Expanding Evaluativism: Valence as the Evaluative Component of Pain States
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.93954Resumo
No domínio da filosofia da dor, a teoria avaliacionista postula que estados de dor possuem uma dupla estrutura, a saber, sensorial e afetiva. O componente sensorial, que aponta para aspectos fenomenológicos, carrega um elemento afetivo pelo qual estados mentais de dor representam algo ruim para o sujeito. Essa dupla-estrutura, por sua vez, está na base das avaliações que o sujeito faz sobre a sua própria dor. Avaliacionistas como David Bain entendem que essa dupla estrutura remete a razões que, do ponto de vista do sujeito, justificam ações que possam contornar a dor. Isso mostra um comprometimento com o cognitivismo que, entre outras coisas, pressupõe um controle cognitivo do sujeito sobre a sua própria dor. Argumentaremos que esse comprometimento restringe o escopo explicativo do avaliacionismo a casos simples de dor aguda. Para contornar esse problema, argumentaremos que é possível ampliar tal escopo explicativo se pensarmos o componente afetivo como valência que, por sua vez, desfaz o liame com a cognição. Tal proposta poderá ampliar a explicação da teoria avaliacionista para casos mais complexos de dor, nos quais o sujeito, embora não possua controle cognitivo sobre a sua dor, ainda assim a avalia como algo ruim para ele.