Empatia desde a diferença: a fenomenologia e o tema da empatia em contextos de saúde
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.93140Resumo
Há uma pluralidade de definições e uma grande quantidade de pesquisas sobre o tema da empatia. Na filosofia de orientação fenomenológica, a empatia vem sendo apresentada como um tipo distinto de intencionalidade direcionada à experiência do outro. Desenvolvimentos recentes se valem dessa noção e ampliam seu escopo de aplicação. Tendo isso em vista, o presente artigo tem por objetivo apresentar o debate fenomenológico atual sobre a empatia em contextos de saúde e, em especial, os contextos de enfermidades psiquiátricas. Para isso, o texto está organizado em três seções: A primeira retoma concepções clássicas de empatia na literatura fenomenológica. A segunda apresenta desdobramentos recentes do conceito voltados aos contextos de saúde. Por fim, a terceira parte discute duas concepções que desenvolvem um conceito de empatia com ênfase na diferença, tomando-a não como uma característica a ser superada, mas como aspecto constitutivo da relação clínica. A empatia de segunda ordem e a empatia radical recusam a tese de que há uma impossibilidade de empatizar com algumas experiências relacionadas a alguns diagnósticos psiquiátricos e sugerem a necessidade de adotar uma postura metodológica que permita o reconhecimento de diferenças, em especial, a diferença entre o “mundo” da pessoa que empatiza e o mundo do empatizado.