O existente na "sala de espera metafórica": considerações fenomenológicas sobre o tédio no paciente à espera de tratamento
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.93875Resumo
O artigo emerge a partir da experiência do paciente na chamada “sala de espera metafórica”, expressão utilizada por Judith Eguzoikpe (2025) para nomear o tempo suspenso vivido entre procedimentos diagnósticos e tratamentos. Partindo do caso de um paciente oncológico, denominado aqui Sr. Paulo, reflete-se sobre essa espera em vinculação com o tédio, compreendido como tonalidade afetiva fundamental (Grundstimmung) descrita por Martin Heidegger em Os Conceitos Fundamentais da Metafísica. São analisadas as formas do tédio — “ser entediado por…”, “estar entediado junto a…” e “tédio profundo” — em diálogo com a experiência das salas de espera médicas, tanto em sentido literal, quanto metafórico. A fenomenologia aponta para como, ao despertar o tédio, essa situação nos lança para além da cotidianidade e da impessoalidade, desvelando modos de temporalizar e habitar o mundo. Por fim, o texto indica que pode contribuir com um trânsito de mão dupla entre o campo da fenomenologia hermenêutica (no horizonte filosófico e clínico) e o campo do cuidado ampliado em saúde