A crise da psicopatologia contemporânea e o retorno à experiência vivida: aportes fenomenológicos em Husserl e Edith Stein
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.93753Resumo
A psicopatologia contemporânea enfrenta impasses epistemológicos e práticos decorrentes do predomínio de modelos naturalistas e classificatórios, que tendem a reduzir o sofrimento a sinais e sintomas. Esse cenário configura uma crise da experiência, pois obscurece a dimensão originária do adoecimento psíquico. O presente artigo analisa aportes fenomenológicos de Edmund Husserl e Edith Stein que oferecem fundamentos para recolocar a experiência vivida no centro da psicopatologia. Trata-se de um estudo teórico de base fenomenológica e hermenêutica, fundamentado em revisão bibliográfica das obras primárias dos autores e em comentadores contemporâneos (Fuchs, Ratcliffe, Stanghellini, Tatossian, Parnas). Como resultados, sistematizam-se seis eixos conceituais: crítica ao psicologismo e ao naturalismo; Lebenswelt e retorno às coisas mesmas; unidade corpo–psique–espírito; motivação, liberdade e atos espirituais; empatia e validação intersubjetiva; implicações para classificação e avaliação clínica. Conclui-se que a psicopatologia fenomenológica oferece ganhos de rigor descritivo, densidade antropológica e relevância clínica, constituindo alternativa fecunda para superar a crise atual.