O desafio do enfermeiro no cuidado ao portador de ferida oncológica

Evelyn G. Osório, Sandra R. M. Pereira

Resumo


As feridas oncológicas ou tumorais são formadas pela infiltração de células malignas do tumor nas estruturas da pele. Estas lesões possuem particularidades que desafiam ao profissional enfermeiro a buscar a forma de tratamento mais adequada, de acordo com a singularidade de cada paciente. O presente estudo é uma pesquisa descritiva com abordagem qualitativa, na qual foi realizada uma entrevista semiestruturada com perguntas abertas a partir da visualização de duas fotos de feridas tumorais, com objetivo de compreender o nível de conhecimento teórico e a ação do cuidado de enfermeiros de um hospital universitário do Rio de Janeiro sobre ferida oncológica. Foram entrevistados 18 enfermeiros com mediana de 7 anos de profissão (variação de 2 a 25 anos). Na descrição e evolução das feridas, a maioria dos sujeitos as descrevem de forma incompleta e não identificam algumas características da lesão. Dentre os critérios de avaliação das respostas dos sujeitos foi possível perceber que os enfermeiros possuem conhecimento sobre feridas em geral, porém, ao abordar as especificidades de uma ferida oncológica ficou evidente que há uma lacuna que limita o cuidado, podendo ser corrigida com treinamentos e capacitação dos profissionais. O estudo contribui para comunidade acadêmica, ampliando o conhecimento e a produção para discussão e reflexão de outros alunos de graduação; para o grupo de profissionais, oferecendo uma base referencial para a prática assistencial; e para a sociedade, pois a divulgação oferece subsídios para uma melhor assistência de enfermagem ao portador de ferida oncológica.

Descritores: Cuidados de enfermagem; Ferida tumoral; Ferida maligna; Ferida oncológica.


Referências


Instituto Nacional de Câncer (INCA). Tratamento e controle de feridas tumorais e úlceras por pressão no câncer avançado. Série cuidados paliativos. Ministério da Saúde. Rio de Janeiro. Brasil; 2009. 44 p.

Gozzo TO, Tahan FP, Andrade M, et al. Ocorrência e manejo de feridas neoplásicas em mulheres com câncer de mama avançado. Esc. Anna Nery [Internet]. 2014;18(2):270-276. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452014000200270

Minayo MCS. O Desafio do Conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. 10. ed. São Paulo: HUCITEC, 2007. 406 p.

Haisfield-Wolfe ME, Baxendale-Cox LM. Staging of malignant cutaneous wounds: a pilot study. Oncol Nurse Forum. 1999. Jul; 26(6):1055-64.

Aguiar RM, Silva GRC. Os cuidados de Enfermagem em Feridas Neoplásicas na Assistência Paliativa. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto. UERJ. Rio de Janeiro. 2012;11(2):82-8.

Firmino F. Feridas neoplásicas: estadiamento e controle dos sinais e sintomas. Revista Prática Hospitalar, São Paulo. 2005;42:59-62.

Haisfield-Wolfe ME, Rund C. Malignant cutaneous wounds: developing education for hospice, oncology and wound care nurses. International Journal of Palliative Nursing 2002; 2(8):57-65.