como um desafio, buscar essa abertura aos tempos vindouros, nas páginas sigilosamente guardadas pelo pensador, nos Cadernos Negros, em que se configura a sua conversa consigo mesmo.