A doação sem posses da maternidade para a (des)constituição do sujeito
DOI:
https://doi.org/10.12957/ek.2025.88423Resumo
O artigo propõe discutir a passagem do sujeito proprietário à subjetividade maternal na ética levinasiana, qualificada na obra De outro modo que ser ou para lá da essência com atributos historicamente encarnados na mãe, para revelar o nascimento do sujeito dependente da generosidade da maternidade. Ao considerar dois elementos, a transcendência ao passado imemorial e a experiência maternal, é possível retirar da subjetividade o marcador da diferença sexual que sobrecarregaria somente a mulher no exercício de seu papel: carregar o outro em sua própria pele. Trata-se de mostrar como ambos aspectos levam à heteronomia do sujeito, constituem a invisibilidade do fenômeno da gestação e da gravidez, e permitem que a lembrança do nascimento do sujeito seja sempre uma doação ao estrangeiro.