Quando a subjetividade se torna fonte de descrições fenomenológicas: o relato da ambiguidade do vivido em Simone de Beauvoir

Autores

  • Lucas Joaquim da Motta Universidade Federal de São Carlos

DOI:

https://doi.org/10.12957/ek.2025.88573

Resumo

Este texto visa compreender como a presença da subjetividade é um aspecto constitutivo do próprio método filosófico de Simone de Beauvoir, que é o método da ambiguidade. Não são raras as vezes que a autora assume sua própria subjetividade como fato para realizar afirmações subsequentes que se mantém sempre relacionadas com a concretude do que foi anunciado como uma verdade: “Estou aqui”, “sou uma mulher”, “nasci em Paris”, são algumas afirmações que encontramos nos textos da filósofa. Ao fazer tais afirmações, sobretudo nos parágrafos iniciais de suas obras, Beauvoir não apenas as emprega para anunciar uma particularidade de sua vida, mas parece recorrer a essas verdades como um recurso estrutural indispensável da organização e do desenvolvimento de seus livros, para evidenciar com exatidão uma realidade que faz parte de sua própria subjetividade; ao declarar-se como mulher, como parisiense, como alguém que existe no tempo e no espaço, Beauvoir tem como ponto de partida a própria ambiguidade, isto é, o fato de todo sujeito ser para si como tal e um objeto para outrem, uma liberdade situada na facticidade da realidade objetiva, para atingir outras verdades, muitas vezes com a intenção de desmistificar valores relacionados a essas particularidades (por exemplo, a desmistificação do “destino natural” imposto à mulher, do esforço das morais positivas em universalizar a condição humana em termos objetivos, dos valores morais que tentam determinar o indivíduo desta ou daquela maneira, muitas vezes com a tentativa de substituir a liberdade dele por ideias prontas e já fixadas em sua situação, entre outros). Portanto, pela verdade de sua subjetividade veremos que o recurso estrutural da filosofia de Beauvoir é mais do que uma afirmação de si, mas é um meio de partir do concreto (singular) para elucidar outras questões com foco na própria experiência vivida, nas ambiguidades dessa experiência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

2025-12-28

Como Citar

DA MOTTA, Lucas Joaquim. Quando a subjetividade se torna fonte de descrições fenomenológicas: o relato da ambiguidade do vivido em Simone de Beauvoir. Ekstasis: Revista de Hermenêutica e Fenomenologia, Rio de Janeiro, v. 14, n. 1, p. 177–203, 2025. DOI: 10.12957/ek.2025.88573. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/Ekstasis/article/view/88573. Acesso em: 4 fev. 2026.