Corporeidade e ipseidade na esquizofrenia: considerações sobre a psicopatologia fenomenológica de Thomas Fuchs
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.93873Abstract
O objetivo deste artigo é elucidar as relações entre a corporeidade e a experiência de si na psicopatologia fenomenológica do psiquiatra alemão Thomas Fuchs. Nosso recorte consiste em examinar o aparato teórico que subsidia sua discussão acerca da interação entre estas estruturas da experiência na esquizofrenia. Visamos apresentar suas análises em torno da experiência corporal na esquizofrenia, a fim de explicar a hipótese de que esta condição subjetiva é caracterizada pela ruptura das vivências corporais pré-reflexivas, ocasionando processos de “descorporificação”, como a perda do senso de agência e o rompimento das sensações de familiaridade e pertencimento face ao mundo e a si. Nosso trabalho se compõe de dois momentos. Primeiramente, delineamos a estrutura conceitual de discussão do tema da corporeidade no pensamento de Fuchs, através da descrição da reversibilidade própria à experiência carnal, representada pelas ideias de Körper (corpo-objeto) e Leib (corpo-vivido). Esta distinção nos permite abordar os conceitos de autoconsciência trabalhados pelo autor, representados pelas ideias de ipseidade, ou autoconsciência implícita, e si-mesmo pessoal, ou autoconsciência explícita. Com base nestas distinções, na segunda parte, mostraremos como Fuchs retrata as especificidades das relações entre a experiência de si e a corporeidade na esquizofrenia.